Pan Batista assume presidência do Conselho Estadual de Cultura

Posse marca nova gestão do órgão, tendo a primeira mulher quilombola a assumir a presidência do conselho


Tribuna da Bahia, Salvador
12/06/2019 13:43 | Atualizado há 14 dias, 3 horas e 50 minutos

   
Foto: Reprodução (Pan Batista e Juniex Santos eleitos para presidir o Conselho Estadual de Cultura)

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia realiza em 27 de junho a cerimônia de posse da nova gestão. Eleita presidente, Pan Batista será a primeira mulher de origem quilombola assumindo a presidência do órgão, um marco para a cultura do estado. O ato de posse acontece a partir das 14h no Museu de Arte da Bahia - MAB, localizado na Avenida Sete de Setembro, 2340 - Corredor da Vitória, em Salvador.

Eleita na última sessão plenária, Pan Batista cumpre o mandato até o ano 2022, neste período assume juntamente com o vice-presidente eleito Junieques Santos a responsabilidade enquanto mesa diretora, entre algumas das atribuições, ambos devem fortalecer as políticas culturais em concordância com a Secretária de Cultura, dialogando com demais membros do CEC na condução de políticas públicas participativas, mantendo contato com os segmentos culturais, com a sociedade civil, com o poder público, sobretudo acompanhar os sistemas municipais de cultura, além do conhecimento sobre o que ocorre na política cultural e territorial do estado.

Adinil Batista de Souza ou Pan Batista como gosta de ser chamada, como conselheira representa o setor de Manifestações Populares. Nascida e criada na comunidade quilombola de Santiago do Iguape, no município de Cachoeira no Recôncavo baiano, Pan é a primeira mulher de origem quilombola da UFRB/CAHL a ser contemplada com a bolsa permanência do MEC para quilombolas. Foi eleita delegada estadual de cultura (2013) na conferência nacional como representante quilombola da Bahia. Em 2014 foi eleita conselheira de cultura municipal de Cachoeira pelo segmento Cultura Popular tendo a maior votação da conferência. Participa na categoria de estudante e assistente do projeto sobre comunidades quilombolas pertencentes ao município de Cachoeira, da empresa Brasil com Artes em parceria com a Fundação Cultural Palmares e o Empreendimento Estaleiro Enseada do Paraguaçu. Autora e coordenadora do projeto em homenagem à cultura e identidade do povo negro quilombola, a Feira de Cultura Afro Brasileira Do Iguape.

Mulheres no Conselho e na presidência do órgão – Desde a sua criação no ano de 1967, aproximadamente 30 mulheres foram membras do Conselho, entre estas, duas ocuparam a presidência do colegiado, e outras duas ocuparam a vice-presidência em gestões diferentes: Eulâmpia Reiber (2005-2006) e Lia Robatto (2010-2011) foram presidentes do CEC. Na década de 1990, a conselheira Myriam Fraga ocupou a vice-presidência por dois mandatos. Já no período de 2017-2019, a conselheira Ana Vaneska esteve como vice-presidente.

Cada presidente deixou marcas importantes como gestoras do colegiado, demonstrando perfis democráticos, liderança, determinação e capacidade de gerir as competências do órgão. Pan Batista será a terceira mulher assumindo a presidência em 51 anos de existência do Conselho.

Programação - No período da manhã a partir das 9h30, ocorrerá a sessão plenária para discussões das pautas que estão em andamento no órgão. Em destaque a apresentação do Relatório de Gestão 2017/10, o Parecer do Samba de Roda e a moção de aplauso dedicada a

Clementino Rodrigues artisticamente conhecido como Riachão, um dos mais reconhecidos sambistas do país.

Já a partir das 14h ocorrerá a solenidade de posse da presidência e vice-presidência. A programação contará com a presença de diversas manifestações populares entre elas a presença da Quadrilha Junina Girassol do Iguape, o Grupo Filhos do Engenho, Grupo Samba Negrada, e grupos de Capoeira, além da presença das comunidades Quilombola da região de Cachoeira. A sessão plenária e a cerimônia de posse são abertas ao público.

Conselho Estadual de Cultura (CEC)

Órgão colegiado do Sistema Estadual de Cultura que tem entre suas atribuições a missão de apreciar e contribuir com a elaboração e o cumprimento do Plano Estadual de Cultura. Além disso, deve propor e estimular a discussão sobre temas relevantes para a cultura na Bahia, assim como promover a participação da sociedade civil na definição e fiscalização das políticas, programas, projetos e ações culturais.

O CEC é responsável ainda por deliberar tecnicamente sobre processos de tombamento, registro e salvaguarda de bens materiais e imateriais do Estado, a partir de dossiês preparados previamente pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, autarquia vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult). Se aprovados no CEC, os processos são encaminhados para a governadoria e em seguida para sanção do governador.

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