Cultura digital foi tema de debate na ABI, em Salvador

Pesquisador em Cibercultura, André Lemos debateu temas como o uso das tecnologias da comunicação pelo jornalismo e sigilo da fone


Tribuna da Bahia, Salvador
11/07/2019 08:54 | Atualizado há 7 dias, 6 horas e 14 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus

Por Poliana Antunes

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) trouxe nesta quarta-feira (10), André Lemos, pesquisador em Cibercultura e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM/UFBA). 

Durante o evento, André  falou sobre mudança no panorama da cultura digital. “Acho que o trabalho em si, traz uma discursão sobre os jornalistas. Essas ações nas redes sociais levam um impacto político forte”, frisa o André Lemos. 

O pesquisador discursou do início histórico e onde surgiram os primeiros hackers. O debate se discorreu com o tema “Caso The Intercept: O Jornalismo e as mensagens secretas da Lava Jato”,que mostrou também o trabalho do jornalista norte-americano Glenn Greenwald e do site The Intercept Brasil.

De acordo com André Lemos, o episódio é um já celebrizado como “Vaza Jato”, considerando os pressupostos éticos da atividade jornalística, o uso de informações e documentos obtidos por fonte anônima ou protegida pelo sigilo da fonte. André aproveitou a discussão para abordar o papel dos whistleblowers (denunciantes), a utilização das tecnologias da comunicação pelo jornalismo, e as garantias para o pleno exercício da liberdade de imprensa e do direito à informação, diante das ameaças contra Greenwald e equipe e dos argumentos das autoridades denunciadas pela série de reportagens.

The Intercept

No dia 9 de junho, o The Intercept Brasil começou a publicar uma coleção de materiais inéditos sobre as operações da força-tarefa anticorrupção que transformou a política brasileira e conquistou a atenção do mundo. As reportagens afirmavam que o então juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, e o procurador DeltanDallagnol trocavam mensagens de texto sobre o andamento da Operação Lava Jato. Os conteúdos divulgados colocariam em xeque a imparcialidade do ministro quando era responsável pelo julgamento em 1ª instância de diversos casos de corrupção pela 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

O site afirma que, em conversas privadas, “Moro sugeriu ao procurador que trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrou agilidade em novas operações, deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, antecipou ao menos uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas em Dallagnol como se ele fosse um superior hierárquico dos procuradores e da Polícia Federal”. 

De acordo com o site, as informações vieram de um lote de arquivos enviados por uma fonte anônima há algumas semanas para a empresa de comunicação, contendo mensagens de texto, áudio e vídeo trocadas entre 2015 e 2018 pelo aplicativo Telegram. Ainda de acordo com a reportagem, os documentos foram recebidos antes da notícia da tentativa de invasão do celular do ministro Moro, no começo de junho (4).

Defesa

Em nota, o Ministério Público Federal do Paraná informou que seus membros foram vítimas da ação criminosa de um hacker: “A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho”.

Ainda de acordo com o MPF, “nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações (do Intercept), o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas”. Em nota, o ministro Moro lamentou a “falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores”, além de criticar a postura do site, que não entrou em contato previamente.


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