Ponto de Vista: O papel da Universidade Moderna, 8. A UFBA e a educação na Bahia, 3.

Por Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
31/03/2021 23:14

   

Ao bom amigo Carlos Alberto Gentil Marques, notável educador!

Nos dois artigos anteriores, sugerimos o que a UFBA poderia ter feito, e ainda pode fazer, em favor do Semiárido e da infraestrutura sanitária para desenvolver a Bahia e o Nordeste. Neste último, abordaremos sua omissão em resgatar a educação baiana do fundo do poço onde se encontra, com uma qualidade de padrão quarto-mundista, com o sacrifício das gerações pobres, deficiência que tanto contribuiu para colocar a Bahia no mais baixo patamar social, político e econômico de sua história. 

 Se a UFBA não tivesse ignorado o papel reservado às universidades, na sociedade do conhecimento em que nos encontramos, a Bahia não teria caído no atoleiro em que se encontra, vitimada pela pedagogia freireana, uma engenhosa doxa, útil para estudos no campo das ciências sociais, mas uma boçalidade como método de alfabetização que nunca funcionou onde foi experimentada. As provas do SAEB do 5° ano primário evidenciam que 54% dos alunos brasileiros, submetidos ao método de Paulo Freire, não conseguem se alfabetizar, meta a ser alcançada até o 2° ano, resultando no maior grau de repetência da América Latina. Pior ainda: pesquisa Ibope/Fundação Montenegro revelou que 75% dos brasileiros alfabetizados não compreendem o que leem. Enquanto cedemos ao modismo experimental de alfabetização ideovisual, os países mais avançados usam o sistema fônico, aperfeiçoado do velho bê-a-bá. O método fônico revelou-se melhor, inclusive, para alfabetizar os piores alunos. Continuamos a subestimar que educação é o caminho mais curto entre  pobreza e  prosperidade, atraso e desenvolvimento, a barbárie e as sociedades fraternas e cultas a que aspiramos pertencer. Uma boa educação contribui para elevar a renda, a cidadania e a saúde física e mental dos povos. Consegue-se quantificar o impacto de um bom professor na futura posição dos seus alunos.

Por isso, é impróprio denominar de “milagre” a recuperação econômica de países como Japão e Alemanha, arrasados na Segunda Guerra, em razão do elevado padrão educacional que há muito praticam. Hoje, a velha distinção entre ricos e pobres cede lugar à que distingue entre os mais e os menos educados, tamanha a relação linear crescente entre conhecimento, riqueza e poder. A ominosa desigualdade existente no Brasil resulta da má qualidade do ensino público, vítima de uma combinação de incompetência, corrupção, populismo e primarismo ideológico. 

 Para avançar, o Brasil deveria aspirar um padrão de qualidade na educação equiparável ao primário do Japão, o médio da Alemanha e o universitário dos Estados Unidos, consoante o preceito bíblico que diz que alcançamos pontos cada vez mais altos quando nos empenhamos em atingir as estrelas. Ou em linguagem mais corriqueira: avançamos quando almejamos recordes, como nas superações das marcas nos jogos olímpicos. 

Segundo 66% dos professores do curso médio, a causa da baixa qualidade dos cursos universitários que fizeram resultou da prioridade atribuída à posição ideológica sobre o desempenho acadêmico, quando os heróis festejados eram do tipo Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales, discípulos de Marx, Stalin e MaoTsé-tung! 

Em lugar de aprender português, matemática e ciências, em geral, o objetivo primacial seria a libertação do espírito, que cada qual define como quiser.

A criança destituída de berço promotor do seu desenvolvimento não pode perder a oportunidade de ter uma escola de qualidade, última possibilidade de salvar do naufrágio sua cidadania. É inaceitável que apenas um quarto dos alunos pobres que ingressam no ensino fundamental chegue ao curso médio. Os demais, 75%, ficam no meio do caminho. 

Essa é a maior de nossas tragédias sociais, acima de todas as outras, como a corrupção, a violência galopante e a eventualidade de pestes, como a Covid 19. 

A UFBA poderia ter evitado essa tragédia. Preferiu optar pelo lulopetismo.


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