“Há grande possibilidade de que nosso nome seja um consenso no grupo”

Bruno Reis diz que é muito cedo para falar em candidatura e que o presidente da Câmara, Geraldo Junior, assim como ele, "tem que conversar com todo mundo"


Tribuna da Bahia, Salvador
13/05/2019 07:04 | Atualizado há 10 dias, 7 horas e 13 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio

Otimista, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), disse, em entrevista exclusiva à Tribuna, que o seu nome pode ser um consenso no grupo para disputar a sucessão do prefeito ACM Neto (DEM) em 2020. “O que eu sinto, por onde tenho andado, diante de uma relação que a gente construiu na nossa vida pública, com todos os integrantes do nosso partido Democratas e de alguns aliados, é que lá na frente, possivelmente no ano que vem, é que há uma grande possibilidade de que nosso nome seja um consenso no grupo para uma disputa na condição de candidato a prefeito de toda a base”, declarou. Bruno Reis disse que há outros políticos na base do prefeito que podem concorrer pelo Palácio Thomé de Souza, mas evitou citar nomes. Sobre o presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior (SD), disse que vê-lo como aliado e não como ameaça para 2020. Para Bruno Reis, a briga para quem será o vice na sua chapa é um sinal de que está no caminho certo. “Ninguém quer ser vice de quem eventualmente não vai ter chance de vencer as eleições. É óbvio que ninguém está em campanha. Ninguém está focado na eleição. O foco é a gestão. O foco é administrar a cidade, que tem problemas e necessidades urgentes”, ressaltou.


Tribuna – A sua ida para a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) foi para se tornar mais conhecido e se aproximar da população. Como vê a pavimentação da sua candidatura para 2020?

Bruno Reis – Ainda é cedo para falar de 2020. O objetivo maior de ter assumido a secretaria foi para, justamente, poder acelerar alguns projetos que estavam em andamento, concluir outros projetos que estavam sendo elaborados, acelerar o início de diversas obras, fazer com que as coisas acontecessem, aumentando o número das entregas. Hoje, Salvador está mais preparada e a nossa expectativa é que em 2019 e 2020 a gente faça um número maior de obras do que já fizemos nos últimos seis anos. E a minha ida para a secretaria foi com esse objetivo. Quando se chega em uma pasta na condição de vice-prefeito e, por ter ficado os últimos dois anos nestas relações institucionais, a gente chega em uma condição melhor por conta de uma relação com a Procuradoria, com as outras pastas. Isso permite que a gente vença a burocracia em um tempo mais curto. Foi esse o nosso objetivo. Foi dessa forma que o prefeito pensou ao me indicar para ocupar a Secretaria de Obras. E, nos últimos 100 dias, nós conseguimos ou inaugurar, ou iniciar, ou concluir projetos que estão em licitação na ordem de R$ 230 milhões. Um volume expressivo de investimentos.

Tribuna – Há um consenso na base aliada sobre sua candidatura?

Bruno Reis – O que eu sinto por onde tenho andado, diante de uma relação que a gente construiu na nossa vida pública, com todos os integrantes do nosso partido Democratas e de alguns aliados, é que lá na frente possivelmente no ano que vem, é que há uma grande possibilidade de que nosso nome seja um consenso no grupo para uma disputa na condição de candidato a prefeito de toda a base.

Tribuna – Se não for o senhor, quais os outros nomes estão disponíveis para entrar numa disputa como essa?

Bruno Reis – Nós temos nome do nosso próprio partido. E temos outros nomes de partidos da base. É natural que as pessoas tenham seus sonhos, os partidos tenham suas pretensões. Todas elas são legitimas e estão sendo colocadas. Isso que permite um diálogo entre os partidos e entre esses nomes para que, dentro de um processo de entendimento, a gente possa chegar a um quadro final de manutenção da nossa base e de unidade do nosso grupo. Isso, tenho convicção e certeza que irá ocorrer. Inclusive, podendo atrair novos aliados, partidos que não estão hoje no nosso arco de aliança. Mas que podem, por estar vendo o nosso projeto administrativo vitorioso, contribuir com seus quadros para fazer uma cidade melhor.

Tribuna – Como o senhor vê a movimentação do presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior, que já demonstrou interesse em concorrer para a prefeitura em 2020?

Bruno Reis – Como eu disse, a movimentação é legitima dele e de outros que compõem o nosso grupo. Esse é o momento de se fazer as conversas, como eu também estou fazendo, de se fazer o trabalho até para lá na frente, quando ocorrer os entendimentos, o grupo esteja mais forte. E, com isso, dentro da busca da unidade, a gente possa ter êxito em uma eventual disputa.

Tribuna – O senhor considera Geraldo Júnior um aliado ou uma ameaça ao seu projeto de ser candidato a prefeito em 2020?

