Alice Portugal diz que máscara de Damares ‘caiu’

A deputada federal se disse estarrecida com os comentários da ministra sobre submissão da mulher ao homem


Tribuna da Bahia, Salvador
18/04/2019 07:19 | Atualizado há 2 dias, 18 horas e 52 minutos

   

Por Henrique Brinco

A ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, causou polêmica ao afirmar nesta semana que dentro da sua “concepção cristã” a mulher deve ser submissa ao homem no casamento. Damares deu a declaração durante audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Câmara. 

O auge da sessão, no entanto, se deu quando ela foi questionada pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) sobre se a mulher deveria ser submissa ao homem. "Dentro da doutrina cristã, sim. Dentro da doutrina cristã, lá dentro da igreja, nós entendemos que um casamento entre homem e mulher, o homem é o líder do casamento. Então essa é uma percepção lá dentro da minha igreja, dentro da minha fé", declarou Damares.

Procurada pela Tribuna, Alice se disse estarrecida com os comentários da ministra. "A ministra Damares não respondeu às perguntas que fiz. Ela não quer falar sobre a morte por aborto ilegal, sobre a deputada que diz ter sofrido ameaça de morte do ministro do Turismo... Então ela nega solenemente perguntas dos parlamentares. Como ela é ministra da Mulher, eu me senti na obrigação de perguntar sobre a opressão que se abate pela mulher", afirmou. Indagada se acredita na queda da ministra, a comunista, no entanto, acredita que não. "Acho difícil, porque ela é uma das ungidas do presidente da República para fazer esse falso debate para dividir as mulheres, as famílias e tirar o foco do principal, que são os direitos que estão caindo. Infelizmente, ela faz parte desse jogo de maniqueísmo. Mas acho que ontem [na comissão] caiu a máscara".

Confusão na CCJ

A deputada federal também marcou presença na reunião Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, na manhã de ontem. A baiana, ao lado de outras parlamentares de esquerda - a exemplo de Maria do Rosário (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Gleisi Hoffmann (PT) - tentaram obstruir a sessão que pretende votar a admissibilidade do projeto de Reforma da Previdência do governo Bolsonaro. 

"Estamos aqui na linha de frente. O clima está péssimo. Nesse momento estou em pé em frente à mesa. O relator abandonou os trabalho e eles querem continuar a votação sem a presença do relator. Isso não pode acontecer", afirmou. "Conseguimos obstruir a ponto de evitar a votação de hoje. E os partidos do centrão também não estavam a favor do relatório, que tem muitas inconsistências. Têm matérias que não são previdenciárias no seu teor. Embute absurdos que nada têm a ver com a matéria previdenciária. Então, votamos por rejeitar o projeto, porque realmente fere o a Constituições em várias passagens".

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