Carlos Bolsonaro diz que foi mal interpretado em declarações

Vereador postou no Twitter que "a transformação que o Brasil quer não será rápida por vias democráticas"


Tribuna da Bahia, Salvador
11/09/2019 07:40 | Atualizado há 7 dias, 16 horas e 24 minutos

   
Foto: Reprodução

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) usou as redes sociais ontem para se defender da polêmica criada por ele, após postar uma declaração na qual afirmava que a transformação que o Brasil quer não será rápida por   vias democráticas. Em seu novo post no Twitter , o parlamentar agora licenciado , argumenta que sua expressão quis dizer "por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente". E completou dizendo que isso "É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes". Logo em seguida, disse que os jornalistas espalham que ele defende a ditadura e os chamou de "Canalhas!".

As declarações de Carlos Bolsonaro causaram reação no meio político . Ontem, o presidente em exercício Hamilton Mourão exaltou a democracia , que chamou de "fundamental". Questionado sobre os comentários do vereador, Mourão disse que "é problema dele". “Fundamental. São pilares da civilização ocidental. Vou repetir para vocês. Pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”, afirmou Mourão, ao deixar o Palácio do Planalto, ao ser questionado sobre a importância da democracia.

Em relação à declaração de Carlos, Mourão disse que é "problema dele": “Carlos Bolsonaro, vocês perguntem para ele. Isso é problema dele, pergunta para ele”.

Já o presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), disse "desprezar" falas sobre possíveis enfraquecimentos da democracia. “O Senado, o Parlamento brasileiro e as instituições estão fortalecidas. As instituições estão pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento, tem, da minha parte, o meu desprezo”, afirmou Alcolumbre, após lançar uma exposição sobre o artesanato do Amapá, seu estado, no Senado.

Questionado sobre o assunto em coletiva de imprensa pela manhã , o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que "não existe outro caminho possível" para o país que não a democracia. “Eu penso diametralmente oposto. Só com a democracia é que nós podemos ter um país soberano, livre e capaz de produzir políticas sociais e políticas econômicas. É só com democracia. Não há nenhum outro caminho possível no país. E eu estarei ao lado dos democratas e ao lado daqueles que vão lutar pela democracia”, declarou o tucano.

Na sexta-feira, Carlos Bolsonaro  solicitou licença não remunerada ao presidente da Câmara dos Vereadores do Rio. Para pedir a licença, Carlos se baseou no artigo 11, inciso I, do Regimento Interno da Câmara, que versa sobre afastamento para "tratar de assuntos particulares" em um período que não pode ultrapassar 120 dias por sessão legislativa.

Mourão

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que as declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) são "problema dele". Em contraponto ao filho do presidente Jair Bolsonaro, Mourão defendeu que a democracia é "fundamental" e que é "lógico" que é possível fazer mudanças no País por meio do diálogo com o Congresso. "Lógico, senão a gente não tinha sido eleito", disse Mourão ao ser questionado se é possível fazer as mudanças que o governo quer por vias democráticas. "Temos que negociar com a rapaziada do outro lado da Praça (dos Três Poderes). É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência", afirmou.

Ontem, nas redes sociais, Carlos disse que por meios democráticos não haverá as mudanças rápidas desejadas no País. Perguntando diretamente sobre a fala do vereador, Mourão respondeu: "Carlos Bolsonaro, vocês perguntam para ele". "Isso é problema dele, pergunte a ele", reagiu sobre o fato de Carlos ter dado entendimento contrário. Mourão foi questionado sobre o assunto na entrada do Palácio do Planalto, onde continua despachando do gabinete da vice-presidência na ausência de Bolsonaro. Ele deve permanecer interinamente no cargo até quinta-feira, 12. De O Globo

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