Participação de pretos ou pardos entre os mais ricos chega a 73,5% na Bahia

De acordo com a síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), ano passado, os baianos que se declaravam de cor preta ou parda eram pouco mais de 7 de cada 10 entre aqueles com maior renda no


Tribuna da Bahia, Salvador
07/11/2019 07:50 | Atualizado há 12 dias, 8 horas e 10 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Cleusa Duarte


De acordo com a síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), ano passado, os baianos que se declaravam de cor preta ou parda eram pouco mais de 7 de cada 10 entre aqueles com maior renda no estado. Representavam 73,5% dos que tinham os 10% maiores rendimentos domiciliares per capita. O que significa que eram 509 mil das 692 mil pessoas que formavam o grupo dos que tinham renda domiciliar per capita média de R$ 3.588, no estado.

O rendimento domiciliar per capita é a soma de todos os rendimentos do domicílio (salários e outras fontes) dividida pelo número total de moradores. É uma medida da qualidade de vida e da condição socioeconômica.

A participação dos pretos ou pardos entre aqueles com maior renda domiciliar per capita na Bahia (73,5%) aumentou em relação a 2017, quando havia sido de 63,3%, atingindo, em 2018, o maior patamar desde 2012, ano em que se iniciou a série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC).

Foi também a participação mais elevada entre os estados e quase o triplo da verificada, em média, no país. No Brasil, em 2018, os pretos ou pardos eram 27,7% das pessoas com os 10% maiores rendimentos domiciliares per capita.

Apesar de terem aumentado sua presença entre os mais ricos, os pretos ou pardos baianos ainda eram sub-representados nesse grupo, ou seja, tinham uma participação (73,5%) menor do que na população total (81,1%). Essa sub-representação era uma realidade em todos os estados brasileiros e no país como um todo.

Na Bahia, porém, a diferença entre a participação dos pretos ou pardos no total da população (81,1%) e no grupo dos mais ricos (73,5%) caiu a seu mais baixo nível desde 2012 e também era, em 2018, a menor do Brasil (-7,6 pontos percentuais).

No país, a participação dos pretos ou pardos na população geral (55,8%) era o dobro da participação deles entre os 10% com maiores rendimentos domiciliares per capita (27,7%), ainda que essa diferença também tenha se reduzido e chegado ao menor nível em 2018.

De acordo com a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros”esse movimento é positivo, mas não sabemos como vai ser o comportamento daqui para frente. O que podemos observar é que em 2018 os mais ricos tiveram uma redução nas suas rendas médias, um grupo formado especialmente por brancos. Entre 2017 e 2018 somente os pretos e pardos tiveram aumento real de ganhos. Isso significa que a redução da desigualdade Social está diminuindo. E é importante destacar de que na Bahia ela foi maior do país.”

Já em termos de informalidade, em 2018, na Bahia como um todo, cerca de 6 em cada 10 pessoas que trabalhavam eram informais: 56,7% da população ocupada atuavam como empregados sem carteira assinada (incluindo domésticos), trabalhadores por conta própria ou empregadores que não contribuíam para a Previdência ou trabalhadores familiares auxiliares. Isso representava 3,3 milhões de trabalhadores.

O percentual de trabalhadores informais na Bahia (56,7%) é o sexto mais alto entre os estados e significativamente maior que a média nacional. No Brasil, em 2018, 41,5% das pessoas ocupadas estavam na informalidade, o percentual mais alto da série da PNADC, empatado com o verificado em 2012, ano de início da pesquisa.

Embora a informalidade no mercado de trabalho seja menor em Salvador do que na Bahia como um todo, a proporção de informais na capital cresce seguidamente desde 2014 e chegou, em 2018, a um recorde na série histórica (desde 2012). No ano passado, 4 em cada 10 trabalhadores soteropolitanos estavam na informalidade (40,3%, o que equivalia a 587 mil pessoas).

Na Bahia como um todo, a taxa de informalidade era um pouco maior entre os homens (57,9% dos que trabalhavam eram informais) do que entre as mulheres (55,2%) e praticamente não havia diferença entre os trabalhadores de cor branca (56,8%) e os de cor preta ou parda (56,6%).

