Consumo das famílias brasileiras elevará o PIB deste ano

Enquanto isso, os gastos dos 31,9 milhões de cidadãos rurais correspondem a R$ 10.498,72 por habitante


Tribuna da Bahia, Salvador
20/05/2019 13:57 | Atualizado há 3 dias, 7 horas e 38 minutos

   
Foto: Reprodução

Por: Lício Ferreira

 

Os estudos mais recentes sobre economia brasileira estão apostando, que o consumo das famílias continuará não só em crescimento, em 2019, como deverá impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Especializado no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais, o IPC Maps 2019, revela que: “A economia tem potencial para movimentar cerca de R$ 4,7 trilhões, sendo responsável por 64,8% da somatória de bens e serviços deste ano”. 

A avaliação média do mercado, captada pelo boletim Focus, do Banco Central, por sua vez, aponta para “um crescimento de 2%, após quatro baixas consecutivas, convergindo com as estimativas mais pessimistas de consultorias e instituições financeiras”. Isto é o que informa o jornal Valor Econômico. Com mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil concentra 84,8% dos seus cidadãos (178,1 milhões) na área urbana, que respondem pelo consumo per capita de R$ 24.420,15. Enquanto isso, os gastos dos 31,9 milhões de cidadãos rurais correspondem a R$ 10.498,72 por habitante. 

ESPAÇO

No estudo do IPC Maps 2019 “as capitais brasileiras perderão espaço no consumo (de 29,6% em 2018 para 28,9% este ano).  Em contrapartida, o interior dos estados voltará a dar sinais de recuperação, elevando de 54% para 54,4% a movimentação de recursos neste ano”. O Valor Econômico, no entanto, afirma que o consumo das famílias deve crescer pelo terceiro ano consecutivo em 2019 e, com peso de cerca de 60% na atividade, vai puxar mais uma vez a alta do Produto Interno Bruto (PIB). “Mas, em um contexto de lenta recuperação e alta informalidade no mercado de trabalho, o avanço deve repetir ou ficar próximo à taxa de 2018, que subiu 1,9%.”, sintetiza o assunto.

Por esse, e outros problemas estruturais, a esperada aceleração da atividade para níveis que recuperem as perdas da crise, ainda não virá agora. Para especialistas dos mais diversos institutos e consultorias, o fato é o seguinte: “A economia brasileira ainda conta com uma série de ‘gargalos’, que acabam limitando o crescimento sustentável. A tarefa de recuperação da economia não é nada fácil.

GARGALOS

Mais quais seriam esses gargalos? Estudo recente divulgado pelo BNDES responde: “Primeiramente, os gargalos estruturais, que incluem o sistema tributário disfuncional; o ambiente negativo de negócios; o baixo grau de abertura comercial; a precária qualidade da infraestrutura; e o nível insuficiente de educação e capital humano. Em todas essas dimensões, existem limitações profundas, já bastante conhecidas, que colocam o Brasil, muitas vezes, atrás de outros países emergentes”.

Com maiores detalhes, o estudo do IPC Maps 2019 revela, ainda, que a participação regional sofreu pequenos ajustes, mantendo as mesmas posições do ano anterior. “A liderança do consumo permanece com o Sudeste, com 48,89%, seguido pelo Nordeste, com 18,82%. A região Sul, que em 2018 tinha aumentado sua fatia para 18,07%, volta a cair para 17,82%, assim como o Centro-Oeste, que de 8,51% retrai para 8,21%; enquanto o reflexo na região Norte, por sua vez, é de 6,25%, contra 5,89% de participação em 2018”, anota.

MUNICÍPIOS

Sobre o desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros, a pesquisa destaca que embora continue havendo uma ligeira queda, o desempenho equivale a 39,43%, ou R$ 1,848 trilhão de tudo o que é consumido no território nacional. “No ranking dos municípios, os maiores mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, que subiu uma posição e ultrapassou Brasília, seguidos por Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Manaus, que recuperou o 9º lugar, derrubando Goiânia para o 10º”, antecipa a pesquisa.

Por outro lado, “cidades interioranas como Campinas, Guarulhos, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo e São José dos Campos (SP), São Gonçalo e Niterói (RJ), Joinville (SC), Uberlândia (MG) e Caxias do Sul (RS), entre outras,  também ganham destaque nessa seleção”, destaca a pesquisa IPC Maps.

Na análise quantitativa das empresas, para cada mil habitantes, os resultados são bastante curiosos. As regiões Sul e Sudeste lideram com folga, pois possuem, respectivamente, 139,50 e 135,08 empresas por mil habitantes; o Centro-Oeste vem ganhando força com 121,15 e, muito aquém da média, continuam as regiões Nordeste, com 73,18, e Norte, que tem apenas 65,15 empresas/mil habitantes.

EMPRESAS

O levantamento nacional constatou o incremento de 12,9% no patamar empresarial, com a presença de 23.470.289 estabelecimentos instalados no país. “Deste montante, quase metade (49,2%) corresponde ao setor de Serviços. Na sequência, aparecem atividades relacionadas aos segmentos de Comércio, com 31,9% (7.496.727), Indústrias, 16,1% (3.772.271) e, finalmente, Agribusiness, com 2,8% (657.547)”.         

Neste quesito, em especial, a Região Sudeste concentra a maior parte das empresas, cerca de 50,86%, equivalendo a 11.936.813 unidades. “O destaque vai para a Região Sul, que ao abrigar 17,82% (4.181.780), ganhou uma leve vantagem sobre o Nordeste com seus 17,8% (4.176.555) dos estabelecimentos. Já as regiões Centro-Oeste e Norte detêm, respectivamente, 8,41% (1.974.372) e 5,12% (1.200.769) das organizações.    

CONSUMIDORES

Além de traçar um comparativo por classes sociais, o estudo também revela onde os consumidores gastam sua renda. Nesse quesito, o cenário continua praticamente igual ao do ano passado, com os seguintes itens básicos no topo da lista: manutenção do lar (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás) — 26,8%; alimentação (no domicílio e fora) — 17,3%; transportes e veículo próprio — 7,4%; medicamentos e saúde — 6%; vestuário e calçados — 4,8%; materiais de construção — 4,3%; recreação, cultura e viagens — 3,2%; eletrodomésticos e equipamentos — 2,4%; educação e higiene pessoal — 2,2% cada; móveis e artigos do lar — 1,9%; bebidas — 1,3%; artigos de limpeza — 0,7%; e fumo — 0,6%.   

Outro fato singular apontado pela pesquisa do IPC Maps 2019 é o  envelhecimento da população. “A exemplo, dos últimos anos, a população brasileira segue envelhecendo. Em 2019, mais de 29 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais, sendo a maioria formada por mulheres. Na faixa etária economicamente ativa, de 18 a 59 anos, esse número é de 127,2 milhões, ou 60,5% do total dos habitantes. Representando a minoria, os jovens e adolescentes, entre 10 e 17 anos, somam 24,4 milhões, sendo superados pelas crianças de até 9 anos, que já representam 29,4 milhões”, finaliza o estudo.


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