Pesquisadores avaliam papel do Whatsapp nas eleições

Pesquisadores debateram ontem na Ufba o impacto do Whatsapp e dos conteúdos virais nas eleições 2018


Tribuna da Bahia, Salvador
13/11/2018 10:06 | Atualizado há 24 dias, 13 horas e 59 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Rodrigo Daniel Silva

O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Viktor Chagas, disse, ontem, que as eleições deste ano não tiveram uma presença forte dos “memes”, como se esperava. Os memes são utilizados para caracterizar uma ideia ou conceito que se difunde por meio da internet. Pode ser uma frase, link, vídeo, site, imagem que se espalham nas redes sociais. “Nessas eleições, no fundo, a gente não teve um ambiente absolutamente propício para memes. Essas eleições não foram as eleições do memes, mas sim as eleições dos virais. O que a gente observou é que tinha um conjunto de conteúdos que circulavam de forma unívoca e individual”, avaliou, durante o evento “O papel do Whatsapp nas eleições 2018”, promovido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, que aconteceu na manhã de ontem na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Um dos motivos apontado pelo pesquisador para baixa quantidade de memes foi a ausência de debates eleitorais. No pleito deste ano, pela primeira vez, não houve debate do segundo turno, já que Jair Bolsonaro (PSL) não quis participar com o argumento de que recuperava da saúde após sofrer um atentado com faca em Minas Gerais.

Chagas ressaltou, ainda, que boa parte dos conteúdos compartilhados era fake news. Neste sentido, o pesquisador e doutorando pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) João Guilherme Santos salientou que o Whatsapp “virou o paraíso das noticias falsas”. “Por quê? Porque junta o anonimato da fonte original e consegue viabilizar a viralização”, pontuou. O estudioso destacou que o uso do aplicativo pela campanha de Bolsonaro para difundir as ideias do então convidado foi novidade, mas não houve inovação no conteúdo.

Segundo ele, o capitão reformado já divulgava nas redes sociais, sobretudo o Facebook, conteúdos “anti-comunista, antipetista e um pouco de populismo penal”. Após se aproximar do pastor Everaldo, da Assembleia de Deus, também passou a divulgar pautas “conservadoras religiosas”. “Ele era um fenômeno grande no Rio muito antes de ser um fenômeno nacional", pontuou. Viktor Chagas destacou alguns detalhes sobre o uso das redes sociais por Bolsonaro. De acordo com o pesquisador, o agora presidente eleito tinha uma “participação mais intensa” no Twitter. Embora ele tenha mais seguidores do que os filhos, como o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) e o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL), o pai fez menos publicações do que os descendentes. Apesar disto, tem mais interação dos seguidores.

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