Mais de 400 pessoas morreram por dia devido ao cigarro

Fumar provoca uma série de doenças cardíacas, AVC, além de diversos tipos de cânceres


Tribuna da Bahia, Salvador
30/05/2019 12:39 | Atualizado há 24 dias, 8 horas e 55 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus

Por Poliana Antunes

No Brasil, 428 pessoas morrem por dia por causa da dependência a nicotina. R$ 56,9 bilhões são perdidos a cada ano devido a despesas médicas e perda de produtividade, e 156.216 mortes anuais poderiam ser evitadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o maior peso é dado pelo câncer, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Nesta sexta, dia 31, é comemorado o Dia Mundial do Tabaco. 

Das mortes anuais causadas pelo uso do tabaco: 34.999 correspondem a doenças cardíacas; 31.120  por DPOC; 26.651 por outros cânceres; 23.762 por câncer de pulmão; 17.972 por tabagismo passivo; 10.900 por pneumonia; 10.812 por acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o tabagismo custa à economia global mais de 1 trilhão de dólares por ano e matará um terço a mais de pessoas até 2030 do que agora.

Alerta

A médica pneumologista Maristela Sestelo, alerta para a dependência química que sofrem os usuários do tabaco. “É uma dependência como oura qualquer, a diferença que o cigarro é uma droga que compramos em qualquer lugar e não tem nenhum tipo de proibição”.

Segundo Maristela Sestelo, no país, há uma variedade de produtos derivados de tabaco que podem ser usados de várias formas: fumado/inalado, aspirado, mascado, absorvido pela mucosa oral.Todos contêm nicotina, causam dependência e aumentam o risco de contrair doenças crônicas não transmissíveis. 

“Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também são responsáveis pelo desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como muitas patologias buco-dentais”.

Ainda de acordo com Maristela Sestelo, o tabaco também é responsável pelos seguintes cânceres: leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer nos rins; câncer de laringe (cordas vocais); câncer de pulmão; câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago.

É também considerado uma doença pediátrica, pois 80% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos. No Brasil, 20% dos fumantes começaram a fumar antes dos 15 anos.

Evento

O acidente vascular cerebral (AVC) é a doença que mais causa mortes no Brasil, e chega a ser responsável por mais de 100 mortes por ano, além de ser a maior causadora de incapacidade do mundo. Um dos principais fatores de risco da doença é o tabagismo. 

O Inca, alerta também que o cigarro tem mais de 4,7 mil substâncias presentes em sua composição se relaciona a várias doenças do sistema cardiovascular, como infarto e AVC. Além de AVC, duas consequências importantes são as obstruções das artérias da perna que podem causar desde dores até a amputação e os Aneurismas as Aorta abdominal que quase nunca são detectados e podem levar à morte rapidamente se rompidos, daí a importância do checkup Vascular a partir dos 50 anos de idade.

Os fumantes têm risco duas vezes maior de desenvolver um quadro de AVC em comparação com pessoas que não fumaram ao longo da vida. Estima-se que aproximadamente 20% dos casos de AVC estão relacionados ao tabagismo. 

Esses e outros assuntos relacionados à área de Angiologia e Cirurgia Vascular serão debatidos no Self 2019, que vai ser realizado nos dias 30, 31/05 e 01/06, no Gran Hotel Stella Maris. O evento é realizado pelo IVASC.

Segundo o presidente do Self 2019, o angiologista e cirurgião vascular, Dr. Ronald Fidelis, o tabagismo é um fator de risco para o AVC isquêmico.“Quem cessa o tabagismo automaticamente já reduz os seus fatores de riscos cardiovasculares”. 

Ele explica que o AVC isquêmico se deve principalmente à facilitação de placas de colesterol em vasos sanguíneos do cérebro, e pode levar a uma obstrução do fluxo de sangue e, posteriormente, ao quadro de isquemia.

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