Funk in Rio: o gênero carioca se destacou na noite em que Anitta mostrou seu poder

As batidas do funk ecoaram pela Cidade do Rock! Completando 30 anos, o estilo carioca foi o grande homenageado no Rock in Rio no último sábado


Tribuna da Bahia, Salvador
07/10/2019 13:27 | Atualizado há 16 dias, 1 hora e 51 minutos

   
Foto: Alexandre Durão / Divulgação / G1

Por: Dimas Novais, do Rio de Janeiro


As batidas do funk ecoaram pela Cidade do Rock! Completando 30 anos, o estilo carioca foi o grande homenageado no Rock in Rio no último sábado, 5. Principal expoente do gênero no cenário brasileiro, Anitta estreou no Festival fazendo show em tributo a sua origem no Palco Mundo. Sem muita conversa, a cantora emendou hits e contou com um público vibrante que parecia estar lá inteiramente para assisti-la. No Palco Sunset, a abertura ficou por conta da Funk Orquestra, com Fernanda Abreu, Buchecha e Ludmilla. Os gringos do Black Eyed Peas receberam Anitta para dobradinha e Pink emocionou, fez incontáveis acrobacias e entoou discurso político. O baiano Saulo também fez show no palco secundário em parceria com Anavitória.

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 Foto: Alexandre Durão G1

Um look neon em camadas, outro look neon mais comportado e um top com calça jeans rasgada. Esses foram os três figurinos de Anitta, que também contou com uma cenografia especial em homenagem ao Furacão 2000, movimento que fez história no funk. Sem muita disposição para conversar, ela falou pouco mas deu seu recado, sem falsa modéstia: "Se eu fosse contar tudo que passei até chegar aqui, talvez vocês não acreditassem. Por isso, hoje, quero agradecer a mim, porque eu não desisti." Logo depois, o famoso passo de dança quadradinho tomou conta do palco no já tradicional “Movimento da sanfoninha”.

“Show das Poderosas”, “Bang”, “Paradinha”, “Meu Cobertor” e “Terremoto” foram só algumas faixas do extenso setlist. A cantora não levou convidados ao seu show, mas as vozes de vários outros artistas puderam ser ouvidas durante a apresentação. É que parcerias musicais são uma marca forte na carreira da carioca do bairro de Honório Gurgel. Por isso, a apresentação contou todas as variações de estilo com as quais a cantora tem flertado e que tem lhe rendido um sucesso após o outro. Pop, MPB, reggaeton, forró, sertanejo e até pagode se fizeram presentes, como em “Contatinho”, com Leo Santana. Mas foi mesmo o funk que fechou seu repertório. "Vai malandra", "Bola rebola", "Favela" e "Onda diferente" finalizaram um show que fisgou as atenções de um público que mais parecia uma torcida.

Funk in Rio

Mas foi com um sol a pino que o baile funk começou no Rock in Rio, ainda às 15h30. A largada do sábado de música na Cidade do Rock foi dada com sucessos emblemáticos que contaram a história do gênero. De “Rap do Borel” a “Se ela dança eu danço”. De “Nosso Sonho” a “Baile de Favela”. Fernanda Abreu e Buchecha foram os cicerones da festa. Ela lembrou da importância dos DJs e MCs pra o estilo e saudou o DJ Malboro, responsável pelo primeiro vinil de funk, em 1989. Enquanto a Orquestra Funk acompanhava todas as canções, DJs, Ludmilla e a dupla Cidinho e Doca (duo responsável pelo início do movimento suburbano carioca) participaram da festa. “Viva a velha e a nova geração do funk”, bradou Buchchea.

Pop in Rio

Entre baladas românticas e músicas pra sair do chão, artistas da cena pop marcaram presença. Aos 22 anos, a cantora H.E.R levou seu R&B ao Festival. Em seguida, os americanos do Black Eyed Peas levaram sucessos de quase 20 anos de estrada. No lugar da cantora Fergie, que está em fase solo, a cantora filipina Jessica Reynoso, dona de uma extensão vocal admirável, se tornou integrante oficial e não deixou a desejar. E Anitta voltou ao palco, convidada da banda para entoarem juntos a antiga “Don’t Lie” e a novíssima “eXplosion” – duo lançado semana passada.

Já a cantora Pink fechou a noite como atração principal e mostrou o motivo de tanto prestígio. Como estrutura de sua atual turnê “Beautiful Trauma”. Ares circenses tomaram conta da Cidade do Rock. Após 20 anos de carreira, é a primeira vez que ela se apresenta no Brasil e carregou consigo um repertório cheio de hits que fizeram a plateia sentir a nostalgia aguardada - embora com algumas canções mais recentes e menos empolgantes. Em “Get the party started”, ela se pendurou em um lustre, em “Try" e "Just give me a reason", dançou numa performances à la musical de teatro. Na derradeira “So What”, veio a explosão: ela se lançou em acrobacias sobre o público e terminou o show numa apoteose.

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Foto: Alexandre Durão G1

Uma série de outros artistas complementaram as dezenas de horas de música, com destaque para Charlie Puth, Duda Beat, Projota, Vitão e o show de Saulo com Anavitória. A calmaria do repertório desses dois últimos artistas durou quase o show inteiro e só foi interrompida com o hino “Eva”. No Rock in Rio é assim, a plateia se empolga e canta junto, seja funk, pop ou, claro, rock’n roll.

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