Dodge se reúne com Augusto Aras, indicado por Bolsonaro para a PGR

Raquel colocou a equipe à disposição. Augusto Aras precisa ser aprovado pelo Senado para assumir. Ontem, procuradores protestaram contra a indicação


Tribuna da Bahia, Salvador
10/09/2019 08:15 | Atualizado há 8 dias, 15 horas e 48 minutos

   
Foto: Reprodução

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se reuniu ontem (9) com o subprocurador Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de procurador-geral. A informação foi divulgada pela PGR. Segundo a assessoria do órgão, a reunião foi marcada por Raquel Dodge, que colocou a equipe do gabinete à disposição de Aras. O encontro serviu também para os dois discutirem assuntos institucionais. Desde que Bolsonaro anunciou a decisão de indicar Aras, parte dos integrantes do Ministério Público reagiu negativamente.

Um dos argumentos é o de que Augusto Aras não integrou nem concorreu à lista tríplice da categoria. Além disso, Bolsonaro disse que indicaria alguém "alinhado com as bandeiras" do governo, o que gerou críticas de procuradores. Mais cedo, ontem, procuradores de diversos estados protestaram contra a indicação de Aras para a PGR. Segundo a Procuradoria, Raquel Dodge colocou a equipe do gabinete à disposição do sucessor e ficou acertado que ele será desonerado da distribuição de processos. Com a medida, ele deixa de atuar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Augusto Aras também deve contar a partir de agora com assessorias específicas, como segurança institucional e assessoria parlamentar, além de receber relatórios de gestão e operacional relativos aos dois anos do mandato de Dodge. Ainda conforme a Procuradoria, Raquel Dodge e Augusto Aras também falaram sobre a Lei Orçamentária Anual do Ministério Público da União, sobre as obras tocadas pela atual gestão, em andamento e já entregues.

O mandato de Raquel Dodge à frente da PGR acaba dia 17 de setembro. Augusto Aras só assumirá o cargo, contudo, se o Senado aprovar a indicação dele. A sabatina que antecede essa votação ainda não foi marcada. Quem deve assumir o cargo de Raquel Dodge interinamente é o subprocurador-geral da República, Alcides Martins, vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Dodge se reuniu com ele na semana passada.

Protesto

Ontem, lideranças do Ministério Público Federal realizaram atos no País em defesa da independência e da autonomia da instituição e contra a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República. A escolha do presidente Jair Bolsonaro ignorou a lista tríplice proposta pela associação da categoria. Em discurso em Brasília, o primeiro colocado da lista tríplice, subprocurador-geral da República, Mario Bonsaglia, afirmou que "preocupa a visão de que o procurador-geral da República precisaria ter um programa alinhado ao governo" e acrescentou que "não se pode conceber o Ministério Público Federal a serviço de qualquer dos outros poderes da República". Bonsaglia afirmou que a lista tríplice do MPF tem um papel importante de fazer um "contrapeso ao poder do chefe do Executivo de escolher o procurador-geral da República".

Além dele, discursaram também em Brasília a segunda colocada da lista tríplice, subprocuradora-geral Luiza Frischeisen, o presidente da principal associação da categoria, Fabio George Nóbrega, e o ex-procurador-geral Claudio Fonteles. O tom era de preocupação com o futuro da instituição. Havia previsão de atos para mais 15 Estados no País, incluindo Sergipe e Paraná, neste último onde procuradores da Lava Jato se manifestaram. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Fabio George Nóbrega, afirmou que o ato não era contra nomes, mas a favor de princípios. "As pessoas passam. As instituições ficam e precisam ser fortalecidas. Esse é um ato em defesa do MPF, da sua independência e autonomia, do MPF, é em favor da sociedade e não do Ministério Público em si. A sociedade brasileira quer ver o combate à corrupção, a defesa do meio ambiente, a defesa dos direitos fundamentais", disse. Por Rosanne D'Agostino/G1 — Brasília

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas