As opções do PT caso Lula seja libertado

Ao longo dos últimos 18 meses, o PT, partido que governou o país por 14 anos, adotou pauta única e exclusiva: "Lula Livre”


Tribuna da Bahia, Salvador
08/11/2019 05:30 | Atualizado há 11 dias, 10 horas e 33 minutos

   
Foto: Divulgação

Ao longo dos últimos 18 meses, o PT, partido que governou o país por 14 anos, adotou pauta única e exclusiva: "Lula Livre". A mensagem foi espalhada com relativo sucesso nas Américas e obteve endosso em figuras tão diversas quanto o presidente recém-eleito na Argentina, Alberto Fernández, e o pré-candidato democrata americano Bernie Sanders.

Nesta semana, no entanto, a sigla pode estar mais perto do que jamais esteve da libertação do ex-presidente. E na iminência de ter de definir o que fará quando o ex-presidente deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). “Desde que o Lula foi preso, o PT saiu do debate nacional. Não apresentou nenhum projeto próprio em relação às reformas, não se comportou como um partido que ganhou quatro eleições, que conhece o país e seus problemas. A agenda se resumiu a ficar na trincheira, fazendo o enfrentamento da prisão de Lula e nada mais. Agora será forçado a voltar à mesa e fazer política", critica um quadro do partido e ex-ministro da gestão Dilma Rousseff.

Preso pelo caso do tríplex no âmbito da Operação Lava Jato, Lula já recebeu sentença condenatória no Superior Tribunal de Justiça e começou a cumprir pena após a decisão em segunda instância.

Lula é potencial beneficiário do resultado do julgamento de ontem, ao lado de cerca de 5 mil presos, que também iniciaram cumprimento da sentença após julgamento em segunda instância. O ex-presidente será solto até que o próprio STF avalie se ele deve ou não ser condenado no processo em que é acusado de ter recebido um apartamento tríplex em troca de benesses à construtora OAS, como decidido pelas três instâncias anteriores.

Vários petistas ouvidos pela reportagem, no entanto, qualificam o julgamento de ontem como uma "armadilha", já que liberaria o ex-presidente da prisão, arrefecendo a pressão política sobre as instituições, mas não restituiria seus direitos políticos nem daria a ele o atestado de inocência que, reiteradas vezes, ele afirmou desejar.

"Na prática, se soltarem, soltam o Lula com uma faca no pescoço. Quando acharem conveniente, prendem de novo e garantem que ele não pode ser candidato", opina um dirigente paulista da sigla. Por não trazer os dividendos políticos desejados por Lula, o julgamento tem mobilizado baixas expectativas dos próprios correligionários.

Embora seja anterior à divulgação das mensagens trocadas por Moro e os procuradores do caso pelo site The Intercept, o habeas corpus incluiu essas novas informações e a defesa do petista acredita que a mudança de clima sobre a Lava Jato promovida pelas diversas reportagens sobre o material hackeado pode levar os ministros a anular o trabalho de Moro.

Não seria inédito. No mês passado, os juízes anularam sentenças da Lava Jato depois de concluírem que Moro não deu a palavra final à defesa do réu ao ouvir junto aos acusados as considerações de delatores. Se aceitar os argumentos da defesa de Lula agora, o STF anularia a sentença, o processo retornaria para a primeira instância e Lula voltaria à condição de ficha limpa, tendo inclusive direito a se candidatar, se desejar.


Por: Mariana Sanches - BBC News Brasil em Washington

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