Estádio em Periperi será demolido; supermercado será construído no local

O estádio Nair Pires Castelo Branco foi inaugurado nos anos 1950. Atualmente é conhecido como Arena Periperi


Tribuna da Bahia, Salvador
10/09/2019 11:00 | Atualizado há 8 dias, 13 horas e 5 minutos

   
Foto: Reprodução/Subúrbio News

Por Yuri Abreu 

Apito final com gosto de perda de título. Após anos de lutas, o bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário, vai perder uma das poucas áreas de lazer existentes na comunidade. Nesta segunda, teve início a demolição do estádio Nair Pires Castelo Branco, construído nos anos 1950, atualmente conhecido como Arena Periperi. O espaço deve dar lugar, em breve, a um mercado de uma grande rede atacadista.

Resguardados por uma ordem judicial, os trabalhos começaram logo pela manhã, com escavadeiras e caminhões, para tristeza dos moradores da região, que lutavam, há pelo menos 10 anos, para manter o equipamento de posse do poder público, mas sem sucesso. Tentativas também foram feitas junto a Prefeitura para buscar uma reviravolta, o que não ocorreu.

Em junho deste ano, pessoas ligadas à questão até se reuniram em uma casa de shows no bairro onde participaram de uma audiência pública requerida pelo vereador Téo Senna (PHS), através da Comissão de Educação, Esporte e Lazer. A ideia era a de transformar o estádio em um equipamento esportivo. Na ocasião, sugestões foram recolhidas e transformadas em um relatório que seria encaminhado ao prefeito ACM Neto.

Ao saber do fato, o edil não escondeu a frustração pela transformação do espaço. “A sensação, mais uma vez, é a de que o poder econômico vai de encontro a tudo que o esporte pode fazer como ferramenta de inclusão social. Aquele campo foi uma referência para minha adolescência. Eu sempre achei que aquele espaço tinha que ser o estádio municipal de futebol”, afirmou.

Há quatro meses, ele entrou com um projeto de indicação – que não possui força de lei – junto a Câmara de Vereadores para tentar, novamente, desapropriar o terreno. “Só que a questão financeira é muito importante. Teria que ter pelo menos R$ 6 milhões só para desapropriar e mais R$ 20 milhões para construir e preparar. É um custo altíssimo. Além disso, a empresa já estava com o alvará de construção”, lamentou Senna.

Entenda

Tudo começou em 2009 quando, segundo Tribunal Regional da 5ª Região (TRT5-BA), o estádio que já foi pertencente ao Esporte Clube Periperi, foi arrematado em um leilão promovido pela corte naquele ano. À época, o espaço, que se encontrava em que se encontra em precárias condições, foi arrematado por R$ 560 mil, mas teve como lance inicial R$ 500 mil.

O bem tinha sido penhorado em maio daquele ano, com o objetivo de pagamento de custas e débitos ficais avaliados em R$ 225 mil, devidos pelo próprio trabalhador que fez a reclamação trabalhista no ano de 1993 e ficou com o estádio 12 anos depois, pelo valor aproximado de R$ 600 mil. Porém, ainda segundo o Tribunal, o mesmo não teria quitado o que devia junto ao INSS e de imposto de renda.

Em outubro do mesmo ano, o então prefeito João Henrique assinou um decreto de desapropriação do local, que passaria a ser de utilidade pública. Contudo, no ano de 2014, esse documento perdeu a validade, o que deixou a população tensa como relação ao destino do local. Além disso, a falta de pagamento, por parte daquela gestão municipal, fez com que o terreno voltasse aos atuais detentores.


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