Hotelaria supera crise da Avianca e as manchas de óleo

Em meio ao 'caos' os resultados da ocupação hoteleira na capital baiana superaram o ano anterior e tende a ser mais expressiva em 2020


Tribuna da Bahia, Salvador
11/01/2020 14:00 | Atualizado há 15 dias, 15 horas e 33 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Lício Ferreira


Mesmo com a crise da Avianca e as manchas de óleo espalhadas pelas praias do Nordeste e, em particular, no litoral baiano, os resultados da ocupação hoteleira na capital baiana superaram o ano anterior e tende a ser mais expressiva em 2020. A expectativa do setor está centrada no futuro crescimento da economia brasileira; no novo Centro de Convenções de Salvador (CCS); na requalificação da infraestrutura do Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães; e, especialmente, nos 11 feriados prolongados apresentados na folhinha.

“Em 2019, a rede hoteleira de Salvador apresentou de janeiro a dezembro uma Taxa de Ocupação de 62,49% - incremento de 0,34% em relação ao mesmo período do ano anterior (62,15%); a Diária Média apresentou um crescimento de 27,43%, passando de R$ 228,18 em 2018 para R$ 290,78 em 2019, influenciado, em boa medida, pela entrada de hotéis de luxo no mercado”, garante o novo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-BA), Luciano Lopes.

Segundo ele, o Revpar (indicador ponderado de taxa de ocupação e diária média) cresceu 28,13%, com R$ 181,71, situando-se acima do igual período de 2018 (R$ 141,82). “Levando em consideração os dados sem os hotéis de luxo, o resultado da taxa de ocupação seria de 63,66%, a Diária Média de R$ 248,27 e Revpar de R$ 158,06”, justificou.

CRISE DA AVIANCA

Durante a coletiva realizada pela manhã no Hotel Fasano, na Praça Castro Alves, Luciano Lopes disse que a Taxa de Ocupação permaneceu praticamente estável em relação ao ano de 2018 em função da redução do número de passageiros do Aeroporto de Salvador em decorrência da crise da Avianca. “Essa situação provocou uma redução de 3,8% no número de passageiros na capital baiana, no período de janeiro a novembro de 2019, em relação ao mesmo período de 2018, e também um aumento considerável nos preços das passagens, sendo assim a estabilidade da Taxa de Ocupação é um resultado positivo”.

Ainda segundo o presidente da ABIH-Bahia, em dezembro de 2019, a taxa de ocupação foi de 60,15% comparando-se com o mesmo período do ano anterior, que foi 64,40%, representando uma redução de 4,25%. “A diária média teve um crescimento de 29,23% (R$ 318,31 em 2019 e R$ 246,32 em 2018), enquanto o Revpar cresceu 20,70%, passando de R$ 158,63 em dezembro de 2018 para R$ 191,46 em 2019. Levando em consideração os dados sem os hotéis de luxo, o resultado da taxa de ocupação seria de 60,90%, a de Diária Média de R$ 270,62 e Revpar de R$164,8”, explicou.

Os dados apresentados na coletiva reforçam o trabalho intensivo da ABIH-BA, desde 2016, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador com o objetivo de promover o Destino Salvador nos principais pólos emissores. “Realizamos em 2019 diversas ações promocionais, como: o Road Show, FAM Show de Agentes de Viagem, FAM Show para operadores de viagem, Rodada de Negócios, Hospitality Experience”, enfatiza Lopes.

INCENTIVOS FISCAIS

Para a diretora da Associação, Renata Prosérpio (Mar Brasil Hotel) uma outra conquista significativa foi a assinatura do termo que concedeu incentivos fiscais ao setor hoteleiro de Salvador, que permitiu o pagamento de dívidas tributárias municipais com desconto de até 100% de multa de encargos monetários e a redução em até 40% no IPTU. “Este era um pleito antigo do setor da hotelaria, para minimizar o fechamento de hotéis e as perdas na taxa de ocupação da hotelaria, sendo possível investir em treinamentos, requalificação da rede hoteleira e gerar emprego e renda”, justificou.

O ex-presidente da ABIH-BA, Glicério Lemos, que liderou as tratativas com a Prefeitura Municipal de Salvador acrescentou que de acordo com a entidade os resultados tendem a ser mais expressivos em 2020. “Acreditamos que este ano teremos um desempenho ainda melhor que no ano passado, como a expectativa de crescimento da economia, novo Centro de Convenções, requalificação da infraestrutura do aeroporto e mais feriados prolongados", concluiu. Os números oferecidos no evento são fruto da Pesquisa Conjuntural de desempenho (Taxinfo), realizada em parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – seções Bahia e Brasil. “Os dados são fornecidos diariamente pelos próprios hotéis ao Portal Cesta Competitiva e a média resultante constitui indicador para avaliar a evolução da atividade de hospedagem em nossa capital”,completa Glicério Lemos .

ISENÇÃO DE VISTOS

De acordo com levantamento inédito do grupo Amadeus, uma das maiores empresas de tecnologia e viagens do mundo, os números de reservas confirmadas para o período de janeiro a setembro 2020 por turistas do Canadá, da Austrália, do Japão e dos Estados Unidos seguem em alta em relação ao mesmo período de 2019. O maior crescimento está na quantidade de reservas efetuadas para o mês de junho de 2020 por esses quatro países juntos: 158% a mais em relação ao mesmo mês de 2019, que já havia demonstrado aumento se comparado a junho de 2018. Na mesma projeção, a segunda melhor média para o ano que vem ficou em julho, com índice de 148%, seguido de 104% a mais de reservas confirmadas para setembro; 118% em maio; 54% em agosto e 42% em março de 2020.

Se comparado as viagens já reservadas para os 10 meses de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019, o crescimento dos quatro países individualmente também é expressivo. O Canadá lidera as viagens já reservadas para o Brasil com 105% de aumento, seguido da Austrália com 62%; Japão 41%; e Estados

Unidos com 22%. A procura pelo destino Brasil também apresentou aumento. A pesquisa mostra um crescimento no interesse de 32% dos norte-americanos, 38% dos canadenses, 37% dos australianos e 30% dos japoneses. Os percentuais são comparações entre as buscas realizadas pelos turistas dos quatro países para os 10 primeiros de 2020 em relação aos 10 primeiros meses de 2019.

Vigente desde 17 de junho de 2019, a isenção de vistos é uma demanda histórica do setor. Dados divulgados em agosto pelo Ministério do Turismo, com base em informações do Banco Central, já haviam mostrado os impactos positivos para a economia brasileira com a medida. Em julho de 2019, US$ 598 milhões foram injetados na economia brasileira pelos turistas estrangeiros, contra US$ 417 milhões registrados no mesmo período do ano anterior, um aumento de 43,4%. Já em comparação com o mês de junho deste ano, o aumento foi ainda maior: 59,8%. Tirando o ano da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, esse foi o maior crescimento dos últimos 16 anos.

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