Ponto de vista: Por que fisioterapia no tratamento durante e pós-Covid?

Por Sabrina Correia de Oliveira*


Tribuna da Bahia, Salvador
23/04/2021 20:37

   

Seja na equipe de atendimento hospitalar ou na recuperação pós-internação, o papel do fisioterapeuta é fundamental para o sucesso no tratamento da Covid-19.  A atuação da fisioterapia contribui no tratamento respiratório e motor, de pacientes acometidos com a doença. A fisioterapia tem como propósito oferecer qualidade de vida, atuando em prevenção, tratamento e reabilitação.

A Covid-19 é uma doença multissistêmica, assim, comprometendo diversos sistemas do corpo humano. Visto que a principal via de transmissão é pelo sistema respiratório, esse é o sistema mais afetado, podendo ter importantes repercussões leves, moderadas e graves. Pacientes com complicações respiratórias necessitam de intervenção com terapias com suporte de oxigênio, terapias essas, ministradas pelo fisioterapeuta. Em casos mais graves, onde a insuficiência respiratória agrava, há a necessidade da realização da intubação, nesses casos, aparelhos de ventilação mecânica atuam para ajudar no funcionamento dos pulmões. O fisioterapeuta é o profissional responsável pela administração dos parâmetros de funcionamento desses aparelhos, chamados de respiradores mecânicos, tanto na aplicação quanto na retirada, atendendo a demanda de cada paciente.

O uso de terapias para deslocamento e remoção de secreção brônquica, com o intuito de melhora da função pulmonar, também são realizadas pelo fisioterapeuta. Além das estratégias para melhora da função respiratória, a fisioterapia também atua na reabilitação das funções motoras, intervenções que estimulem a mobilidade do paciente, diminuindo o risco de atrofias musculares, restrições articulares e perda da função motora.

Pacientes em estado crítico podem perder de 17% a 30% de massa muscular nos primeiros 10 dias de internação intensiva, devido à restrição ao leito. O fisioterapeuta usa de estratégias para mobilização motora, realizadas com trabalho de mobilidade no leito, mesmo em pacientes em uso de ventilação mecânica. Estudos recentes comprovam que quanto mais cedo a mobilização, melhor e mais precoce a recuperação. Os primeiros sete dias pós-alta são cruciais para o desfecho da recuperação funcional do indivíduo acometido com Covid. É importante que o paciente inicie o atendimento fisioterapêutico tão logo após a alta.

Ainda não há estudos conclusivos sobre a extensão das sequelas e o tempo de recuperação, pois cada paciente responde as terapias de uma maneira diferente, além do que, há o impacto do grau de gravidade da doença no período em que ficou internado, interferindo no tempo de recuperação. Considerando alterações respiratórias, perda de massa muscular e diminuição da mobilidade devido a restrição ao leito no período de internação, o trabalho de reabilitação pode durar no mínimo de seis semanas a seis meses, entretanto, é o profissional fisioterapeuta que irá avaliar quando irá ocorrer a alta da fisioterapia de acordo com a evolução do paciente.

O fisioterapeuta irá traçar o plano de reabilitação de acordo com as necessidades do paciente, após avaliação. Ao longo do tempo, o paciente vai recuperando sua independência funcional, apresentando melhora na saúde física e mental, melhorando a qualidade de vida.

*Sabrina Correia de Oliveira é pós-graduada em fisioterapia, em terapia intensiva

 

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