Espera para transplante de córnea cai pela metade

Tempo de espera começou a cair em 2017, passando para de 2 anos 10 meses


Tribuna da Bahia, Salvador
09/08/2019 13:15 | Atualizado há 12 horas e 20 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Cleusa Duarte


Sempre é tempo de doar. Desde 2017 houve uma redução na lista de espera para córneas no Banco de Olhos da Bahia. A redução foi de 1.179 inscritos, para 605 pacientes no primeiro semestre deste ano. A espera, que era de 2 anos baixou para cerca de 10 meses. Quem relata a novidade é a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Mas alerta que as famílias precisam se conscientizar sobre o assunto para disponibilizarem o órgão ao transplante, em seguida do óbito do ente querido.

A coordenadora técnica e oftalmologista do Banco de Olhos da Bahia, único no Estado, que funciona no andar térreo do hospital Roberto Santos, Márcia Feitosa de Souza, alerta “As famílias que perdem seu ente querido é que precisam enviar para a doação. Para isso precisam estar conscientes da vontade do falecido.” Márcia ainda destaca que o tempo de doação é curto “precisa ser efetuado até 6 horas após o óbito, se o corpo estiver refrigerado até 12 horas”.

Feitosa ainda detalha o funcionamento. “A família libera, uma equipe terceirizada do Banco de Olhos. Vai até o hospital e retira, em seguida trás para cá e aqui nos tratamos o glóbulo, separando a córnea dos outros tecidos. Cada Hospital que tem um falecido conversa com a família através da assistente social e pergunta sobre a doação.”

Durante o primeiro semestre deste ano, Márcia informa que “uma média de 40 a 60 doações mensais foram realizadas, o total ficou em 401 doações  e 385 pacientes foram transplantados.”

Outro alerta importante de Márcia é de que qualquer pessoa entre a idade entre 2 a 70 anos pode ser doador. Em geral as pessoas que precisam do transplante são pacientes portadores de doenças de distrofias genéticas, “porém  60%  a 70 %  destes pacientes sofrem de  ceratocone.” Outra indicação do transplante é para a pessoa que realizou cirurgia de catarata e não conseguiu a adaptação, o tecido ficou agredido.”

A indicação para realizar o transplante é de que quanto mais idade melhor “ a cirurgia pode ser realizada partir de 7 anos, mas o risco de rejeição é menor no paciente que tiver acima de 20 anos.”

De acordo com Feitosa, as doações aumentaram desde 2016 quando  foi realizada a campanha na imprensa e Rede Social #Rumoafilazero. “Reduzimos em praticamente a metade da lista de inscritos procurando córnea. A espera baixou de 2 anos para 10,3 meses. De 1.179, agora temos uma fila com 605, porém todos os dias recebemos novos inscritos e doações. Estas inscrições são realizadas por fichas, pelos médicos dos pacientes que encaminham para a Central de Transplantes.”

Em nota a Sesab esclareceu que “O critério de distribuição de córnea no Brasil conforme legislação vigente é por tempo de lista, porém existem na Legislação critérios específicos que priorizam aqueles pacientes que os atendem como por  exemplo úlcera de córnea perfurada.  Existe na Bahia cerca de 20 unidades transplantadora de córneas, o paciente com indicação deve buscar uma destas instituições para realização de avaliação pré transplante e protetor cadastro em fila.”

Ceratocone

É uma enfermidade degenerativa que provoca alterações na estrutura da córnea deixando-a mais fina e modificando a sua curvatura para um formato mais cônico que o normal. Em outras palavras, a córnea do olho com ceratocone se parece com uma bola de futebol americano, enquanto que em seu estado normal é como uma bola de futebol, arredondada. Por causa dessa curvatura alterada da córnea as imagens que passam  pelo olho são distorcidas, o que leva a alterações na visão e induzem à miopia e astigmatismo miópico. 

O ceratocone costuma ser diagnosticado na adolescência, até os 20 anos, evoluindo para o estágio mais grave aos 30 anos. A doença pode afetar um dos olhos ou os dois, mas este último caso, é mais frequente que o ceratocone de um único olho. “Normalmente a doença começa na adolescência e pode em poucos anos provocar uma baixa da visão muito importante. Sua causa não é bem conhecida, sendo multifatorial, mas vale lembrar que os  pacientes de perfil alérgico tem maior incidência, pois o ato de esfregar os olhos aumenta a  chance de desenvolver a doença”, afirma o oftalmologista Máximo Manfredi..

A estimativa é de que a doença afete um indivíduo em cada 1 mil e que ocorra em populações de todo o mundo, embora alguns grupos étnicos apresentem uma maior prevalência que outros.

Sintomas - O ceratocone inicialmente provoca um aumento importante do grau, que não consegue ser corrigido com o uso de óculos, necessitando o uso de lentes de contato e, finalmente, nos estágios mais avançados, cirurgias como implantes de anéis intracorneanos e transplante de córnea. A importância da ida anual ao oftalmologista é ressaltada pelos médicos, pois tem a capacidade de diagnosticar doenças em estado inicial.

A baixa visão é uma das reclamações dos pacientes, que ainda podem sofrer com percepção de múltiplas imagens fantasmas, pontos espalhados de forma irregular, imagem dupla e sensibilidade exagerada à luz (fotofobia).

Dor de cabeça de forma frequente, devido ao esforço ocular que faz para enxergar também é um sintoma corriqueiro nesses pacientes, que tem os sintomas agravados com a evolução da  doença, que se não for tratada, pode levar à necessidade do transplante de córnea, alerta o oftalmologista Máximo. As causas do ceratocone não estão ainda muito claras, mas o ato de esfregar ou coçar os olhos pode contribuir para evolução a doença, que também evolui em mulheres no período de gestação.

Coceira nos olhos, asma e rinite são fatores de risco, já que estimulam danos na córnea, porque fazem com que haja a necessidade de coçá-los. Se houver casos de familiares com ceratocone, também é importante avisar ao oftalmologista.

 Ainda segundo Dr. Máximo, para o diagnóstico, além do exame clínico, o oftalmologista pode solicitar exames complementares como a topografia de córnea, que permite avaliar anomalias avançadas ou iniciais na superfície anterior ou posterior da córnea. A partir daí, caso seja identificada a doença será avaliado os graus de evolução, que podem ser  de ,0Grau 1 - Nesta fase, a visão está conservada e os erros refrativos (miopia e astigmatismo miopico) são sutis; Grau 2 -  o doente já refere alguma dificuldade em enxergar e necessita de óculos ou lentes de contacto para corrigir a visão; Grau 3 - é um estágio avançado da doença em que a visão mesmo com correção ótica já está bastante afetada, podendo necessitar de correção cirúrgica;  Grau 4 -  é o estágio mais avançado da doença no qual se encontram leucomas (opacidade da córnea) ou edema (hidropsia). A única forma de tratamento é o transplante de córnea.


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