Via Bolsonaro: Moto circo, tanques à vista e Auxilio Brasi

Por Vitor Hugo Soares*


Tribuna da Bahia, Salvador
13/08/2021 21:48

   

Com arcaicos e fumacentos tanques de guerra, da Marinha, desfilando em Brasília, dia 10 de agosto, foi derrotada e arquivada, na Câmara, a proposta de emenda constitucional (PEC), da tentativa de retorno, nas eleições que se aproximam, ao “voto impresso” de vergonhosa memória, em disputas eleitorais com digitais históricas de corrupção e fraudes escabrosas, em passado recente. Com estas e outras manobras – mal ou bem sucedidas – o governo Bolsonaro e sua tropa de choque de apoio (o  Centrão de Ciro Nogueira à frente) delineia a estratégia da campanha do atual ocupante do Palácio da Alvorada, para continuar por lá mais quatro anos, depois de 2022. Esquema montado sobre três pilares pr incipais de sustentação: o circo das motociatas, em substituição aos proibidos showmícios, para animar palanques no País; a imposição do temor, às oposições, através da ostensiva exibição de tanques, baionetas caladas e coturnos militares em desfile nas ruas, e a promessa de pão amanteigado nas casas de eleitores de bolsões mais carentes, com alguns trocados a mais e mudança do nome do Bolsa Família (marca da esquerda petista) para Auxilio Brasil (ao jeito e gosto da direita bolsonarista).

Maquiavelismo misturado com malandragem da grossa é pouco, mesmo que primários e patético nos dois casos. À  exemplo do teste fracassado, dos veículos de guerra em desfile na “cidade do Arquiteto”, em dia também de depoimento na CPI da Covid 19 – que apura omissões e malfeitos do governo federal no combate à pandemia a caminho das 570 mil vidas ceifadas no país – e da votação, na Câmara, contra as urnas eletrônicas – com 25 anos de eleições limpas e seguras.

Ato estranho (para dizer o mínimo), promovido a pretexto de entregar um convite ao atual ocupante do Palácio do Planalto, para as manobras militares em treinamento dos Fuzileiros Navais na região de Formosa (GO), a 80 km da capital federal, que acontecem periodicamente, mas, desta vez, utilizado com o fito político mambembe de amedrontar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Olhando bem, a ostensiva “demonstração de força” não passou de mais um triste e grotesco espetáculo de truculência do governo do capitão, do tipo que se costuma ver em repúblicas bananeiras da América Central e Caribe &n dash; também na Venezuela sob o mando de Maduro e seus selvagens grupos milicianos de sustentação, como alertou o ministro do STF, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, em entrevista ao programa Manhattan Connection, na TV Cultura.

Registre-se, a bem dos fatos: os três comandos militares participaram, mas a bravata governista deixou evidente um alinhamento mais próximo do comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, com Bolsonaro e seu modus operandi autoritário e de choque. Desde o começo do ano, o presidente cobra “provas de fidelidade”, dos chefes de tropas, aos atos políticos do governo. Mas o capitão quer bem mais que simples condescendência aos seus desvarios. Direto em sua reação foi o vice, Hamilton Mourão, que decidiu, claramente, se distanciar do vexame de terça–feira no DF.

Falta testar agora o terceiro pilar da estratégia do “mito” para 2022: transformar o Bolsa Família (fonte de votos nos governos petistas) em Auxílio Brasil (que vira braço de apoio eleitoral bolsonarista) nas presidenciais do ano que vem. Ô, Brasil! Mas isso é outra história, e fica para depois.

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br


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