Edvaldo Brito torna-se imortal na Academia de Letras da Bahia

Ele sucede o escritor e engenheiro Guilherme Requião Radel na cadeira de número 3, que tem como patrono o poeta, advogado e vereador Manoel Botelho de Oliveira, que viveu no século XVII


Tribuna da Bahia, Salvador
30/11/2019 12:53 | Atualizado há 9 dias, 21 horas e 27 minutos

   
Foto: Divulgação

O professor, jurista e vereador Edvaldo Brito foi empossado na Academia de Letras da Bahia ontem,29, às 20 horas. Ele sucede o escritor e engenheiro Guilherme Requião Radel na cadeira de número 3, que tem como patrono o poeta, advogado e vereador Manoel Botelho de Oliveira, que viveu no século XVII. Brito comemorou essa imortalidade, pois estará celebrando a memória de antepassados e personalidades atuais que honram a Bahia, como Ruy Barbosa e seu mestre Orlando Gomes, os colegas da Faculdade de Direito Cyro de Mattos, João Ubaldo Ribeiro e Joaci Góes, atual presidente da ALB, além dos negros, como ele, que cada vez mais são admitidos na instituição, a exemplo de Teodoro Sampaio, Ernesto Carneiro Ribeiro, Padre Sadoc, Mãe Stela de Oxóssi, Juarez Paraíso e Muniz Sodré. Com especial destaque, segundo ele, para o ex-governador Roberto Santos, com quem convive há mais de 40 anos, tendo sido seu secretário de Justiça e prefeito de Salvador indicado por ele. “A Academia não é mais um pequeno espaço da intelectualidade baiana que se preocupa com as abstrações da vida. Hoje ela está com os pés plantados dentro dos problemas da sociedade, buscando soluções”, comemora o jurista.

Prêmio para Dona Edite

Edvaldo Brito dedicou essa conquista a sua mãe, Dona Edite, uma lavadeira semialfabetizada de Muritiba, no Recôncavo baiano, onde ele nasceu: “Se não fossem os conselhos e esforços dela, eu não chegaria até aqui. Por isso, esse troféu é dela. Para mim a Academia é um troféu que entrego à memória da minha mãe. Eu tenho 82 anos e imagine quando eu nasci o estado de pobreza. Ela não tinha dinheiro para comprar sequer a galinha para o escaldado de parida. E, no dia em que nasci, passou na porta um bicheiro, que propôs um jogo. Minha mãe respondeu que não tinha dinheiro. Ele argumentou que fizesse o jogo, e, se ganhasse, descontaria o valor da aposta. Se perdesse, pagaria quando pudesse. Ela mandou que fizesse a fé no 65 e ganhou. Sempre contava esse fato e dizia: ‘Meu fio, você é tão bom que me trouxe o que comer’. Mas, foi ela quem sempre me alimentou, porque, além do leite da amamentação, da comida que com dificuldade fez para mim, me deu o alimento do espírito. Por isso que eu digo que o troféu é dela. ‘Estuda Edvardo, para tu ser um grande homi’. Dite, toma agora o resultado da sua profecia”.

Atuação

Brito, que tem mais de 70 livros publicados e está escrevendo suas memórias, festeja a Academia por ter hoje uma atuação mais ampla, ter uma participação ativa no olhar para a cidade. “Eu acho que posso contribuir muito, pois sob a presidência de Joaci Góes todos trabalhamos. Posso dar cursos e palestras com temas importantes, para pessoas interessadas nessas áreas. Até porque hoje estamos no mundo do empoderamento digital, na ampliação do conhecimento. Quem não acompanhar, morreu”, conclui o mais novo imortal da Bahia.

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