Megaleilão comprova que a imagem do Brasil está “no subsolo”, diz Rui

Rui Costa disse que a ausência de interessados estrangeiros no megaleilão do pré-sal, que aconteceu na semana passada, comprova que a imagem do Brasil no exterior está “no subsolo”


Tribuna da Bahia, Salvador
12/11/2019 05:30 | Atualizado há 1 dia, 18 horas e 56 minutos

   
Foto: Manu Dias/GOVBA

Por: Rodrigo Daniel Silva - Repórter e agências


O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse, ontem, que a ausência de interessados estrangeiros no megaleilão do pré-sal, que aconteceu na semana passada, comprova que a imagem do Brasil no exterior está “no subsolo”. Sem concorrência e com lances mínimos, a Petrobras arrematou duas das quatro áreas oferecidas pelo governo no megaleilão. Na maior delas, teve parceria com as estatais chinesas CNOOC e CNODC.

“O mundo demonstrou na prática o que víamos dizendo. Eu vinha dizendo na imprensa que a imagem do Brasil nunca esteve tão ruim como está hoje, com esse desastre que é o governo federal. E, agora, ficou comprovado no leilão do petróleo que a imagem do Brasil não está no chão. A imagem do Brasil está no subsolo. E a gente precisa recuperar a imagem do nosso Brasil”, afirmou, durante a inauguração da décima quarta Policlínica Regional de Saúde em Senhor do Bonfim, no norte do estado.

Para Rui Costa, os investidores não têm confiança no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Nem petróleo eles estão conseguindo leiloar. No leilão que fizeram na semana passada, nenhuma empresa internacional veio concorrer. A Petrobras teve que comprar para o Brasil não passar vergonha internacional. Por que ninguém veio concorrer? Porque para a economia crescer, o país tem uma coisa que é preciso. A economia depende muito de uma palavra chamada confiança. Alguém só investe se tiver confiança”, declarou.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o governo sabia que o megaleilão seria um fracasso e para evitar a ausência de interessados estrangeiros, o presidente Jair Bolsonaro pediu ao dirigente da China, Xi Jinping, que as petroleiras chinesas participassem do certame. A conversa ocorreu durante visita oficial de Bolsonaro ao país, no fim de outubro. Naquele momento, o governo já sabia que o modelo previsto para a venda dos quatro campos do pré-sal não atrairia concorrentes.

O governador voltou a falar sobre a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi solto após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe prisão em segunda instância. Para Rui Costa, fez-se uma “correção de uma gigantesca injustiça” contra o “maior e melhor presidente da República que esse país já teve”. “Desejo do fundo da minha alma que o Lula, com toda sua liderança, possa pacificar o nosso país. Possa fazer com o que o nosso país possa se reencontrar. Possa fazer com que o nosso país possa voltar a gerar emprego de novo para o povo. Não é fácil governar um município e um estado em uma crise gigantesca que o

Brasil vive. Estamos há cinco anos em crise, em recessão sem gerar emprego, sem crescer. E eles só botando medida de retirar direito do povo, de maltratar o povo”, frisou.

O chefe do Palácio de Ondina ainda criticou, sem citar o nome, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que era juiz da Lava Jato e condenou o ex-presidente Lula. “Nós precisamos fazer com que a justiça não seja utilizada como ferramenta da disputa política partidária. Justiça é uma coisa muito nobre. Nenhuma democracia no mundo funciona sem justiça, sem juiz honesto, sem juiz sério. Nenhum lugar. A base de qualquer democracia no mundo é um sistema judiciário que o povo respeite. Que não faça perseguição a ninguém porque é branco ou negro, porque é alto ou é baixo, porque é rico ou pobre, porque é filiado a partido A, B ou C. Justiça não deve perseguir ninguém por opção religiosa, ou política. A justiça deve ser imparcial, honesta e séria. E tudo que não fizeram com Lula foi seriedade, imparcialidade e verdade. E agora a gente fica alegre com a injustiça sendo corrigida. Espero que Lula ajude a pacificar e harmonizar o nosso Brasil”, pontuou.

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