Declaração de Rui sobre 2020 joga Bellintani aos leões

Raul Monteiro


Tribuna da Bahia, Salvador
26/09/2019 09:22

   

Normalmente reticente com relação à pauta política, o governador Rui Costa (PT) avançou ontem algumas casas ao falar sobre a sucessão municipal de 2020 em Salvador. Talvez incentivado pelo resultado da eleição para a direção do PT na capital baiana, onde o candidato vencedor, Ademário Costa, foi eleito sob a defesa da tese da candidatura própria do partido à sucessão do prefeito ACM Neto (DEM), Rui abriu o leque, ao afirmar não ver problemas em que partidos da base, que não são poucos, decidam lançar seus candidatos ao Palácio Thomé de Souza.

“Ainda é cedo, mas a priori, eu não vejo nenhuma necessidade disso (de candidatura única) e nem acho essa, a priori, a melhor estratégia. Não vejo necessidade e não sei se essa seria a melhor estratégia para conduzirmos o processo eleitoral”, disse o governador em entrevista à imprensa logo após o lançamento do programa “Bahia. Estado Voluntário”, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A declaração, além de se alinhar com o pensamento majoritário do PT em Salvador, expresso pelo PED do último final de semana, é um incentivo a que os demais partidos da base pensem e defendam o mesmo.

Não são poucos, entre eles, aqueles cujos representantes aparecem, ainda que timidamente, nas pesquisas e, baseados em projeções e no desejo de poder, já entabulam conversas com o objetivo de se articular para a disputa sucessória do próximo ano. Entre todos, no entanto, um personagem deve ter se ressentido das declarações do governador. Trata-se do presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, que nega oficialmente a pretensão de concorrer, mas tem se lançado num jogo de consultas e conversas no plano municipal que não aponta em outra direção.

Exatamente por não ter definido até hoje sua base partidária e sentir-se mais fragilizado do que os demais concorrentes do campo do governo, inclusive devido à inexperiência política, Bellintani havia estabelecido com o grupo de figuras poderosas que apoiam a idéia de sua candidatura na seara governista que só sairia candidato, caso reunisse as condições de unificar os partidos da base em torno de seu nome, relação em que o PT deveria figurar de forma exemplar - e até antecipada - exatamente por ser o partido do governador do Estado.

Trata-se de plano no qual, a contar das declarações dadas por Rui Costa ontem, o governador abertamente não acredita. A indicação da falta de apoio para o projeto Bellintani talvez explique o inesperado imbróglio em que o presidente do "Bahêa" se envolveu recentemente, ao tentar jogar o torcedor do clube contra a bem administrada Fonte Nova por conta do preço da cerveja praticado no equipamento, numa reação intempestiva, curiosamente, posterior à assinatura do contrato entre a Arena e o concorrente Esporte Clube Vitória. Será que Bellintani seria capaz de desconsiderar que a Arena é um dos bem sucedidos xodós do governo estadual?


* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras.

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