Sérgio Moro manda PF investigar caso ‘Hélio Negão’

O ministro pondera em ofício sobre 'aparente inclusão fraudulenta' do nome do deputado federal Hélio Negão, amigo de Bolsonaro, em inquérito


Tribuna da Bahia, Salvador
11/09/2019 08:20 | Atualizado há 28 dias, 10 horas e 31 minutos

   
Foto: Reprodução

O ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) mandou a Polícia Federal investigar suposta inclusão fraudulenta de um homônimo do deputado Hélio Negão (PSL/RJ) em inquérito sobre crime previdenciário. Por meio do ofício 1841, desta segunda, 9, encaminhado ao diretor-geral em exercício da PF, delegado Disney Rossetti, o ministro determina ‘a imediata apuração dos fatos no âmbito administrativo e criminal, com a identificação dos responsáveis’. A informação sobre a ordem de Moro foi divulgada pelo site O Antagonista e confirmada pela reportagem do Estadão.

A inclusão forjada de um homônimo de Hélio Negão no inquérito teria sido o estopim da crise que derrubou o superintendente da PF no Rio, delegado Ricardo Saadi.

Amigo do presidente Jair Bolsonaro, o deputado não é alvo da investigação. Em agosto, o presidente criticou publicamente Saadi, atribuindo ao delegado problemas de ‘produtividade’.

No despacho dirigido a Rossetti, o ministro da Justiça faz menção à nota publicada no Painel da Folha, na segunda, 9 (‘investigado no Rio seria homônimo de deputado amigo de Bolsonaro’).

“Diante da notícia publicada da aparente inclusão fraudulenta do nome do deputado federal Hélio Negão em inquérito que tramita perante a Polícia Federal do Rio de Janeiro e que teria por objeto condutas de pessoa com o mesmo apelido, isso, segundo a matéria, com o aparente intuito de manipular o Governo Federal contra a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, determino a imediata apuração dos fatos no âmbito administrativo e criminal, com a identificação dos responsáveis”, destacou Moro. Ele pede a Rossetti que o mantenha informado sobre os desdobramentos da investigação.  

Lava Jato

O ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) desejou "vida longa" à Operação Lava Jato. Ontem, ele retuitou informações que a Polícia Federal divulgou sobre a fase 65 da ação. A Operação Galeria, rótulo da etapa 65, prendeu Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão (Governos Lula e Dilma), este também investigado, por suspeita de propinas de R$ 50 milhões nas obras da Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. "Polícia Federal segue firme contra a corrupção e a lavagem de dinheiro. Longa vida à Operação Lava Jato", tuitou Moro. O anseio do ministro por uma investigação mais longeva se dá em meio à saraivada dos opositores que lhe atribuem excessos enquanto atuou como juiz da Lava Jato.

Os investigadores suspeitam que ele lavou pelo menos R$ 10 milhões de propinas por meio da compra de obras de arte e de imóveis. A fase 65 da Lava Jato, que Moro tuitou, investiga corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo negócios da Transpetro, subsidiária da Petrobras, e a Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo a PF, Edison Lobão (MDB/MA), ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia (governos Lula e Dilma), e seu filho Márcio teriam recebido propinas entre 2008 e 2014. Por Fausto Macedo e Pepita Ortega / O Globo

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