Varejo foi o que mais fechou empresas

Comércio varejista abriu novos estabelecimentos, mas fechou 6.389


Tribuna da Bahia, Salvador
12/09/2018 12:02 | Atualizado há 8 dias, 13 horas e 9 minutos

   
Foto: Divulgação

Por Adilson Fonsêca

A Pesquisa que mede o índice de Intenção de Consumo das Famílias, feita pela Confederação Nacional do Comércio em parceria com a Federação do Comércio e Serviços do Estado da Bahia (Fecomércio), revelou que houve um crescimento de 2,5% nas intenções de consumo na Bahia, no mês passado. Contudo, os números, mesmo positivos, não refletiram na geração de empregos e aberturas de novas lojas no comércio varejista. Em oito meses foram  6.389 estabelecimentos fechados no Estado.

No balanço divulgado pela Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB), de janeiro a agosto deste ano a atividade do comércio varejista foi a única que apresentou um saldo negativo entre a constituição de novas empresas e a extinção delas. Nas demais 13 atividades relacionadas, o saldo foi positivo. O comércio varejista abriu 5.865 novos estabelecimentos este ano, em todo o estado. Mas em compensação, fechou outros 6.389, gerando num saldo negativo de 524 empresas.

Essa situação se reflete nos num Eros das vendas, conforme explicou o presidente do Sindicato dos Lojistas na Bahia, Paulo Mota, para o qual o atual cenário político e econômico no país inibe qualquer atividade que implique em novos investimentos. “Não vislumbramos quaisquer melhorias no atual cenário antes do período imediato após as eleições”, disse. Para o empresário, não tem havido contratação de mão-de-obra e crescimento nas vendas, nos últimos meses.

Paulo Mota destaca ainda o crescimento de atividades do ecommerce, que são as vendas online, com o uso da internet, e o crescimento do comércio informal, para que lojas tradicionais fechem as portas ou reduzam suas atividades. “Basta ver a profusão de comércio de rua com os mais diversos itens. Se por um lado ocupa uma população sem o emprego formal, por outro lado, não gera renda para a economia, pois não há recolhimento de impostos, e, por conseqüência, de mais investimentos”, disse.

Positivo

O saldo global das 14 atividades econômicas relacionadas pela JUCEB revelou que  na Bahia foram abertas 17.087 empresas entre janeiro e agosto deste ano. Na contrapartida, 13.530 foram fechadas, o que gerou um saldo positivo de 3.557 novos estabelecimentos. O comércio varejista, contudo, foi o setor que destoou desse quadro positivo, pois abriu 5.865 e fechou 6.389 estabelecimentos.

O saldo positivo na geração de novas empresas foi puxado, principalmente, pelo setor de Prestação de Serviços, que no período criou 7.324 novos empreendimentos, e fechou 4.798, com um saldo positivo de 1.526. Em igual período do ano passado, a Bahia tinha gerado 17.330 novos empreendimentos, e fechados 13.530. O estado fechou o ano com 25.587 novas empresas e 18.344 canceladas.

A recuperação das atividades econômicas, vem ocorrendo nos três últimos meses, passando de 2.005 novas empresas em junho, para 2.236 em julho e 2.525 em agosto. Já o número de empreendimentos fechados  também aumentou nos últimos três meses, e passou de 1.557 em junho, para 1.800 em julho e 2.114 em agosto.

Fecomércio

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Confederação Nacional do Comércio e Fecomércio-BA, apresentou um crescimento de 2,5% em agosto, com uma elevação de 14% em relação ao mesmo período no ano anterior. O economista e consultor da Fecomércio, Fábio Pina, explicou que “dos sete itens analisados, seis ficaram no positivo em agosto”, o que na sua avaliação, “ são essenciais para o aumento do nível de consumo e melhora da economia baiana”, explicou.

A mesma pesquisa revelou também que a confiança do empresário baiano cresceu 2,4%, atingindo 101,7 pontos em agosto, enquanto que a média nacional de confiança do empresário brasileiro apresentou um recuo de 2,5%, fechando agosto com 103,7 pontos. Fábio Pina ressaltou, porém, que apesar de avançar  lentamente, o nível de  confiança vem se mantendo na zona positiva. “Pontos positivos, como a expectativa para o setor do comércio, que alcançou a aprovação por 39% dos empresários baianos, mostram que aos poucos o comércio do Estado sai da crise”, concluiu.

Na contramão dos números

O segmento de Prestação de Serviços representou, de janeiro a agosto deste ano, conforme os números da JUCEB, 42,86% do número de novos empreendimentos do Estado. Junto com o comércio varejista (34,32%), equivaleram a 77,18% dos empreendimentos criados nesse período.


Atividades Criadas Extintas

Agropecuária 156 41

Extração vegetal 22 12

Pesca/aqüicultura 07 06

Ind. Extrativa 88 41

Ind. Transformação 636 560

Const. C ivil 662 415

Com. Varejista 5.865 6.389

Com. Atacadista 899 465

Transporte 675 402

Inv. Financeiro 238 125

Comunicação 133 38

Serviços 7.324 4.798

Educação 376 222

Outros 06 16


Fonte: JUCEB-BA


Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas