Gato: 35 mil ligações clandestinas foram desativadas

Irregularidades foram constatadas até em hotéis de luxo em Salvador. A energia desviada dava para abastecer uma cidade como Dias D'Ávila


Tribuna da Bahia, Salvador
10/08/2019 20:51 | Atualizado há 11 dias, 1 hora e 6 minutos

   
Foto: Reprodução

Por Yuri Abreu

Crime previsto no Código Penal, em seu artigo 155, as ligações clandestinas de energia, são situações comuns na capital baiana, não importando se o bairro é mais rico ou humilde, ou se possui uma construção residencial ou comercial. O problema é tamanho que, de acordo com a Companhia de Energia Elétrica do Estado da Bahia (Coelba), somente no primeiro semestre deste ano 88 mil inspeções já foram realizadas e 35 mil “gatos”, como são popularmente conhecidos, foram desativados em todo o estado.

O último caso ocorreu na tarde da quinta-feira passada, em uma operação da Polícia Civil, com o apoio do Departamento de Polícia Técnica (DPT-BA) e da própria Coelba em três unidades de uma grande rede de hotéis de Salvador, a “Sol Express”. As ações ocorreram de forma simultânea nos bairros de Patamares, Armação, Corredor da Vitória e Stella Mares e contou com a participação de 15 policiais e 25 técnicos da concessionária de energia.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações duraram cerca de dois meses e foram iniciadas após um setor da Companhia enviar para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) um relatório que indicava a diferença entre o que era consumido e o que era pago pelas unidades. Durante as averiguações, foi constatado que havia uma pessoa que utilizava um dispositivo para efetuar o desvio de energia. Algumas pessoas já foram conduzidas para prestar depoimento. Os gerentes e o proprietário do hotel também serão convocados a depor.

Conforme a Coelba, o volume de energia recuperado pela concessionária, graças a essa ação, seria suficiente para abastecer, por exemplo, o município de Dias D’Ávila – que possui quase 80 mil habitantes – durante um mês. Além disso, o “gato” representa risco a quem faz e a quem está próximo, já que a ligação clandestina também provoca perturbações no fornecimento de energia da região e pode provocar a queima de eletrodomésticos dos vizinhos.

Por ser um crime tipificado no Código Penal, o infrator responsável pela fraude pode ter uma pena de até oito anos de reclusão. Ao todo, desde o início do ano, 25 pessoas já foram presas em flagrante em toda a Bahia cometendo a irregularidade. Para reduzir os riscos e o furto de energia, a Companhia mantém um programa constante de inspeções. Já as denúncias, em casos de fraudes e furtos, podem ser feitas anonimamente, por qualquer usuário, através do telefone 116.

Resposta

Em nota, a rede Sol Express informou que “há indevida especulação e ilação acerca dos fatos, não tendo sido encontradas, ao contrário da notícia veiculada, nenhuma violação de medidores, o que restará devidamente comprovado mediante perícia técnica oficial, ainda não realizada ou concluída”.

Ainda segundo o grupo, “a utilização de aparelhos de eficientização, filtragem e proteção contra surtos em nenhum momento caracteriza atividade ilegal, ao revés, juntamente com o uso de geradores em horários de pico, uso de energia solar, iluminação por LED, dentre outras medidas, buscam o uso racional e ambientalmente equilibrado no consumo de energia elétrica, o que deve ser e é incentivado por consensual entendimento do mercado, sociedade e administração pública”.

No documento, a rede Sol Express garantiu que as unidades hoteleiras com suas administrações autônomas, pagam mensalmente valores expressivos pelo consumo de energia elétrica, que se encontram rigorosamente em dia, sendo que também é comprado no mercado livre de energia, além da concessionária de serviço público.

“Nos últimos seis meses houve vistoria técnica da concessionária de energia elétrica nessas unidades, não tendo sido apontada nenhuma irregularidade, nem prestada qualquer orientação em sentido diverso das práticas adotadas, conforme documentos que disponibilizamos a quem de direito”, informa a nota.

Por último, a rede afirma que o respectivo corpo jurídico, assim que tomar conhecimento do que consta nos autos, tomará as medidas cabíveis ao acompanhamento do caso, “no sentido de colaborar para o esclarecimento da verdade, bem assim, no intuito de apurar as responsabilidades de quem quer que seja, por eventuais excessos praticados, no momento e seara próprios”, finaliza o documento.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas