Ministério da Saúde intensifica combate à tuberculose

A estratégia de combate ocorre em meio aos baixos índices de cobertura vacinal no país, a exemplo da BCG, que protege da tuberculose


Tribuna da Bahia, Salvador
11/09/2019 10:50 | Atualizado há 7 dias, 13 horas e 12 minutos

   

Por Rayllanna Lima

Doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, a tuberculose é uma das principais causas de morte em todo o mundo. A fim de intensificar o combate, o Ministério da Saúde decidiu simplificar a medicação e determinou alterações para o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia de combate ocorre em meio aos baixos índices de cobertura vacinal no país, a exemplo da BCG, que protege da tuberculose. A Bahia apresentou pior desempenho entre todos os estados em 2018.

A nova medicação anunciada na última segunda-feira (9), pelo chefe da pasta, Luiz Henrique Mandetta, é voltada para crianças menores de 10 anos e deverá ser disponibilizada até 2020. O tratamento atualmente é feito por meio de três comprimidos, mas passará a ser feito com apenas um medicamento efervescente que reunirá os compostos de toda medicação necessária. 

A iniciativa marca a entrada do Brasil para a liderança das atividades de luta global contra a tuberculose ao longo dos próximos três anos. Ainda em 2019, o atual ministro irá assumir a presidência do Conselho da Stop TB Partnership, uma instituição vinculada ao Escritório das Nações Unidas de Serviços Para Projetos (UNOPS/ONU), que propõe eliminar a doença no mundo. O movimento engloba cerca de 1,7 mil representantes de mais de 100 países, incluindo governos, agências de pesquisa e financiamento, organizações internacionais e fundações. 

“A tuberculose é umas das principais causas de morte em todo o mundo. Em 2017, foi responsável por cerca de 1,3 milhão de mortes. Apesar desse enorme preço para a saúde, a resposta à tuberculose foi, por muito tempo, lenta e subfinanciada, principalmente na área de pesquisa e inovação. Por isso, meu compromisso é promover ações colaborativas envolvendo diferentes países para inovação no diagnóstico, tratamento e atenção a essa doença, reduzindo óbitos e os impactos na vida dos nossos cidadãos”, disse Mandetta.

Na análise da diretora-executiva da Stop TB, LucicaDitiu, a iniciativa basicamente "coloca o Brasil na vanguarda da luta contra a tuberculose". “Estamos levando o mundo a eliminar a tuberculose, por isso, estamos trazendo não apenas ele [o ministro da Saúde] como indivíduo, com sua formação e liderança, mas também a experiência que o Brasil fez ao longo de tantos anos em um esforço para combater a tuberculose e basicamente conseguir alcançar tanto em um país com uma carga tão alta", disse.

A presidência é atualmente exercida pelo ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, que permaneceu no posto por dois mandatos (seis anos). A apresentação da candidatura do ministro Mandetta ao cargo ocorreu durante a Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra (Suíça), em maio de 2019.

Entenda o que muda, de acordo com o Ministério da Saúde

O tratamento contra a doença no país brasileiro é ofertado exclusivamente pelo SUS. Para crianças menores de 10 anos, é disponibilizada a combinação de três medicamentos (rifampicina 75 mg + isoniazida 50 mg + pirazinamida 150 mg) na fase intensiva da doença e dois na fase de manutenção (rifampicina 75 mg + isoniazida 50 mg). Em ambos os estágios, a criança precisa tomar medicamentos simultaneamente.

Com a mudança, o governo federal deixa o tratamento mais simples e mais aceitável para os pequenos, ofertando uma dose fixa combinada dos fármacos de cada fase, que serão reunidos em um único comprimido, solúvel em água.

Segundo o MS, estudos nacionais e internacionais analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), em 2019, apontaram a mesma eficácia para o tratamento já ofertado e adose fixa combinada. A CONITEC é a comissão responsável por analisar a eficácia, efetividade e custo-benefício de novos medicamentos e tecnologias incorporados ao sistema público.

"Hoje é um grande dia, depois de mais de 30 anos usando as mesmas apresentações de medicamento para tratamento da tuberculose em crianças, conseguimos, finalmente, aprovar no Brasil comprimidos com doses fixas combinadas. Isso tem um grande significado para famílias e principalmente para as crianças", avaliou a coordenadora do Departamento de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratória de Condições Crônicas do Ministério da Saúde, Denise Arakaki. 

Com a iniciativa, o Brasil se alinha a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unida para a Infância (UNICEF), que defendem que os medicamentos em dose única combinada são uma oportunidade para simplificar e melhorar o tratamento de tuberculose nas crianças, além de possibilitar a melhora da adesão e da completude do tratamento. Cerca de 1,5 mil crianças deverão ser beneficiadas.


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