“Espero que 100% do PSB venha nos apoiar”

Coronel afirmou que os adversários têm “inveja e ciúmes” por não ter Lula, Jaques Wagner e Rui Costa, todos do PT, e Otto Alencar apoiando a candidatura


Tribuna da Bahia, Salvador
24/09/2018 08:04 | Atualizado há 15 dias, 17 horas e 31 minutos

   

Por Osvaldo Lyra

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e candidato ao Senado, Angelo Coronel, disse que “não tenho a menor dúvida” de que, se José Ronaldo (DEM) perder a disputa ao governo da Bahia, cairá no colo do prefeito de Salvador, ACM Neto. “É como eu disse: se José Ronaldo ganhasse a eleição, o grande mérito seria de Neto. Como também a grande derrota será de Neto, não tenho a menor dúvida”, afirmou, em entrevista à Tribuna. Coronel afirmou que os adversários têm “inveja e ciúmes” por não ter Lula, Jaques Wagner e Rui Costa, todos do PT, e Otto Alencar apoiando a candidatura. “Não tem esse quarteto para apoiá-los e, infelizmente, eu não posso emprestá-los”, cutucou.  

Tribuna – Como o senhor avalia a fase atual da campanha?

Angelo Coronel – Essa campanha, para mim, está sendo atípica. No início, quando nosso nome foi lançado ainda não tinha conhecimento do grande estado que é a Bahia, mas conseguimos que o nosso nome fosse conhecido paulatinamente. E não vou dizer [que foi] azar, mas esses dez dias de férias forçadas, em virtude da cirurgia, fizeram com que eu tivesse um momento de reflexão ao ver a carência que tem essa Bahia. E, coincidentemente, eu acho que me tornei até mais conhecido sem esperar, porque até a mídia deu várias notícias a respeito da nossa cirurgia. Dizem que são em momentos de crise que você consegue ultrapassar até algumas barreiras e essa crise na área de saúde fez com que a gente ultrapassasse algumas barreiras. Eu fiquei feliz com a última pesquisa aferida, na qual a gente já pontua bem, e que é fruto de um trabalho ao longo desses sessenta dias viajando. Já fizemos mais de 150 municípios, junto com o governador Rui Costa, e a gente foi evoluindo. E sobre o momento da campanha eu estou achando bem favorável, apesar de que a pesquisa, como dizem, ser um retrato do momento. Mas, com toda humildade e cabeça fria, vou conduzir a campanha até o dia 7 [de outubro] com tranquilidade e, se Deus achar que Angelo Coronel deve ser o senador, estou aqui pronto para absorver os desígnios de Cristo. 

Tribuna – Como o senhor avalia o favoritismo do governador Rui Costa?

Coronel – Olha, eu digo o seguinte: Rui é um homem de sorte. De sorte porque ele recebeu oito anos do governo Wagner, um governo bem avaliado que fez transformações marcantes na Bahia, e Rui Costa entrou e conseguiu, na metade do tempo que Wagner teve, mostrar a sua marca. A marca do trabalho, da gestão dura, de não prometer o que não pode fazer. Isso levou Rui Costa a esses números que, para alguns, são assustadores. Para mim, não são porque, para a gente que anda no interior e até na própria capital, ele conversa com as pessoas e a gente vê que ele é um governador diferenciado por isso. [Se ele diz] “vou fazer a encosta!”, ele vai lá e faz. Quando ele não faz o compromisso, ele também não tem aquela obrigação de fazer. Mas também quando ele faz o compromisso, ele cumpre. Uma grande carência da política brasileira hoje é ter gestores que não queira somente falar o que o eleitor quer ouvir. 

Tribuna – Uma eventual derrota de José Ronaldo será colocada na conta de ACM Neto?

Coronel – Não tenho dúvidas que muitos vão colocar a derrota no colo de ACM Neto, principalmente, porque houve uma frustração no momento em que ele desistiu da candidatura. Eu conheço vários amigos que fazem parte do bloco político de ACM Neto, que estavam em plena campanha para a sua eleição de governador e a partir do momento em que ele frustra, que ele sai, que ele se retira do jogo, criou um desânimo. É como eu disse: se José Ronaldo ganhasse a eleição, o grande mérito seria de Neto. Como também a grande derrota será de Neto, não tenho a menor dúvida.

