Você já vive 2022 e ainda nem se deu conta…

Por Victor Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
17/10/2021 21:49

   

A campanha já está na rua. Por mais que ela não seja através do pedido do voto direto, pois a lei eleitoral impede esse artifício, as andanças, os discursos, as cobranças, tudo já gira em torno da disputa do ano que vem. Muitos políticos criticam a antecipação exacerbada do escrutínio e apontam por base o discurso de Bolsonaro a nível nacional, mas o 2022 já começou na Bahia. O tom beligerante agora adotado por ACM Neto (DEM), Jaques Wagner (PT) e afins demonstra isso. 

Wagner e Neto sempre tiveram uma postura amistosa quando estavam no poder. O primeiro nos seus últimos anos à frente do Palácio de Ondina, o segundo nos seus primeiros anos à frente do Palácio Thomé de Souza. Lembro de discussões miúdas, como liberação de verba do carnaval ou da atuação da Embasa nos buracos de vias da capital. 

Agora o debate segue denso. Os dois principais temas atacados por Neto e rebatidos por Wagner - que tenta transformar seu adversário em algoz -, são educação e segurança pública. O ex-prefeito de Salvador tem se agarrado e buscado surfar no noticiário policial. Chegando aí, na minha opinião, no calcanhar de Aquiles dos anos de gestão do PT. JW busca desconstruir a imagem do novo de ACM Neto, pois ele seria uma extensão daquilo que o próprio petista derrotou há quase 16 anos. 

A troca de farpas está ainda mais intensa. O ânimo remonta 2006 e 2014. As disputas de 2010 e 2018, principalmente essa última, foram um passeio político. Não conta como acirramento. Na reeleição, Rui não teve um adversário extremamente competitivo, pois Zé Ronaldo (DEM) foi o coelho tirado da cartola nos 45 do segundo tempo, indo para uma corrida impossível em nome do grupo que precisava de representante, já que o esperado - ACM Neto - desistiu à época e topa a parada no atual cenário. 

A briga agora é grande. São dos dois principais polos. Não será um conflito de criaturas, mas de criadores. Formadores de grupo e articuladores hábeis da política. A tensão já transmitida por conversas de bastidores, no avançar de bases, na construção de bloco de lideranças ou até mesmo em determinadas cobranças e assédios jornalísticos da cobertura política, mostram que o ano eleitoral já começou e muita gente ainda não se deu conta.

Os polos têm se fechado e uma eventual terceira via derrapa com as incertezas do rumo partidário de Bolsonaro. João Roma, ministro da Cidadania, avançou nas críticas e nos apadrinhamentos de obras, foi pra cima de Wagner em seus discursos, mas não fez nenhuma crítica contundente contra seu ex-aliado ACM Neto. Agora arrefeceu a pré-campanha, o que tem dado margem para uma forte polarização mais uma vez. 

Como cidadão e como jornalista acho salutar o acirramento. De um lado pela busca daquele que tenta convencer o eleitor por querer fazer mais e do outro para ter uma cobertura animada e sem o clima do já ganhou que pode levar - e a história nos mostra que já levou - os tidos eleitos a deixarem a caneta cair na hora do resultado da eleição e creio que esse clima não está em curso em nenhuma das esferas postas. E, de agora em diante, a tendência é ouvir cada vez mais os nomes de ACM Neto e Jaques Wagner. 

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador.

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