ARTIGO: Vem aí mais uma galinha gorda com o nosso dinheirinho

Por: Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
14/01/2020 06:40 | Atualizado há 7 dias, 14 horas e 9 minutos

   

Quando Lula criou o Bolsa Família as críticas da parcela produtiva da sociedade, a mesma que se alinha hoje com as propostas e o governo Bolsonaro, foram contundentes. Pegar o rico dinheirinho dos cofres da "viúva" para destinar a quem não fazia nada era um escárnio diante das necessidades de investimentos que o Brasil sempre careceu.

E os argumentos eram embasados em teses até razoáveis, não fosse a insensibilidade contida no protesto. Que o Brasil acabaria gerando um exército de desocupados, bafejados pelo Bolsa Família, que daí em diante sim é que não fariam mais nada, nem lutariam por mudar de vida. Quando muito fariam filhos para engordar a poupança mensal.

Lula se foi e hoje vaga sabe-se lá por onde. Disseram até que viria morar na Bahia, prisioneiro de um passado, sentenciado pelos senhores juízes - Moro à frente - e as diversas esferas judiciais, com poder limitado, pelas estripulias cometidas por alguns aliados, impedido de voltar ao Planalto.

Mas a semente que plantou, naturalmente pensando no voto dos pobres e desvalidos, segue sendo regada pelo atual governo e com fertilizantes cada vez mais poderosos, como se o objetivo fosse melhorar as condições de vida dessa gente, quando os erros apontados no passado seguem sem correção até hoje. A legião de desempregados só aumenta e no campo a situação então é mais grave.

Agora mesmo o Planalto fala numa reestruturação do Bolsa Família e que vai além do 13º agregado aos soldos pagos desde o ano passado. A dose de bondade vinda dos cofres públicos e dos impostos pagos a cada santo dia pelos que efetivamente produzem nesse país, prevê aumentar a renda de 10 milhões de beneficiários mais pobres que já estão no programa social. Algo que deve custar em torno de R$ 7 bilhões à União.

Uma galinha gorda de R$ 7 bi disfarçada por algumas contrapartidas vendidas como a razão do desvio dessa dinheirama das tetas da "viúva". E começa ajustando uma tal linha de corte para a concessão do benefício às famílias, classificadas como em extrema pobreza (até R$ 89 per capita) e pobreza (até R$ 178 per capita).

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirmou que as faixas de enquadramento do programa serão reajustadas para R$ 100 e R$ 200 respectivamente, o que na prática vai aumentar o valor do benefício para famílias em condições de maior miséria.

Ou seja: para reajustar a linha de corte do Imposto de Renda, do trabalhador que sua a camisa todos os dias para bater ponto no trabalho, defasada em 100%, não há recursos. Que se explodam esmagados na sofrida classe média, obrigados a pagar escola para os filhos, um plano de saúde, quando possível, ao menos para o recém-nascido, enquanto seguem tolidos nos seus direitos, esquecidos das benesses que nunca lhes chegam.

Já o Bolsa Família segue aumentando seu alcance. Hoje atende a 13,5 milhões de famílias e tem orçamento total de R$ 30 bilhões. É isso mesmo que você leu: R$ 30 bilhões. “É um público que está na fronteira da miséria, da pobreza extrema”, justifica o ministro. Argumento bem razoável, mas que comporta uma interrogação. Por que a União não se volta para  essas famílias com um programa que abrigue essa mão de obra ociosa, por exemplo, no campo?  

Mas não. Soa melhor agregar à velha e boa Bolsa Família, aquela que já ganhou 13º, uma pontinha mais, vinda dos cofres públicos, gestada nos gabinetes onde parece se buscar mais fórmulas de gastar do que economizar e produzir. Assim, vem aí um bônus para as famílias com filhos que passarem de ano e tiverem bom desempenho escolar, com nota superior a sete.

Ah, e as famílias que tiverem jovens fazendo curso profissionalizante também serão beneficiadas, acena envaidecido o Ministro Osmar Terra.  Você pensa que acabou? Não. As famílias que têm um filho pequeno também vão ganhar mais. O programa já dá um benefício para a mãe com filho recém-nascido, de zero até os seis meses, mas a idéia é ampliar esse valor.

Questionado, o ministro não quis antecipar os valores exatos das bonificações e vantagens e da ampliação do repasse básico às famílias, mas afirma que será um valor considerável, capaz de estimular a família a ser “protagonista” das mudanças.

Ah, tá! Imagino!


*Paulo Roberto Sampaio é diretor de Redação da Tribuna

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