Prefeitura lança plano para estimular afroempreendedorismo no turismo baiano

No total, estão sendo investidos cerca de R$ 13,5 milhões no Plano de Ação do Turismo Étnico-Afro de Salvador, proposta desenvolvida pelas secretarias municipais de Cultura e Turismo (Secult) e da Reparação (Semur)


Tribuna da Bahia, Salvador
30/11/2019 12:48 | Atualizado há 9 dias, 21 horas e 3 minutos

   
Foto: Valter Pontes/Secom

Por: Rayllanna Lima


Visando transformar Salvador em um dos principais destinos étnico-afros do mundo, a Prefeitura criou um programa para estimular o afroempreendedorismo no turismo da capital. Baianas de acarajé, capoeiristas, estilistas e donos de estabelecimentos dos mais variados segmentos deverão ser beneficiados com ações práticas de capacitação e promoção de negócios para negros.

No total, estão sendo investidos cerca de R$ 13,5 milhões no Plano de Ação do Turismo Étnico-Afro de Salvador, proposta desenvolvida pelas secretarias municipais de Cultura e Turismo (Secult) e da Reparação (Semur). Ao longo de nove meses, 510 pessoas da população negra envolvidas com o turismo da cidade foram ouvidas para melhor definir as estratégias capazes de possibilitar políticas públicas concretas para reparação social e geração de emprego e renda.

Todo o projeto foi detalhado em cerimônia realizada nessa sexta-feira (29) no Teatro Gregório de Mattos, na Praça Castro Alves, com as presenças do prefeito ACM Neto e do vice Bruno Reis. No ato, o chefe do Executivo municipal explicou que trata-se de uma “ação de médio a longo prazo que será deixado como um legado para a cidade”, superando “o tempo e os governos”.

“É impossível não reconhecer que existe sim uma reparação histórica que precisa ser feita. Não temos secretaria para jogada de marketing. São ações para que o plano possa sair do papel e se transformar em ações definitivas que vão ter impacto na vida das pessoas. As políticas ficam, a cidade fica, a prefeitura fica, e a gente precisa ter essa consciência. É fundamental que esse plano tenha legitimidade para que possa perpassar governos”, disse.

Secretária municipal de Reparação, Ivete Sacramento, enquanto mulher negra e militante do povo negro, define a iniciativa como um marco histórico”. “Muita gente me pergunta por que eu, militante negra, faço parte da gestão de ACM Neto. E eu gosto de repetir as suas primeiras palavras para mim: ‘Gostaria que ao final da minha gestão ninguém chamasse Salvador e nem a mim de racista’. Isso é um desafio. Nós somos a única cidade no país que tem uma secretaria de reparação social. Este é um plano construído em conjunto com o povo negro e para o povo negro. Isso é um fato inédito”, afirmou.

E continuou: “Só quem vem nessas lutas há muito tempo sabe o que é incluir a comunidade de 80% da população negra no seguimento. Porque quando se fala em turismo, não é a pessoa negra que aparece, é sempre o branco europeu. Havia a limpeza étnica, de tirar do caminho pretos e pobres para que o visitante tivesse uma imagem diferente da Bahia. Esse é um momento histórico, não é um legado de baixo para cima, ajudamos a construir. Estamos entregando um plano que foi construído pelo povo negro atuante nos setores culturais do turismo de Salvador”, reforçou Sacramento.

Plano possui 4 eixos para criar novos produtos e fortalecer os tradicionais

Durante o lançamento do plano no Teatro Gregório de Mattos, o secretário municipal de Cultura e Turismo, Claudio Tinoco explicou que a proposta é dividida em quatro eixos, sendo primeiro deles Informação e Governança, que consiste no cadastro de produtos, serviços e produtores étnico-afro, a fim de dar visibilidade e gerir um acervo de opções turísticas, com a criação de website, calendário de encontros temáticos, rodadas de negócios e a criação de um Grupo de Trabalho no Conselho Municipal de Turismo.

Intitulado de Capacitação e Renda, o segundo eixo propõe a capacitação de afroempreendedores para que melhorem as ofertas de produtos e serviços, gerando aumento de renda e movimentação na economia de Salvador. Nesse ponto será criada uma plataforma educacional de capacitação e consultoria que fará parte do ciclo de capacitação e negócios, composto por cursos e oficinas, consultorias e materiais, além de rodadas de negócios.

No eixo 3, de Produtos Turísticos, serão criados novos produtos afro, além de promover o fortalecimento dos tradicionais..Dentre as ações está o Salvador Capital Afro, movimento a ser realizado em novembro de 2020 para comercializar produtos e serviços do segmento. Também serão promovidos a Sistematização de Experiências e Roteiros Turísticos e o fortalecimento das baianas.

Já o quarto e último eixo trata das Ações Integrativas, com a criação de um sistema de divulgação para o setor. Serão realizadas ações englobando o reforço da comunicação por meio das área de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa, além de outras iniciativas como o Selo da Diversidade, Quali e Capacita Salvador e Estratégia de Turismo Digital.

“Turismo cultural e reparação andam juntas. Vamos incorporar a população negra, afrodescendente, afrobaiana nas atividades. Que as mulheres negras possam estar inseridas e fortalecidas nessas ações realizadas no turismo. Não é apenas reparar, mas reconhecer a força da cultura afro de Salvador”, disse Tinoco.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas