Sem partido, Bolsonaro reduz apostas para eleições de 2020

O presidente Jair Bolsonaro vem orientando os apoiadores que sonham chegar às prefeituras em 2020 a terem um plano B


Tribuna da Bahia, Salvador
03/12/2019 09:40 | Atualizado há 7 dias, 10 minutos

   
Foto: Reprodução/Exame/Abril

Sem ter certeza de que o Aliança pelo Brasil, seu novo partido, será homologado antes das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro vem orientando os apoiadores que sonham chegar às prefeituras em 2020 a terem um plano B, buscando abrigo em alguma legenda para não ficarem de fora da disputa. O presidente tem prometido também, conforme relatos feitos ao GLOBO, que dará seu apoio a alguns poucos candidatos considerados de confiança e alinhados ideologicamente em cidades estratégicas.

Na avaliação de Bolsonaro e seu filhos, este é o momento em que é melhor "perder em quantidade para ganhar na qualidade dos candidatos". O pano de fundo dessa estratégia é evitar que se repita o que houve nas eleições do ano passado, quando vários candidatos a deputados e senadores se elegeram sob o manto do bolsonarismo pelo PSL , mas romperam com o presidente no racha envolvendo a crise com a legenda comandada por Luciano Bivar .

Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Belém e Campinas são alguns dos municípios nos quais o presidente planeja se empenhar pessoalmente. Nessas cidades, os nomes que surgem mantêm uma relação próxima com a família Bolsonaro.

“Vale mais prezar a qualidade do que a quantidade. Vimos no PSL figuras que surfaram a onda Bolsonaro e agora estão jogando contra o governo. Então, nem sempre você eleger uma pessoa é bom. Tem que ser uma pessoa verdadeiramente alinhada, mas quem vai definir os critérios de apoio é o próprio presidente”, diz o deputado estadual de Minas Gerais Bruno Engler, que deseja seguir o presidente rumo ao Aliança.

Fundador do Direita Minas, Engler, de 22 anos, teve o apoio da família Bolsonaro quando se candidatou a vereador em Belo Horizonte, em 2016, e no ano passado, ao se eleger para a Assembleia Legislativa de Minas. Apontado como candidato certo de Bolsonaro na capital mineira, Engler diz estar confiante de que o Aliança estará apto para as eleições, mas sem descartar buscar outro caminho caso a estratégia naufrague.

“Agora é tempo de trabalhar para que o Aliança esteja pronto nas eleições municipais, mas eu coloquei meu nome à disposição. Se o presidente Bolsonaro entender que eu sou o melhor nome para a missão, eu vou abraçá-la. A palavra final é dele, não minha”, disse Engler, que acompanhou Bolsonaro em agendas em Minas Gerais e no Rio na semana passada.

Para atingir o sonho de se lançar à prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) já ensaia se desfiliar do PSC do governador Wilson Witzel . Bolsonarista convicto, busca o Aliança, mas, caso a legenda não seja homologada a tempo, já recebeu orientação da família presidencial sobre qual alternativa buscar. “Fui orientado pelo Flávio (Bolsonaro) a procurar o Patriota. Acho que ali as portas estão abertas”, afirmou Otoni.


Jussara Soares e Naira Trindade - O Globo

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