Tribuna – O que deve ser a prioridade do governo no primeiro dia?

Coronel – Eu acho que a saúde, apesar de ser um dos grandes investimentos feitos na Bahia pelo governador Rui Costa no quesito de construção de hospitais e policlínicas, é ainda o nosso calo. Ainda é o calo nacional. Nós temos o SUS [Sistema Único de Saúde] com uma tabela defasada, onde há muitos anos não se tem um reajuste da tabela dos procedimentos médicos e, consequentemente, ainda faltam médicos em vários municípios da Bahia, porque o médico não quer sair da capital para trabalhar no interior e ganhar pouco. Acho que o grande desafio do próximo ano será fazer com que a gente consiga colocar no Orçamento Geral da União recursos para o SUS, que venha realmente ter uma saúde mais eficaz para a população baiana e brasileira como um todo, porque não é só a Bahia que tem problema de saúde. Ainda temos problemas de [falta] de leite nas UTIs [Unidades de Tratamento Intensivo], de filas nos hospitais. Eu acho que Rui já iniciou essa grande campanha nos seus quatro anos, de construção dessas novas unidades e agora é ampliá-las e conseguir recursos para mantê-las. Esse, para mim, será o grande desafio, porque cuidar de gente é o grande desafio de qualquer governante. A estrada é importante, a energia é importante, a água é importante, mas nada é mais importante que a vida humana.

Tribuna – Adversários dizem que o senhor é pesado por ser desconhecido e que precisa de Lula, Otto Alencar, Jaques Wagner e Rui Costa se unirem para tentar te eleger. O que pensa sobre isto?

Coronel – Eu não vou tirar a razão deles, porque realmente estou pesando 102 kg. Estou pesado [risos]. Agora eu acredito que eles devam estar com inveja e ciúmes porque não tem esse quarteto para apoiá-los e, infelizmente, eu não posso emprestá-los.

Tribuna –Wagner é o favorito, segundo pesquisas. Já o senhor não está no mesmo cenário de conforto que o ex-governador. Quais estratégias estão sendo usadas para garantir a vitória do senhor?

Coronel – A campanha é evolutiva em virtude de eu ser o menos conhecido. Eu não sou cantor e, inclusive, canto muito mal. Também não fui governador, não fui candidato a governador, não fui ministro… Todos os principais candidatos tiveram uma exposição na mídia no passado e Angelo Coronel foi o que menos teve. Então, não tem por que eu estar no mesmo patamar de conhecimento deles. Mas estamos trabalhando para que quando chegue no dia 7 de outubro, o nosso nome esteja conhecido pela grande massa da população baiana e aí ela julgue, dos quatro, os dois que deverão representar a Bahia no Senado. 

Tribuna – Quais as principais propostas que o senhor pretende levar ou se debruçar, caso seja eleito?

Coronel – Nós temos que fazer essa reforma tributária. Não tem cabimento, hoje, você fabricar um produto na fábrica e quando vender para o distribuidor ter os impostos. Quando o distribuidor vende para um mercado, tem os impostos. Quando o mercado vende para o consumidor final, tem os impostos. Ou seja, é um imposto em cascata e isso não existe. Em vários países do mundo, não existe esse imposto em cascata. Esse imposto crescente. Então, nós temos que nos debruçar no Congresso Nacional para fazer a reforma tributária para que tenhamos no Brasil um imposto único, taxado na fonte com o valor agregado, com o lucro agregado na fonte, e consequentemente, não vir a penalizar a população brasileira, porque, na verdade, a gente bebe imposto, a gente come imposto, a gente veste imposto. Fora disso, nós temos a questão da insegurança. As pessoas falam muito que temos o problema da segurança e eu já sou o inverso. É a questão da insegurança.  Hoje, tudo depende de você conter a entrada de drogas no nosso país. Não somos produtores de drogas sintéticas. Não somos produtores de cocaína. Não somos produtores de crack. Tudo vem importado. Precisamos fazer com que o Ministério da Defesa amplie esse contingente [de policiais e integrantes do Exército] e que vá para as fronteiras para coibir a entrada de armas ilegais e das drogas, porque nós temos que atacar a causa e não o efeito. 


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