Coluna Boa Terra (Por Valdemir Santana) - Edição do dia 10/9

Cenários da turnê americana de La Mercury têm pegada afro indígena de J. Cunha


Tribuna da Bahia, Salvador
10/09/2019 12:26 | Atualizado há 8 dias, 12 horas e 12 minutos

   
Foto: Reprodução

Além de ser recebida com glória como a rainha do carnaval do Brasil para apresentações  numa das regiões mais pulsantes do show business americano, que é Los Angels e seus arredores, a cantora Daniela Mercury (foto, no palco em Boston) leva outras surpresas da cultura baiana para os Estados Unidos. É o colorido e a luminosidade do painel com geometrismo e pegada afro-indígena criado pelo designer e pintor José Antonio Cunha. 

Nascido em Salvador e formado pelo curso superior de Belas Artes, o artista é conhecido internacionalmente como J. Cunha e já participou de eventos como “The Refugee Project”, no “Museu de Arte Africana de Nova York”, e da “Exposição de Arte Contemporânea: As Portas do Mundo” que percorreu a Europa e a África. A turnê da cantora baiana começou sábado, em Boston, distante da Califórnia, é claro, mas tem apresentações previstas para Los Angeles e São Francisco.

A música índie raspa seu tacho na noite cool do Rio Vermelho  

Espaço pulsante da cena underground e também da agenda cool do Rio Vermelho, o “Portela Café”, da pós-modernista Rua Itabuna, volta a se manter longe do mainstream cultural e programa uma noite que promete ser criativa. Na sexta, 20, a agenda fica para as chamadas bandas emergentes da cena índie nordestina. Mas do que emergentes, elas trazem boas histórias e dão show de resistência no show business do interior da Bahia e do vizinho estado Sergipe.

A banda “Astral” de Juazeiro, a metrópole do trade vinícola baiano, exibe no currículo shows dos anos 1990, e participação em programas de televisão de São Paulo. Ficou fora de cena para um período sabático, e agora solta a voz e suas pulsações; a “Tangolomango” insiste em fazer releitura da irreverente musical rural. 

Finalmente a “Cidade Dormitório” de Aracaju, conta a própria historia em forma de uma divertida lavagem de roupa. “A banda nasceu a partir de uma viagem psicotrópica pelos confins do Rosa Elze, conjunto habitacional às margens da universidade federal de Sergipe” é o currículo que exibe na Internet.

Ernani Meyer revisita os ícones do turismo baiano

Cada clique que o paranaense Ernani Meyer faz em ambientes naturais ou urbanos pelo mundo afora, costuma ser valorizado com requinte em publicações sobre o Brasil e o mundo. Depois de circular por regiões do Chile, e de estados brasileiros nos últimos meses, o fotógrafo dedica boa parte das visitas a Salvador e regiões da Chapada Diamantina. 

O resultado surpreende como uma revisita ao “Elevador Lacerda”, de Salvador feita pelo site da prestigiada revista “Viagem e Turismo” da “Editora Abril” usando o clique recente de Meyer. O texto descreve rápido a experiência no monumento art deco. “Durante o trajeto de 20 segundos não há vista para contemplar, mas lá do alto, 73 metros, veem-se o Mercado Modelo e a Baía de Todos os Santos" indica sob a foto feita a partir da cidade alta.

Inspiração e devoção na moda de Irá Salles 

Desde que deixou Salvador para estudar moda na prestigiada “Parsons School of Design”. em Nova York, Irá Salles surpreende a cada temporada com as novidades de suas coleções. As bolsas que são as peças chaves, ganham incremento de vários materiais e encantam muito além da função de acessório. Como a “Bolsa Obatalá” que ela acaba de criar, em homenagem a uma das personagens mais influentes da cultura baiana.

A peça é inspirada na temporada de lançamento do disco “Obatalá – Uma Homenagem à Mãe Carmem” que aconteceu na semana passada, com participação de artistas ícones da musica baiana, como Gilberto Gil e Gal Costa, para celebrar o carisma da sacerdotisa Carmen Oliveira da Silva, conhecida em todo o Brasil como a Ialorixá Mãe Carmen do “Terreiro do Gantois”. A bolsa é em tecido branco, rebordado, com forro azul e pingente de contas brancas e azuis com búzios.

Sonoridade dos índios baianos muito alem dos tambores tribais

A sonoridade ancestral dos índios baianos ganha espaço no mundo, e vai muito além do que se possa imaginas sobre a potencia dos tambores tribais. Os pesquisadores britânicos Tom Jackson e Andreas Rauh estão desde ontem no sul da Bahia como convidados da ong “Thydêwá”. A organização indígena que surgiu em Ilhéus, a metrópole regional a 400 quilômetros da capital, no inicio da década passada, é responsável pelo programa “Arte Eletrônica Indígena”, a “AEI”, que trouxe os pesquisadores.

Andreas Rauh é músico e investiga formas de produção cultural independente na Inglaterra há oito anos. Fala sobre “sons invisíveis” do ambiente que derivam muito sobre os lugares que ocupamos. Tom Jackson é pesquisador, docente e artista multimídia na “School of Media and Communication” da “Universidade de Leeds” da Inglaterra, e tem experiência profissional em design gráfico, programação de sistemas interativos e realidade virtual.

A ong “Thydêwá” tem apoio financeiro da londrina “British Council”  e do programa “Oi Futuro”, da telefônica “Oi”.  Além dos dois pesquisadores o Sul da Bahia recebe ainda a pesquisadora e curadora do programa “AEI”,  Thea Pitman, também da “Universidade de Leeds”. Ela participa de um festival que inclui criações de Tom, Andreas e indígenas Tupinambá e Camacã Ymboré.


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