Já em Salvador, as desigualdades eram mais visíveis, com a informalidade sendo maior entre as mulheres (43,0% das trabalhadoras eram informais) do que entre os homens (37,7%) e maior entre os trabalhadores que se declaravam pretos ou pardos (40,6%) do que entre os que se declaravam brancos (38,4%).

Em comum, os trabalhadores informais têm o fato de ganhar, em média, cerca de metade do que recebem aqueles em ocupações formais, tanto no país, como no estado e na capital.

Percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza volta a cair

Em 2018, o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza voltou a recuar tanto na Bahia quanto em Salvador e no Brasil, após ter aumentado por três anos seguidos (2015, 2016 e 2017). Ainda assim, no ano passado, 4 em cada 10 baianos (42,9%), 1 em cada 5 soteropolitanos (22,3%) e 1 em cada 4 brasileiros (25,3%) viviam nessa condição.

O Brasil não tem uma linha oficial de pobreza, mas, considerando-se o critério definido pelo Banco Mundial para países de renda média, de US$ 5,50 por dia em paridade de poder de compra (PPC), em 2018 ela ficava em R$ 413 mensais na Bahia e em Salvador. Viviam com menos que isso 6,3 milhões de baianos e 637 mil soteropolitanos.

Assim, Bahia era, em 2018, o estado brasileiro com maior número absoluto de pessoas abaixo da linha de pobreza. Em termos percentuais (42,9%) tinha a sétima maior proporção de pobres do Brasil.

Salvador, por sua vez, é a capital brasileira com a quarta maior população abaixo da linha de pobreza (e também a quarta maior população total), ficando com o 15º maior percentual de pobres.

No Brasil como um todo, a linha de pobreza ficava em R$ 420, e os 25,3% de pobres representavam 52,5 milhões de pessoas ganhando menos que esse valor por mês.

Bahia tem 13,0% da população em extrema pobreza

O valor de US$ 1,90 diário per capita em paridade de poder de compra (PPC) é o limite para a definição de extrema pobreza global, como explicitado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1.1 e na missão institucional do Banco Mundial. Na Bahia e em Salvador, essa linha equivalia, em 2018, a um ganho mensal de R$ 143. No Brasil como um todo, ficava em R$ 145.

No ano passado, 13,0% da população baiana viviam na extrema pobreza, ou seja, ganhando menos de R$ 143, o que correspondia a 1,9 milhão de pessoas. O estado se manteve com o maior contingente de pessoas em extrema pobreza do país, e o sétimo maior percentual.

O percentual baiano era o dobro do nacional. No Brasil, em 2018, 6,5% da população, ou 13,5 milhões de pessoas, viviam abaixo da linha de extrema pobreza. Porém, enquanto na Bahia esse percentual teve uma redução em relação a 2017, quando era de 13,7% (2,021 milhões de pessoas), no país houve uma variação para cima (era de 6,4% em 2017, 13,3 milhões de pessoas) e o número de extremamente pobres chegou ao seu maior patamar desde 2012.

Em Salvador, 4,3% da população vivia abaixo da linha de extrema pobreza em 2018, o que equivalia a 124 mil pessoas. Era o 5º maior número absoluto e o 14º maior percentual entre as 27 capitais. Houve uma importante redução nessa proporção em relação a 2017, quando 7,0% dos soteropolitanos viviam na extrema pobreza (199 mil pessoas).

Em 2018, quase 3 em cada 10 jovens de 15 a 29 anos de idade na Bahia (28,2%) não estudavam nem trabalhavam, o que representava quase 1 milhão de pessoas nessa situação em todo o estado (962 mil). Essa proporção cresceu pelo terceiro ano consecutivo, é maior que a média nacional (23,0%) e a nona mais elevada entre os estados.

Embora essa proporção (64,7%) na Bahia seja apenas a 15ª entre os 27 estados, o número absoluto que ela representa (623 mil) é o segundo maior do país, ficando abaixo apenas do verificado em São Paulo (902 mil pessoas).

Em Salvador, a proporção de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam, em 2018, era bem menor que no estado como um todo: 17,3%, o que representava 107 mil pessoas nessa situação. Era o sétimo menor percentual entre as capitais.

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