PONTO DE VISTA: Vamos dar mais uma volta

Por Adary Oliveira


Tribuna da Bahia, Salvador
29/12/2020 22:31

   

A Terra começa nesta semana a dar mais uma volta em torno do Sol a uma velocidade média de 109 mil km/h e nós todos vamos juntos. Parece que estamos parados, presos à sua superfície, e quase não se percebe que além desse percurso do seu movimento de translação, percorremos mais 40 mil km/dia no movimento de rotação. Em muitas coisas daqui da Bahia parecemos estar mais parados, ou atrasados, do que em outros lugares. O engenheiro Otávio Mangabeira, famoso fraseologo que governou a Bahia de 1947 a 1951, que construiu a estrada ligando o Farol da Barra ao Farol de Itapoan e que já foi nome de estádio de futebol, falava mais ou menos assim: “Quando o mundo se acabar, aqui na Bahia só se vai saber no dia seguinte”.

Para dar título a este artigo estou pegando uma carona na música do cancioneiro popular “ciranda cirandinha” quando diz “Ciranda, cirandinha; Vamos todos cirandar; Vamos dar a meia volta; Volta e meia vamos dar [...]”. Estamos a enterrar com o ano que está acabando, muitas promessas que nos foram feitas e que não se realizaram e, seguindo o pensamento de Mangabeira, iniciamos 2020 com muitas festas e alegrias quando mundo já estava enfrentando uma pandemia das mais violentas que se tem conhecimento.

Embora as vacinas estejam chegando aqui com atraso, ficamos esperançosos que elas cheguem assim mesmo, e teremos a vantagem de sabermos se elas deram certo em outros lugares, por terem sido aplicadas antes. Como parece que vão chegar várias ao mesmo tempo, dá até para se escolher em que fila vamos entrar. Embora não se tenha certeza da sua eficácia diante das mutações do vírus, se quem já o teve está imune, ou se deveremos repetir a vacina todos os anos, como aquelas contra a gripe, mesmo não sendo obrigatória, é bom tomá-la.

De resto, continuamos na expectativa que se realizem novos investimentos para aumento da produção de bens e serviços capazes de gerar riqueza e, sobretudo, novos empregos, e que se encontre um caminho para eliminação da pobreza e das desigualdades sociais. Nesse sentido, as três principais notícias neste final de ano, e que reforçaram nossas esperanças de dias melhores, pelo seu significado estruturante, abrangência e possibilidade de geração de benefícios sociais, cito as seguintes: a transferência da exploração dos campos de petróleo da Bacia do Recôncavo, feita pela Petrobras, para a inciativa privada; a cessão do Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Aratu-Candeias pelo Ministério de Infraestrutura para empresa não estatal, com  a obrigação de fazer novos investimentos; e a realização de leilão, em 08 de abril, do trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) entre Ilhéus e Caetité, por 35 anos.

As três medidas, que deverão duplicar a produção de petróleo e gás natural na região, descongestionar a movimentação de líquidos do parque industrial e de ser mais um passo na definição de importante vetor de crescimento no sul do Estado, nos fazem acreditar que 2021 será um ano melhor do que o que estamos sepultando com sua coronavírus e tudo. Esses feitos trarão benefícios duradouros e trazem consigo a vantagem de atrair novos negócios e ações desenvolvimentistas.

Vamos todos trabalhar para que tudo aconteça como desejamos para que se anule os ditos de mal presságio de Mangabeira e que não fiquemos a entoar cantigas de roda, e que a nova volta descortine trabalho, boas práticas e cooperação entre todos. 


Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – adary347@gmail.com 

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