Roma frente a decisões nada republicanas

Por Victor Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
19/09/2021 21:58

   

O clima do ministro da Cidadania e deputado federal licenciado, João Roma, com seu partido, o Republicanos, não anda bem desde a nota da legenda que soou como uma espécie de “baixa bola” ao pernambucano radicado na Bahia sobre uma pretensa candidatura ao governo do Estado.

No texto, do colega parlamentar Márcio Marinho, a sigla pediu a discussão sobre o pleito para depois das reformas em tramitação no Congresso. Ou seja, uma decisão nada republicana, de cima para baixo e de controle de narrativas e cartadas na mesa. Deixou nas entrelinhas o desconforto evidente dos detentores da legenda com um debate antecipado, mas necessário se, de fato, a disputa estiver no radar.

O ministro, pelas pesquisas apresentadas, até então, possui uma atual fotografia com números consideráveis para quem nunca concorreu ao Executivo, mas somente participou dele no primeiro escalão e nas fotografias como papagaio de pirata atrás do prefeito.

Nas minhas andanças por Brasília nestes dias pude colher no Congresso a versão de que Marinho, atual presidente baiano da legenda e muito próximo a Marcos Pereira (presidente nacional), nem setores ligados à Igreja Universal, estão dispostos de abrir mão dos espaços já acomodados junto à prefeitura de Salvador.

Se levarem à frente o nome de Roma na disputa do Palácio de Ondina, estaria ACM Neto (DEM), em pessoa, imbuído de fazer um tudo para derrubar aquilo construído pela sigla atualmente junto ao seu pupilo no Palácio Thomé de Souza, Bruno Reis (DEM).

Resta a Roma duas alternativas: cair fora e rumar para a mesma sigla que Bolsonaro se filiar - e o PTB está na mira - ou arar o terreno para mostrar que há capacidade de articulação no Estado que mostre uma maior capilaridade eleitoral e de peso na mesa de negociação.

O encontro entre o deputado federal Alex Santana com o presidente Bolsonaro (sem partido) evidencia essa tratativa. Roma em pessoa cuidou da agenda com o congressista baiano, cuja expulsão do PDT já fora anunciada, mas o ingresso em uma nova legenda ainda não está concretizada.

A ideia do ministro de filiar mais um deputado no Republicanos é balizar forças nas esferas da colheita do voto. Mesmo que saia candidato a governador, tentaria manter sua cadeira com sua esposa Roberta. E fidelizar, se tudo ocorrer como planejado, dois votos na bancada.

Por mais que cards apócrifos apontem uma corrida de Roma ao Senado e não ao governo ou até mesmo já comece a circular a informação de uma eventual retirada de Bolsonaro numa eventual reeleição, o que explodiria a sua pretensa candidatura, como bem disse o senador Jaques Wagner (PT), e encontro resistência inicial no partido, o ex-chefe de gabinete de ACM Neto é uma peça do tabuleiro de 2022 que não pode ser subestimada. Queiram ou não.

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal

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