Ponto de Vista: Além do universo

Por Inaldo da Paixão Santos Araújo


Tribuna da Bahia, Salvador
05/12/2021 21:03

   

Confesso que, até a leitura da matéria “Mundo inventado”, de Luiz Felipe Castro (Revista Veja, edição 2755), eu não havia ouvido a palavra metaverso. Como esse termo ainda não consta nos nossos usuais dicionários, fico com a definição apresentada pelo articulista da Veja: “metaverso se refere a um mundo virtual que replica a realidade por meio de dispositivos tecnológicos”.

Derivado da aglutinação do prefixo meta (“além”, em grego”) com a palavra universo, metaverso, segundo o site CNN Brasil Business, “representa a possibilidade de acessar uma espécie de realidade paralela, em alguns casos ficcional, em que uma pessoa pode ter uma experiência de imersão. Tecnicamente, o metaverso não é algo real, mas busca passar uma sensação de realidade e possui toda uma estrutura no mundo real para isso”.

Conforme a matéria, o metaverso apresenta infinitas possibilidades de aplicação: no escritório, com as reuniões tridimensionais; na escola, com os professores e alunos em realidade virtual acompanhando o que se via apenas nos livros e na internet; nas fábricas, com os famosos simuladores; e no tempo livre, com a realização de sonhos de viagens em questão de minutos.

Ainda como dito no citado artigo, o “termo metaverso foi cunhado há quase 30 anos pelo escritor americano Neal Stephenson em seu romance ‘Snow Crash’, de 1992”.

Nada obstante não ter conhecimento do termo metaverso, há muito eu já imaginava como seria o mundo quando o holodeck de Star Trek se tornasse realidade.

Star Trek (no Brasil, Jornada nas Estrelas; em Portugal, O Caminho das Estrelas) é uma franquia norte-americana de ficção científica, criada por Gene Roddenberry, produzida pela Paramount Television, que começou sua jornada televisiva em 1966.

A franquia Star Trek gerou inúmeras memorabilias, diversos filmes e várias histórias derivadas, mas, para mim, a série de tv “Star Trek: The Original Series” e as duas temporadas do desenho animado “Star Trek: The Animated Series”, continuam imbatíveis.

Até hoje viajo quando ouço o tema musical de Alexander Courage para a Série Clássica com o monólogo de introdução narrado por William Shatner (o imortal Capitão James Tiberius Kirk) em cada episódio, que estabelece o propósito da ficção: “O espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Em sua missão de cinco anos... para explorar novos mundos... para pesquisar novas formas de vida e novas civilizações... audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.

O holodeck apresentado na série Star Trek é uma sala dentro da nave Enterprise que usa "hologramas" (luzes projetadas e energia eletromagnética que criam a ilusão de objetos sólidos) “para criar uma simulação 3D realista de um cenário real ou imaginário, no qual os participantes podem interagir livremente com o ambiente, bem como objetos e personagens, e às vezes uma narrativa predefinida”. Essa sala oferece ao usuário várias configurações para selecionar um programa ou ajustar uma simulação realista e interativa de um mundo físico.

O holodeck (além dos comunicadores, do tricorder e do teletransporte) era minha paixão. Quantas histórias criei na minha sala imaginada! Sua primeira aparição na franquia foi na Série Animada, exibida em 1974, no terceiro episódio da segunda temporada "The Practical Joker" (O Computador Humorista, na versão em português da Netflix), mas somente passou a marcar presença constante no universo de Star Trek a partir do episódio piloto da Série: A Nova Geração.

Não há dúvidas de que, com o avanço das novas tecnologias e com o ingresso dos chineses e de grandes corporações nesse empreendimento (Facebook, Microsoft, etc.), tudo se tornará virtualmente possível. Assim, em breve estaremos navegando virtualmente pelo cabo das Tormentas, em 1488, quando ele foi dobrado pela primeira vez pelo navegador português Bartolomeu Dias. Para mim, pelo menos, uma das maiores aventuras humanas que contribuíram para transformar o nosso mundo real.

De mais a mais, somente espero que o metaverso que estará sempre além do horizonte humano seja, como há muito já cantou o rei Roberto, “Um lugar bonito pra viver em paz, onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza”.

*Inaldo da Paixão Santos Araújo é mestre em Contabilidade. Conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Estado. Professor da Universidade do Estado da Bahia. Escritor. inaldo_paixao@hotmail.com

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