Debate na ABI homenageia os 170 anos do nascimento de Ruy Barbosa

Desembargador Lidivaldo Britto traçou uma linha do tempo para relembrar a trajetória do baiano que contribuiu para a Proclamação da República


Tribuna da Bahia, Salvador
14/11/2019 08:10 | Atualizado há 28 dias, 22 horas e 58 minutos

   
Foto: Divulgação

A fascinante trajetória do jornalista, jurista, político e diplomata Ruy Barbosa foi pauta “Temas Diversos”, na manhã desta quarta (13), na Associação Bahiana de Imprensa (ABI). Nesta edição do ciclo de debates, a ABI recebeu o desembargador Lidivaldo Brito, presidente da Comissão de Festejos dos 170 anos de Ruy Barbosa, 70 anos do fórum que leva o nome do baiano e dos 410 anos do TJ-BA. Como numa linha do tempo, Brito narrou a história de Ruy, desde a infância, sua intensa atuação como jornalista e advogado, e sua importante contribuição ao Direito e ao contexto sociopolítico brasileiro.

Brito lembrou que Ruy Barbosa foi colega de ícones das letras, da política e da advocacia brasileira, como Joaquim Nabuco, Afonso Pena e o abolicionista Luiz Gama. Não foi esquecida a sua relação com o amigo Castro Alves, seu contemporâneo de colégio, de curso e também de república estudantil. Segundo o desembargar, ao lado do poeta e de Luiz Gama, Ruy participou da campanha contra a escravidão, motivo pelo qual teria colecionado inimizades.

República e abolição da escravidão – “Eles participaram de grêmios abolicionistas. É aí que ele começa a escrever artigos para a imprensa e passa a ser conhecido pela sociedade paulista. Ruy era bombardeado pela igreja e pelos fazendeiros, que o acusavam de ser comunista e ateu”, contou. Para Britto, apesar da vasta atuação na advocacia, “O Maior dos Brasileiros” se realizava como jornalista. “Ele dizia que o jornalismo era uma atividade em que ele lidava com as ‘divinas palavras’”, afirma.

Ele também comentou sobre a polêmica queima de arquivos da escravidão, em poder de repartições públicas submetidas à autoridade do Ministério da Fazenda, após a Proclamação da República e, também, da abolição da escravidão. Ruy foi ministro ao longo do governo provisório de Deodoro da Fonseca, de 1889 a 1891. De acordo com Brito, os documentos de natureza fiscal seriam utilizados pelos ex-senhores de escravos. Segundo o desembargador, um grupo de escravocratas pretendia receber do governo republicano uma indenização “pelos prejuízos causados” pela lei de 13 de maio de 1888.

Homenagens

Ao longo de seis meses, ele e sua equipe empreenderam pesquisas com o objetivo de montar as homenagens que incluíram exposição, palestras, debates e sessões solenes. No debate de hoje, Brito contou curiosidades sobre a vida do jurista e detalhou o período de busca pelos dados que viabilizaram as celebrações. “Muitos brasileiros, inclusive dirigentes de instituições que tiveram a vida marcada por sua passagem, não sabem, por exemplo, que Ruy está sepultado no Fórum Ruy Barbosa. Pensam que está em algum cemitério de Salvador”, observa o desembargador.

A exposição montada no dia 4 de novembro, no Fórum Ruy Barbosa, segue aberta por um mês, podendo ser prorrogada. “Muitas peças não pertencem ao Tribunal. Diversas instituições colaboraram para a exposição emprestando seus acervos”, explica. O calendário alusivo a Ruy será fechado com o lançamento de um livro que está em fase de impressão, como marco dos 170 anos, e palestras nas faculdades de Direito.

O presidente da ABI, Walter Pinheiro, encerrou a reunião destacando a erudição e o conhecimento de Lidivaldo Britto. “Temos aqui um exemplo de douto saber. Uma sessão sensacional porque falar de Ruy e essas figuras espetaculares sempre enriquece a todos nós. Não podemos deixar que a história seja apagada”, afirmou. No último dia 7, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), com o apoio da ABI, da Ordem dos Advogados do Brasil (Seção Bahia) e do Tribunal de Justiça da Bahia, realizou uma sessão especial para lembrar a data.

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