Por que tantas mortes e tão poucas vacinas?

Por Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
22/02/2021 22:31

   

Até o final da semana estaremos contabilizando 250 mil mortes no Brasil, um número que mais do que chocar nos obriga a uma reflexão séria: por que tantas mortes e tão poucas vacinas a ajudar a salvar vidas? Por que tamanho descaso com a vida humana?

Não se trata aqui de buscar um viés político para justificar a maior tragédia da história do Brasil, mas de sacudir nossas autoridades federais para o tempo perdido e o que isso representou infelicitando tantos lares, deixando tantas famílias sem um pilar, a buscar nas lágrimas um consolo que um dia se esvai.

O Brasil errou no começo, errou no meio, mas ainda pode se salvar no fim. O Congresso Nacional, agora sob novo comando, está mais do que nunca pronto a ajudar, quer seja intermediando o que deveria ser uma tarefa meramente burocrática do Ministério da Saúde, quer seja aprovando recursos extras para a compras das benditas vacinas.

Mas o que falta para essa verdadeira operação de guerra para salvar vidas?

Chega de manobras urdidas nos porões onde se faz de tudo, menos trabalhar para salvar brasileiros, condenados cruelmente a um fim tão precoce pela falta de um remédio que lhes dê uma chance ao menos no embate contra esse maldito vírus.

Sem vacinas e iniciativa, com uma Anvisa "anestesiada", ante a falta de uma palavra que melhor traduza sua inoperância, estamos a assistir um espetáculo dantesco de descaso com o semelhante e o pior, aplaudido por um seleto grupo que parece ter parte com alguma entidade que lhes garanta uma imunidade satânica.

Enquanto a vacina não chega, não para 2 ou 3 milhões de brasileiros, mas para 200 milhões, que o Ministério da Saúde e toda a máquina federal se mobilize, abrindo portas e criando canais que venham garantir a vinda das vacinas. Que nosso Ministério das Relações Exteriores arregace as mangas e entre nessa luta, deixando as querelas políticas ou ideológicas de lado.

Basta! Basta de firulas e  manobras que apenas parecem criadas para desviar a atenção do país para a gravidade da situação. Não é hora de falarmos em armas de fogo, armas para matar e sim, de armas para salvar. Seringa e vacina. Não é hora de robocops tupiniquins surgirem do nada para medir forças com um STF que pode ter mil defeitos, mas que não comporta ser confrontado ou a nossa constituição ferida, quando temos um inimigo maior pela frente hoje que é o coronavírus. Até porque a plateia que se delicia e aplaude atitudes tais, como louvar o AI-5 é a mesma de outras fanfarrices.

Há e haverá tempo adiante, e eu espero que em futuro breve, para revermos critérios de indicação de nossos ministros da corte maior, para estabelecermos novos limites para suas atuações e, em especial, suas decisões monocráticas, que se choquem com direitos outros constituídos pelos cidadãos brasileiros, detentores ou não de mandato parlamentar. Se o objetivo foi fazer espuma ou espalhar uma nuvem de fumaça para encobrir o que está por trás da inoperância dos que deviam lutar por nossas vidas, foi um erro brutal.

O Brasil precisa, sim, que todos seus filhos, com farda, mandatos, títulos ou apenas um CPF, se unam nessa grande batalha. Combatam o inimigo com a garra que nossos médicos, enfermeiros e todos os que estão na linha de frente têm atuado. Que os que estão de braços cruzados despertem para o grave momento que enfrentamos, atentos a que não há espaço para o ódio, as divergências ou as matizes políticas diversas. 

O Brasil cobra isso dos verdadeiros brasileiros.

Paulo Roberto Sampaio é diretor de Redação da Tribuna e escreve neste espaço às terças-feiras.

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