Chuva aumenta casos de leptospirose em Salvador

O último levantamento da Sesab, mostra que até o dia 3 de dezembro de 2018, foram notificados 231 casos suspeitos da doença


Tribuna da Bahia, Salvador
12/06/2019 09:59 | Atualizado há 14 dias, 7 horas e 30 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por Poliana Antunes

Com o aumento do volume de chuva, enchentes e inundações, o número de casos de leptospirose também aumenta. O último levantamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), mostra que até o dia 03 de dezembro de 2018, foram notificados 231 casos suspeitos da doença. O município com maior número de suspeitos foi Salvador, com 100 casos, representando 43,3% do total do estado. Além da capital baiana, mais 64 municípios notificaram casos suspeitos.

Ao analisar o número total de casos suspeitos de Leptospirose entre os anos 2015 e 2018, a Sesab observou um aumento no número de casos notificados entre abril e agosto, justamente nos meses com maior incidência de chuva. Entretanto, nos demais meses do ano, observa-se paridade ou redução no número de notificações.

Predisposição

Durante esse período de chuva, a urina dos ratos e de outros animais (boi, porco, cavalo, cabra e ovelhas) mistura-se à água e à lama. A bactéria do gênero Leptospira penetra no corpo humano pela pele, principalmente por arranhões ou ferimentos, e pela pele íntegra, imersa por longos períodos na água ou lama contaminada.

De acordo com a Sesab, vale ressaltar, que pessoas que exercem algumas atividades laborais estão mais expostas a doenças, tais como: trabalhadores em limpeza e desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, pescadores, militares e bombeiros, dentre outros.  

Ainda segundo o órgão, identificado nos anos anteriores, a maioria dos casos notificados até 03 de dezembro/2018 foi do sexo masculino com percentual equivalente a 73,57% do total (172/231). Segundo o órgão, com relação à faixa etária, no período analisado, foi preponderante o acometimento de pessoas na faixa etária de 20 a 29 anos.

Brasil

No Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em alguns momentos, em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração populacional que vive em áreas de vulnerabilidade social e às condições inadequadas de saneamento.

Dados preliminares do Ministério da Saúde (OMS) de 2018, apontam 3.035 casos da doença no país. Em 2017, foram 3.028 casos. Em relação aos óbitos, os dados preliminares de 2018 apontam 274 mortes. Em 2017, foram 271 óbitos.

OMS, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), elabora normas, coordena, assessora e supervisiona as ações de vigilância e controle da leptospirose que são desenvolvidas em todo o país pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. Periodicamente, o Ministério realiza capacitações dos profissionais de saúde para identificação da doença nas áreas de maior risco.

Tratamento

A Sesab, informa que os casos leves de leptospirose, são tratados em ambulatório, mas os casos graves precisam de internação. A automedicação não é indicada, pois pode agravar a doença. Ao suspeitar da doença, a recomendação é procurar um médico e relatar o contato com exposição de risco. A antibioticoterapia está indicada em qualquer período da doença, mas sua eficácia é maior na 1ª semana do início dos sintomas.

A prevenção da Leptospirose ocorre por meio de medidas como:Obras de saneamento básico (drenagem de águas paradas suspeitas de contaminação, rede de coleta e abastecimento de água, construção e manutenção de galerias de esgoto e águas pluviais, coleta e tratamento de lixo e esgotos, desassoreamento, limpeza e canalização de córregos), melhorias nas habitações humanas e o controle de roedores.

A água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) mata as leptospiras e deve ser utilizada para desinfetar reservatórios de água: um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório. Para limpeza e desinfecção de locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada, a orientação é diluir 2 xícaras de chá (400ml) de água sanitária para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 15 minutos.

Controle de roedores – acondicionamento e destino adequado do lixo, armazenamento apropriado de alimentos, desinfecção e vedação de caixas d´água, vedação de frestas e aberturas em portas e paredes etc. O uso de raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos devidamente capacitados.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas