Ponto de vista: Abrindo o jogo

Por: Adary Oliveira


Tribuna da Bahia, Salvador
16/12/2020 00:05

   

Estou escrevendo este artigo no dia em que se celebra os 79 anos da descoberta do primeiro campo comercial de petróleo no Brasil, ocorrido em 14/12/1941 em Candeias, em poço que até hoje está em produção. Tal fato aconteceu dois anos após a descoberta do petróleo em Lobato por Oscar Cordeiro e Manoel Ignácio Bastos. Daí para cá os acontecimentos foram se sucedendo com o início do funcionamento da refinaria de Mataripe em 1950, o começo da construção do Conjunto Petroquímico da Bahia em 1962, do projeto do Centro Industrial de Aratu em 1966, da operação do Porto de Aratu em 1975, da inauguração do Polo Petroquímico em 1978 e sua transformação em Polo Industrial de Camaçari com a partida de fábrica de Ford em 2001.

A Bahia esteve progredindo muito lentamente nos últimos anos e está na hora de se dar uma chacoalhada para definir novos rumos. Medido pelo Índice Sebrae de Desenvolvimento Econômico Local (ISDEL), apesar de todo o seu potencial, a Bahia é o 17º estado brasileiro no ranking de desenvolvimento local com nota 0,342, longe da 0,538 de São Paulo, depois do registro 0,365 do Ceará e da avaliação 0,352 de Pernambuco. Quanto ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), quando as notas vão de 0 a 10, a Bahia saiu do último lugar com 4,9 tendo ultrapassado o Pará, Amapá, Rio Grande do Norte e Sergipe, estando também longe dos 6,5 de São Paulo.

Agora que as eleições municipais foram concluídas e que os candidatos a governador estão se manifestando, fazendo suas avaliações de potencial de votos, uns pelo número de municípios onde saíram vitoriosos, outros pelo número de eleitores dos municípios que dizem controlar, está na hora de se colocar todas as cartas sobre a mesa. Como a política é local, em 2022 os eleitores usarão diversos critérios para a escolha de seus candidatos. A escolha dos candidatos a deputado estadual não segue o mesmo juízo da escolha do candidato a deputado federal, governador, senador ou presidente da república. Entre os vários critérios que usam estão as promessas, para os cargos nas eleições proporcionais, e os programas de governo, para as eleições majoritárias.

As proposições costumam girar em torno da educação, saúde, segurança, meio ambiente, mas também do desenvolvimento econômico, da geração de riqueza, dos empregos criados, da distribuição de renda. Para que a Bahia saia da inércia em que se encontra e avance no ranking de avaliação dos estados, os candidatos poderão tanto apresentar novos projetos como falar dos que estão em andamento. Estão correndo os seguintes: fortalecimento do agronegócio, saindo dos grãos primários e indo para os produtos intermediários e finais; aumento da produção de algodão seguido da extração do óleo de seu caroço e beneficiando a pluma, fabricando fios, manufaturando tecidos e montando confecções; conclusão da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL) e do Porto Sul, viabilizando a produção e exportação de minérios e melhorando a logística dos grãos; implantação do polo suco-álcooleiro-químico com a cana de açúcar irrigada por gotejamento subterrâneo; expansão da geração de energia eólica e fotovoltaica, com aumento da produção de torres, hélices e naceles; revitalização da exploração e produção de petróleo e gás natural e ampliação da capacidade de refino, considerando o domínio das empresas privadas que estão se instalando no Nordeste; e tantas outras ideias mais.

Enfim, não falta assunto para ser colocado nos programas, permitindo aos eleitores fazerem suas avaliações. A corrida eleitoral já começou e está na hora de se abrir o jogo.


Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – adary347@gmail.com

Compartilhe