Rui já articula, como candidato ao Senado, campanha de Wagner

Por Raul Monteiro*


Tribuna da Bahia, Salvador
01/12/2021 23:25

   

A possibilidade de concorrer a senador revigorou a disposição do governador Rui Costa (PT) de trabalhar politicamente pela chapa ao governo de seu grupo que deve ser encabeçada pelo senador Jaques Wagner (PT) no ano que vem. Apesar de ter voltado a tratar da disputa ao Senado como uma possibilidade nos últimos dias, Rui, na prática, já vinha cuidando da própria campanha, cumprindo uma agenda de visitas ao interior digna de postulante majoritário, às quais, aliás, quando é possível, tem levado junto o antecessor a fim de também dar-lhe aquela força.

Mas é na articulação política, à qual os aliados acusavam o governador de nunca ter se dedicado, que ele vem surpreendendo, conversando com lideranças partidárias e políticas de Salvador e do interior, muitas vezes indicando aos candidatos a deputado siglas aliadas a que se filiar e buscando atrair legendas que possam robustecer o plano de eleger Wagner governador de novo, tudo em absoluta consonância com os planos eleitorais do ex-presidente Lula, para quem a eleição da chapa petista na Bahia, incluindo sua eventual vitória ao Senado, passou a ser vista como uma prioridade.

Para viabilizar o arranjo, que promove uma pequena alteração na composição bem-sucedida que Wagner e Rui fizeram nas últimas eleições com o PP e o PSD, as principais lideranças dos dois partidos na Bahia serão convidadas a trocar de posições com vistas a assegurar a vitória sobre o principal adversário, o democrata ACM Neto, que lança hoje sua pré-candidatura ao governo, no Centro de Convenções. Uma das ideias em discussão, por exemplo, é entregar a vaga de vice ao filho do senador Otto Alencar, o deputado federal Otto Filho, reservando ao pai papel de destaque no futuro governo.

O plano incluiria a entrega do administração estadual por um período de seis a nove meses ao hoje vice João Leão, por meio da renúncia do governador, o que agrada não apenas ao progressista como às bancadas estadual e federal do PP. São investidas, especialmente na direção do PP, que passam pela tentativa de neutralização dos movimentos nacionais que alguns partidos da base começam a fazer, principalmente em decorrência do preparo para a reeleição deflagrado pelo presidente Jair Bolsonaro, que se filiou ao PL e trabalha com a ideia de ter um vice progressista.

Em relação a outras legendas, como o MDB, as conversas em curso indicam que o partido deve desembarcar do governo municipal para juntar-se à campanha de Wagner, para o que vem discutindo apenas o momento e a maneira mais adequada de se incorporar ao projeto. Como a sorte normalmente corre na direção de quem está podendo, no Podemos, que está na base de Rui mas lançou o ex-juiz Sérgio Moro à Presidência, a situação deve se resolver facilmente porque, determinado a apoiar a candidatura de Wagner, o deputado Bacelar, que o controla no Estado, não descartaria trocar de partido.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às quintas-feiras.

 

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