Rui promete apoio, mas quer mudança na reforma da Previdência

Segundo Rui Costa, o atual texto não é bom para a Bahia e, se for mantido, defende que o estado seja excluído da reforma


Tribuna da Bahia, Salvador
12/06/2019 07:50 | Atualizado há 10 dias, 14 horas e 20 minutos

   
Foto: Divulgação/Secom

Por Rodrigo Daniel Silva

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), prometeu, ontem, apoiar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), para construir um acordo na bancada de deputados a fim de garantir votos para a reforma da Previdência. O petista, no entanto, reiterou que quer mudanças no texto, que é relatado na comissão especial pelo parlamentar Samuel Moreira (PSDB-SP). Segundo Rui Costa, o atual texto, que foi enviado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso Nacional e foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não é bom para a Bahia e, se for mantido, defende que o estado seja excluído da reforma .“Com este texto que está aí eu fico contra, porque é prejuízo para a Bahia e com isso eu não posso concordar”, declarou o governo baiano após participar do Fórum de Governadores em Brasília, que reuniu os chefes dos 26 estados e do Distrito Federal.

Maia tem dito que o apoio dos governadores é importante para aprovar a proposta. “Temos que garantir a reforma inteira, nosso objetivo é ter uma boa economia para os próximos dez anos. Por isso queremos que os governadores consigam nos ajudar com votos, isso vai ser muito importante”, disse. “Líder quando comanda, convence a maioria dos seus liderados. Se um governador é a favor, sabe que é importante para ele, precisa chamar os que são próximos e falar que é fundamental”, emendou.

O petista baiano afirmou que a reforma da Previdência é “urgente e necessária”, mas deve ser “justa e com ajustes que realmente ajude os estados e sair do vermelho”. Rui quer a retirada das mudanças nas aposentadorias rurais e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos em situação de miséria. Também exige a exclusão do trecho que autoriza a criação de um regime de capitalização e dos pontos que retiram da Constituição a definição de regras da aposentadoria. “Dizem que a capitalização é um bode na sala. Se é bode, passou da hora de tirar. Se demora, o cheiro fica”, disse, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no final de semana.

Rui argumenta ainda que o texto precisa mudar porque pode causar impacto nas contas dos governos estaduais. Segundo ele, estudos feitos na Bahia mostram que trará impacto a reintrodução da paridade para agentes penitenciários e policiais, dando aos inativos o direito a reajustes concedidos à ativa. “Isso, sim, é ideologia. Como o governo tem esse viés policialesco, faz esse aceno. Mas policiais são a maior parte do déficit dos estados. Isso nos onera”, afirmou

Pelos números dele, “na hipótese mais otimista”, a reforma do ministro da Economia, Paulo Guedes, tal como está, renderia economia de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões à Bahia. “Representa pouco mais de 10% do meu déficit desse ano”, ressaltou. O petista diz que fez o que podia para ajustar as contas. Instituiu previdência complementar em 2015 e aumentou a alíquota de contribuição. “Mas não tenho como defender para o povo da Bahia mudança no BPC, na aposentadoria rural”, salientou. “O governo precisa saber que esse dinheiro, no Nordeste, movimenta a economia. A feira, o comércio”, acrescentou.

Na mesma entrevista, Rui Costa também criticou o método de convencimento da equipe de Bolsonaro. “Esse negócio de ‘só vou dar dinheiro para quem votar com a Previdência’ me afasta. Não vou negociar moeda com a vida do povo. É constrangedor”, ressaltou.

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