Anunciada nova província mineral da Bahia

A província agrega mais de 32 municípios baianos e ocupa cerca de 12 mil km² (1.200.000 hectares) nas regiões sudoeste e oeste da Bahia


Tribuna da Bahia, Salvador
11/06/2019 12:29 | Atualizado há 7 dias, 2 horas e 41 minutos

   
Foto: Divulgação

Por Licio Ferreira

O geólogo baiano João Carlos Cavalcanti apresentou, nesta segunda-feira 10, durante evento realizado no auditório da Companhia Baiana de Pesquisas Minerais (CBPM) a Província Mineral do Vale do Paramirim considerada a próxima redenção financeira do Estado da Bahia. “Trata-se de um ambiente com abundante variedade metalogenética, onde se identifica depósitos promissores de classe mundial, de minérios tais como ferro, zinco, cobre, grafite, ouro, lítio e terras raras. A província agrega mais de 32 municípios baianos e ocupa cerca de 12 mil km² (1.200.000 hectares) nas regiões sudoeste e oeste da Bahia”, sintetizou.

Estavam presentes, o vice-Governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, João Leão; o presidente da Companhia Baiana de Pesquisas Minerais, Antonio Carlos Tramm; toda comunidade geológica da Bahia; empresários e políticos. Representando o governo federal estava o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Tasso Mendonça Junior que disse ver esta descoberta “como resultado do perfil empreendedor de uma pessoa que acredita no que faz e que tem uma visão total da economia onde atua”

Maior que Carajás

A Província Mineral do Vale do Paramirim tem reservas maiores que as de Carajás, no Pará, e está concentrada nos municípios de Caetité, Brumado, Paramirim, Igaporã, Ibipitanga, Macaúbas, Lagoa Real, Matina, Riacho de Santana e Tanque Novo”, relata JC Cavalcanti, considerado um dos homens mais ricos do Brasil.  Cheio de orgulho diz: “Se a Bahia fosse um país seria autossuficiente em minério”. E acrescenta: “A nova província mineral brasileira é seis vezes maior do que o minério de ferro da cidade de Caetité, na Bahia, hoje explorada pela Bamin, e que um dia já foi minha”.

Tecendo ácidas críticas ao ex-Governador da Bahia Paulo Souto e atual secretário de Fazenda da Prefeitura de Salvador, o empreendedor baiano João Carlos Cavalcanti não escondeu mágoas antigas que tem do político. “Ele não quis aceitar as minhas descobertas e quando alguém um dia lhe perguntou sobre as jazidas  revelou que era conversa de Papai Noel. Isto nos custou caro e terminou colocando o Estado da Bahia em estagnação. Mas, a partir do governador Jaques Wagner - que comprou a nossa ideia - a mina de Caetité começou a produzir. Hoje, eu conclamo o ex-governador João Leão, que é um homem de visão empresarial, a incentivar o governador Rui Costa a completar a Ferrovia Oeste Leste (Fiol) e o Porto de Ilhéus para que o minério de ferro seja exportado e traga além de muitas divisas gere emprego e renda para a população baiana”.

Jazidas ampliadas

Os trabalhos executados ano passado na Província Mineral do Vale do Paramirim possibilitaram a confirmação e ampliação dos recursos geológicos determinados pelos trabalhos da World Mineral Resources (WMR) que, inicialmente, eram estimados em 1,2 bilhão de toneladas de minério de ferro com teores entre 35 a 60% de ferro. “As pesquisas executadas pela Companhia Vale do Paramirim (CVP) apontam que esses recursos podem ultrapassar 1,7 bilhão de toneladas, ou seja, foram agregados mais 50% de recursos”, apresenta JC Cavalcanti.

Segundo o geólogo baiano destaca-se nesta província anunciada no Morro do Pereiro Norte e Sul, a presença de minério de ferro do tipo magnetitito com alto teor, similar aos depósitos de Kiruna (Suécia), que durante os séculos XVIII e XIX, sustentou a economia siderúrgica da Europa. “Tal tipo de minério dispensa a construção de barragem de rejeitos (Mariana e Brumadinho), fato que vem impactando negativamente a produção de minério de ferro na província do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, com déficit anual de 90 milhões de toneladas, o que afeta seriamente a balança comercial de exportação brasileira”, realça.

Concentração de metais

João Carlos Cavalcanti revela que durante os trabalhos de prospecção para minério de ferro foram identificados nos alvos de pesquisas valiosas e promissoras concentrações de metais básicos (cobre e zinco), sendo detectados recursos geológicos minerais de 30 milhões de toneladas de minério sulfetados de zinco no Morro do Pereiro com teor médio de 0,6% e, também, recursos geológicos minerais de mais de 61 milhões de toneladas de minério sulfetados de cobre em Papa Mel-Jatobá com teores médio de 0,15%, similares aos depósitos de cobre de Broken Hill, na Austrália.

Fechando o encontro JC Cavalcanti disse que na borda leste da Serra do Espinhaço, na Unidade Santo Onofre, entre os municípios de Caetité e Igaporã, “há um expressivo potencial para grafeno, associados à fácies dos filitos grafitosos com teores de até 12% de carbono livre”. E acrescentou cheio de sorrisos: “O projeto já conta com a implantação da ferrovia (Fiol) e a construção do Porto Sul, um porto para o transporte e escoamento dos variados tipos de minérios, em Ilhéus, no Sul do Estado”. Antes de deixar o local recebeu um convite do vice-Governador João Leão para uma audiência na SDE quando deverá tratar, diretamente, do assunto sobre este anuncio tão significativo para a economia baiana.


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