Câmara de Salvador manifestará luto por desastre ambiental no Nordeste

Vereadores percorrerão praias nesta quinta-feira (24)


Tribuna da Bahia, Salvador
23/10/2019 17:53 | Atualizado há 27 dias, 5 horas e 53 minutos

   
Foto: Divulgação/Prefeitura de Vera Cruz

Vestidos com camisetas pretas com a frase “Somos mais que discurso #TAMOJUNTO”, os vereadores de Salvador simbolizarão, na quinta-feira (24), em visita às praias mais atingidas, a partir de 9h, o luto da cidade em relação ao derramamento de óleo que infestou as praias do Nordeste, atingindo em cheio as da capital baiana. O slogan do protesto estampa também uma imensa faixa preta, pintada pelos grafiteiros Bigod e Lipe, do Coletivo Musas, que será instalada em frente ao Paço Municipal.

O anúncio foi feito na sessão de terça-feira (22) pelo presidente Geraldo Júnior (SD), que conclamou todos os parlamentares, familiares, servidores da casa e assessores dos gabinetes a aderirem ao protesto, que incluirá também o deslocamento para praias com maior contaminação.

O objetivo, segundo Geraldo Júnior, é manifestar pesar pela extensão “dessa verdadeira tragédia que assola as praias do Nordeste”, impactando negativamente a economia de toda a região. A ida às praias, também na sexta-feira (23), é uma forma de se incorporar “ao belo trabalho que vem sendo desenvolvido tanto pela prefeitura quanto pelos voluntários”.

Enxugar gelo

A vereadora Marcelle Moraes (sem partido) disse que no domingo participou de uma ação nas praias, da Pituba a Stella Maris, com a retirada de cerca de 50 quilos de “pequenas partículas de óleo espalhadas pela areia”. Ela denunciou a omissão do governo federal em buscar uma solução para o desastre ambiental, criticando a postura do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que se limitou a tranquilizar os turistas quanto às condições das praias. “E os animais marinhos, o ecossistema, as pessoas do Nordeste? Já foram constatadas 191 tartarugas mortas até agora”, protestou, fazendo questão de parabenizar o esforço da Limpurb, de ONGs e voluntários.

Moisés Rocha (PT) foi outro que condenou o governo federal pela omissão diante da tragédia ambiental, frisando que a Petrobras e a marinha têm tecnologia para conter o avanço do óleo desde o início do derramamento. “Parece de propósito, foi fogo na região Norte, óleo nas praias do Nordeste, e o governo não monitora e nem faz nada, está levando o país ao caos”, desabafou.

Presidente da Comissão Especial de Desenvolvimento Sustentável, o vereador Marcos Mendes (PSOL) sugeriu a realização de uma audiência pública sobre o tema, registrando que em consequência do desastre marisqueiros e marisqueiras ocuparam a sede do Ibama para cobrar providências. Segundo ele, que é geólogo, existe um decreto estabelecendo o Plano Nacional de Contingência para derramamento de óleo, que não foi adotado.

Para o vereador Sílvio Humberto (PSB), devido ao descaso do governo federal o que a população e os órgãos de limpeza vêm fazendo em todo o Nordeste é como “enxugar gelo”, pois o movimento das marés repõe o óleo a cada dia. “É um momento importante para reflexão sobre nossas escolhas políticas”, alertou.

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