Muita euforia, mas a festa aconteceu na Bovespa

Por: Gerson Brasil, Secretário de Redação da Tribuna


Tribuna da Bahia, Salvador
14/01/2020 07:00 | Atualizado há 23 dias, 10 horas e 49 minutos

   
Foto: Divulgação

O comércio comemorou, o consumidor lotou as lojas, parlamentares e governo colocaram os devidos chapéus na pequena mais sustentável melhora da economia, mesmo com mais de 11 milhões de desempregados. Mas quem fez a festa de final de ano foi a Bolsa de Valores de São Paulo. Quieta e ainda bem longe do trabalhador e dos investidores, a Bovespa fechou o ano de 2019 com alta de 32% por cento, a 117 mil pontos.

Todos as aplicações financeiras, CDB, CDI etc se deram mal. Em alguns casos chegaram até perder da poupança, que não é aplicação financeira e sim uma invenção brasileira para resguardar um pouco o poder de compra da moeda. Afinal nunca se sabe quanto vale o Real. Ás vezes R$100 sai por R$85 num mês no outro pode variar para R$95 ou R$ 87, tudo depende da inflação.

A Bovespa não chegar a ser aquele bicho escuro, que o mundo sonha nas entranhas, mas caminha para fazer uma ponte com a população economicamente ativa e o mercado não vê hora de poder contar não mais com 1.600 mil investidores, e sim com 3,4,5 milhões de aplicadores. De 2018 para 2019, o número de brasileiros ancorados na Bolsa dobrou, passou de 800 mil para 1,6 milhão. Ou seja, nos primeiros assentamento das medidas liberais, de Guedes, o mercado de ações saiu na frente e aposta para este ano 200 pontos. É bem distante dos 23 mil pontos da Bolsa de NY, mas deixa para trás aqueles 72 mil pontos que vigorou de 2006 a 2010.

Esse movimento em direção a compra de ações de empresas certifica a exaustão do rentismo e por conseguinte uma mudança na esfera dos ganhos de capitais. Depois do Plano Real, que estabilizou a moeda, esse é o segundo movimento mais importante da economia brasileira. No more subsídios às empresas, especialmente aos colossos campeões, não mais juros estratosféricos e inflação descabelada. Nesse caso só cabe na mulher de Monsueto, que a ama de qualquer jeito.

Sem aqueles juros maravilhosos, as aplicações em títulos do tesouro mixaram; era um bom porto seguro, porque se houvesse uma hecatombe o capital estaria garantido, porém inibia o mercado de debêntures, ou seja, as empresas não as poderiam lançar, porque dificilmente exibiria competitividade frente aos títulos do governo.

Esse movimento da Bolsa traz dois aprendizados. Para a empresa, que deve se planejar para abrir o capital, especialmente aquelas de donos, e ao investidor a expertise do melhor momento para comprar, para vender ou para ficar a longo prazo no mercado de ações, se remunerando de dividendos.

Se a empresa vai mal, o risco sobe e traz consigo perdas. Quando a empresa decola e sai de 2 para digamos 10, na multiplicação do valor da ação, o ganho é extraordinário. Novas fortunas vão surgir e na outra porta muita gente vai perder. É o risco. Mas é na Bolsa que as empresas se capitalizam e com isso expandem seus negócios, criando riqueza e, claro, empregos. Fora disso, há o financiamento de fundos de investimentos e hoje muito pouco dos bancos. O Brasil sempre passou distante do capitalismo e mais ainda do liberalismo econômico. E não é de hoje. Que o diga o poeta romântico maranhense Sousândrade, com sua linguagem inventiva e moderna, datada de fins de século XIX, mas exibindo horror ao capitalismo, em “O Inferno em Wall Street”.

- Harlem! Erie! Central! Pennsylvania! = Milhão! