Onda de Verão: por que todos querem debater com Moro?

Por Vitor Hugo Soares*


Tribuna da Bahia, Salvador
21/01/2022 22:12

   

De repente, e com a agressiva velocidade de propagação da nova onda da pandemia Covid 19 (a cepa Omicron), pelo Brasil e pelo mundo, explodem os modismos da temporada do Verão 2022 e também os primeiros grandes solavancos da campanha presidencial no país: a febre de desafios (alguns bem desaforados e politicamente deseducados) ao debate precoce e imediato com o ex-juiz referencial da Lava Jato, Sérgio Moro (Podemos), que parece ter acometido não só aos dois nomes melhores colocados nas pesquisas de intenção de votos até aqui – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual ocupante do poder, Jair Bolsonaro (PL) – mas, principalmente, o candidato do PDT,  Ciro Gomes, que suplica um confronto com o ex-magistrado, como um afogado em busca de tábua de salva&ccedi l;ão. E não para por aí este estranho objeto de desejo da hora à espera de explicações.

O fato do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública ser um estreante em campanha eleitoral, provavelmente, origina a convicção, entre seus principais adversários, de que o candidato do Podemos é uma "mangaba" para qualquer um deles em um debate público. Por desespero, –no caso de Ciro; por bravata, no caso de Bolsonaro; ou por desejo incontido de vingança (ou lance puramente estratégico?), no caso de Lula, – fazem de Moro o alvo preferencial de um debate para o qual e todos os desafiam.

Na quinta-feira, 13, depois de mandar dura resposta ao candidato do PDT, através das ondas da Rádio Metrópole, durante entrevista a Mário Kertész – ex-prefeito e âncora de programa de grande audiência em Salvador – , foi a vez do ex-magistrado responder ao petista, líder das pesquisas até aqui, depois de ser provocado por integrantes do grupo de advogados Alternativa, igualmente interessado em debater com o ex-ministro “sobre a reforma do Judiciário”. Moro retrucou o convite com um desafio direto a Lula, para um confronto. Quanto ao “Alternativa”, grupo de advogados que se auto intitulam "coletivo de profissionais do Direito progressistas e antilavajatistas", o candidato do Podemos preferiu desconsiderar, com ironia: "Desculpem, mas este é um clube do qual não quero participar. Mas debato com o chefe de vocês, o Lula, a qualquer hora, sobre mensalão e o petrolão".

Já o ocupante do Palácio do Planalto – que em toda a sua campanha na eleição passada só participou de dois debates, alegando os efeitos da facada que sofreu em Juiz de Fora para não debater com mais ninguém – também provoca seu ex-ministro da Justiça para um confronto e o faz ao seu estilo bravateiro. “Moro não aguenta dois rounds de debate comigo”.
A conferir na hora oportuna, que ainda terá de esperar um tempo, até porque, depois de testar positivo para Covid 19, o candidato do Podemos anunciou que vai cumprir rigorosamente os protocolos sanitários de recolhimento, e cancelou alguns compromissos programados da sua agenda. Mas já adiantou que tem preparo intelectual e não teme debater com ninguém. “Ninguém tem medo de Bolsonaro e Lula, muito menos eu”, disse o simbólico ex-juiz da Lava Jato em entrevista ao jornalista Felipe Moura Brasil, da UOL esta semana. Disse mais: “acredito na ciência, estou vacinado com a minha família, meu teste mais recente deu negativo e vou retomar meu giro pelo país na semana que vem”. Precisa desenhar?

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h.@uol.com.br

 

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