Neto elogia escolhas de Bolsonaro e anuncia mudanças na prefeitura

O prefeito de Salvador disse que o principal desafio de Jair Bolsonaro será conseguir costurar uma articulação política que viabilize maioria na Câmara


Tribuna da Bahia, Salvador
28/11/2018 10:10 | Atualizado há 11 dias, 21 horas e 37 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Henrique Brinco

O prefeito ACM Neto (DEM) concedeu ontem uma longa entrevista para a Rádio Metrópole FM, onde falou sobre as perspectivas do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e mudanças no Executivo municipal soteropolitano. Logo no início da entrevista, o gestor defendeu o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). "As conversas que tive com ele após a eleição foram positivas. Inclusive, tivemos uma reunião formal e ele mostrou estar com a cabeça muito organizada, consciente do tamanho do problema e disposto a conversar", iniciou, destacando os desafios que a próxima gestão federal terá de enfrentar. "O grande desafio para o presidente eleito é conseguir costurar uma articulação política que viabilize maioria, que dê condições para garantir a maioria na Câmara, sem manter aquelas mesmas e velhas práticas da política que o cidadão não aceita mais. Felizmente, a composição até agora está fugindo da política do 'toma lá, da cá'. Ele vai ter um grande desafio, é impossível o Executivo caminhar sem o Legislativo", avaliou.

O democrata refutou o clima de radicalismo que se instalou após a eleição do novo líder do Palácio do Planalto. "Começou uma cobrança de que eu não permitisse que Daniela Mercury, um dos principais ícones da nossa música, tocasse no Réveillon. Tradicionalmente, antes mesmo da prefeitura fazer o Réveillon, ela já tocava no dia 1º. De jeito nenhum vou permitir isso". Entre outras coisas, ele se manifestou contra o projeto "Escola Sem Partido", que visa censurar o ensino ideológico nas escolas. "Sou contra a discussão da Escola Sem Partido. Sou contra esse projeto. Sabemos que o professor, que é quem dá aula, é um ser humano. Ele tem as opiniões dele. Alguns falam que os professores estão militando em sala de aula. São exceções que devem ser tratadas como exceções. Mas censurar é completamente descabido. [...]  Eu, como presidente, jamais iria querer ver a prova do ENEM, isso não existe".

Ele também se disse contra indicações ideológicas para tocar as Relações Exteriores. "Não gosto de prejulgar ninguém, mas existem coisas que não podemos aceitar. Acho até louvável que o presidente eleito queira retirar o viés ideológico das escolas que o PT colocou. Mas não pode ir para os extremos. Não se pode imprimir uma ideologia de direita no Ministério das Relações Exteriores. O Brasil precisa ampliar sua balança comercial. A China hoje é essencial para as commodities do Brasil". Sobre o cenário político local, Neto anunciou que  deve mudar quatro ou cinco nomes do primeiro escalão da prefeitura de Salvador até o próximo dia 15 de dezembro. "Já queremos começar o ano com time novo, já escalado. A espinha dorsal irá permanecer. Normalmente, a cada dois anos, procuro renovar alguns setores, trazer gente nova e ideias novas. Se tem uma coisa que não me falta é disposição e tesão para fazer o melhor trabalho".

Sobre a eleição na Assembleia Legislativa da Bahia, o gestor alfinetou o governador Rui Costa (PT). "Mesmo sem ele querer, a oposição está interferindo. Tem coisas que o governador não conduz com a rapidez necessária. Temos 19 deputados [que votam em Nelson Leal], que têm o mesmo voto do governo, é uma coisa meio ditatorial, meio imperador. Ele precisa entender que as sandálias da humildade têm que ser calçadas".

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