Tite arrisca inglês, afaga Rivaldo e fala de jejum: "Neste momento de pressão é que precisa de técnico"

"I´m not happy", disse técnico a jornalistas locais. Ele confirmou cinco mudanças, voltou atrás sobre pênalti em Messi e se disse tranquilo para jogo com a Coreia: "Sou muito feliz e realizado"


Tribuna da Bahia, Salvador
18/11/2019 14:54 | Atualizado há 2 dias, 3 horas e 25 minutos

   
Foto: Pedro Martins / MowaPress

Na véspera do amistoso contra a Coréia do Sul, o último da Seleção neste ano, o técnico Tite concedeu uma longa entrevista coletiva nesta segunda-feira, que teve um pouco de tudo: bom-humor, respostas em inglês, temas espinhosos (como as críticas de Rivaldo) e análise sobre a má fase do Brasil, que não vence há cinco jogos.

Por mais de um momento, Tite falou que a Seleção passa por etapas de construção necessárias, mesmo que os resultados o sufoquem e tragam contestações a seu trabalho.

Ao lado de Cesar Sampaio, o treinador respondeu perguntas de jornalistas brasileiros e estrangeiros por 50 minutos. Em alguns momentos, ele dispensou o tradutor – "I´m not happy", disse sobre a fase da Seleção – e em outros fez intervenções para comentar assuntos que não foi perguntado, como o pênalti em Messi na última partida.

– Foi pênalti. Infelizmente, foi, é uma forma dura, foi acidental, mas acidental também é.

A partida contra a Coréia do Sul acontece no estádio Mohammed bin Zayed, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, às 10h30 (de Brasília).

Para este duelo, Tite confirmou cinco modificações em relação ao time que começou a partida contra a Argentina. O Brasil vai a campo com: Alisson, Danilo, Marquinhos, Militão e Renan Lodi; Fabinho, Arthur e Paquetá; Gabriel Jesus, Coutinho e Richarlison.

A formação foi mostrada em treino aberto, uma decisão tomada segundo o treinador para "deixar de tomar pau" da imprensa.

Questionado sobre a defesa do trabalho por parte dos jogadores, que chegaram a falar que ofereciam a vitória nesta terça ao treinador, Tite preferiu mudar o enfoque.

– Mais do que um afago para mim é para todo o trabalho desenvolvido. Fundamentalmente, eles sabem que devem fazer por si. É por eles, pela família deles e também pelo nosso trabalho. Volto a dizer: sei muito bem onde estou e que etapa de construção precisam ser feitas. Meu histórico me credencia, preciso passar para eles – disse o treinador, lembrando que as críticas são absorvidas com naturalidade.

– Eu preciso saber entender e passar a eles tranquilidade. Num momento de pressão precisa do técnico, e agora o técnico está aí, para oportunizar também. Nestes dois jogos, todos que foram construindo etapas terão oportunidades de jogar. Eu me cobro muito, não durmo legal. Para mim, excelência está com essa inquietude de todo mundo fazer o seu melhor em todas as áreas.

O treinador da Seleção também foi perguntado sobre as críticas de Rivaldo, pentacampeão pelo Brasil, que em post no Instagram reprovou a escolha de Tite por Paquetá como camisa 10.

– Opinião eu respeito, eu não opino. Opinião aprendi a respeitar, assim como tenho opinião clara sobre o Rivaldo, ele jogava muito, cara. Vem na minha cabeça aquele lance que ele domina no peito e faz aquele golaço pelo Barcelona.

"Rodrygo é com calma"

Tite disse que, mesmo sem grandes atuações, era hora de dar novas chances a alguns jogadores convocados. Citou Paquetá, que errou algumas bolas no início da partida, e confidenciou a conversa entre os dois depois da derrota para a Argentina.

– Tenho que entender esse processo, não tenho que confrontar ideias, tenho que ter as minhas ideias. São 30 anos de carreira, me lastreio, esse processo é importante para acertar lá na frente, necessário. Como avaliar o Militão? Botando para jogar. Como vou avaliar Paquetá? Botando em campo.

– Ele (Paquetá) me disse "eu tinha minha chance, fiquei ansioso demais". E agora, não boto mais para jogar? Ele tem que saber que vou colocar de novo. Tem minha confiança. Garotos jovens têm que se ambientar - disse Tite.

Ao ser indagado sobre outras chances – na primeira partida, ele fez seis alterações, todas permitidas –, Tite pregou paciência com o atleta mais jovem no grupo: Rodrygo, de 18 anos, do Real Madrid.

– Rodrygo é com calma, senão eu... O fato até de ter entrado no jogo (Argentina) foi um plus extraordinário. Estão entrando atletas mais rodados, que tem naturalidade maior. Tem o momento certo para fazer a coisa certa. Com 58 anos e tenho que ter responsabilidade, não posso exigir que um garoto de 18 anos tenha essa maturidade – afirmou Tite.

O treinador ainda respondeu sobre os 50 anos do milésimo gol de Pelé, a quem tratou como incomparável, falou mais a imprensa local sobre sua passagem como treinador no Mundo Árabe e abordou mais trocas de jogadores e de sistema.

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