Bruno Reis – Considero ele um aliado. Nós praticamente iniciamos na vida pública juntos. Geraldo se filiou ao PTN após um convite nosso. Primeiro, o seu pai, o Super Geraldo, foi candidato a vereador em 2004, pelo partido. E depois, ele em 2008. Militamos juntos na política. Temos ideias, pensamentos em relação à cidade comuns. Temos vários amigos que nós construímos juntos na vida. E é natural que cada um tenha seu sonho. E ele tem um sonho, ainda mais depois que passou a ocupar o cargo de presidente da Câmara. O passo seguinte é poder sonhar e trabalhar para ser prefeito. A partir do momento que você trabalha de forma correta, isso – não sendo agora ou no futuro – pode vir a ser um consequência do seu trabalho. Então, vejo Geraldo como aliado. Agora, é muito cedo para falar em candidatura, para falar em chapa, para falar se essa ou aquela movimentação é a melhor movimentação. Ele, na condição de presidente, tem que conversar com todo mundo. Eu também converso com diversos partidos que não estão na nossa base. No momento certo, nós vamos sentar e eu tenho a expectativa de que, preservando a unidade do grupo, nós teremos a confirmação de uma aliança. Time que vem ganhando não se mexe.

Tribuna – A sua candidatura não está consolidada, mas há uma briga já pela vice. Como o senhor viu o movimento do deputado estadual Alan Sanches de se colocar como candidato a vice na sua chapa?

Bruno Reis – É sinal de que estamos no caminho certo. Ninguém quer ser vice de quem eventualmente não vai ter chance de vencer as eleições. É óbvio que ninguém está em campanha. Ninguém está focado na eleição. O foco é a gestão. O foco é administrar a cidade, que tem problemas e necessidades urgentes. E elas estão acima de qualquer interesse político, partidário de quem quer que seja. E este tem sido o foco. Talvez, por o nosso trabalho está dando um resultado administrativo, que tenha consequências no campo político. Aí alguns nomes tenham demonstrado a pretensão de poder compor a chapa. Nomes do nosso partido, como é o caso do deputado estadual Alan Sanches, que é um grande quadro da política de Salvador e da Bahia. E de outros partidos. Nós estamos a praticamente um ano e meio das eleições. Nunca antes se discutiu com tanta antecedência candidaturas, chapas. É muito cedo para qualquer tipo de conjectura. Fica, então, no campo das especulações.

Tribuna – Vamos ter uma eleição atípica com o fim das coligações proporcionais. Qual a sua expectativa para a montagem de chapa diante deste novo cenário?

Bruno Reis – O que justifica um partido ter candidatura a prefeito é se tiver candidaturas a vereador, porque ele pode, através do voto de legenda, tentar eleger um número maior de vereadores. Para alguns partidos, talvez, os partidos de oposição, essa lógica, talvez, seja correta. Já, para os partidos que estão na base do governo, nós temos um número expressivo de candidatos a vereadores com mandatos. E de candidatos a vereadores. Então, nós não sofremos com a falta de candidatos a vereadores para ter candidatos a prefeito. Tanto que não há fora da Câmara nenhum vereador que tenha tido na faixa de 6 mil, 6,5 mil votos, porque nós arrumamos de forma que teve uma harmonia. Teve um equilíbrio onde quem era vereador pode disputar sua reeleição e quem era candidato novo pode disputar para ser vereador. Essa mesma lógica nós vamos fazer em 2020. Organizar os partidos dando um equilíbrio com quadros expressivos de vereadores.

Tribuna – E os partidos que já demonstraram interesse em ter candidato a prefeito, como PSDB, PRB e outros da base aliada? Que trabalho pretende fazer para construir a unidade do seu grupo político?

Bruno Reis – O que nós pretendemos é lá na frente sair com um nome do nosso grupo que seja o melhor para vencer as eleições, para dar continuidade a este projeto. Qual o melhor candidato? É aquele que tenha o desejo maior da população da cidade. É o nome que possa agregar o maior número de aliados, de partidos. É o nome que possa trazer novos aliados. É o nome que possa ter a maioria da vontade dos vereadores, dos candidatos a vereadores, das lideranças comunitárias. Com esses critérios, eu tenho certeza que a dialogar, com todos os partidos da base, nós vamos tirar o melhor nome para que o projeto continue avançando. Salvador não pode perder as conquistas que nós tivemos até o momento. Pelo contrário, tem que avançar muito mais. A cidade ainda tem muitas necessidades e problemas para serem superados. E há uma consciência do nosso grupo. Com base nesta consciência, é que nós vamos chegar aos entendimentos. Entendimentos que prevaleceram nas últimas eleições e que permitiram que a gente tivesse vitórias.


Leia a entrevista completa na edição impressa do jornal ou na Tribuna Virtual.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas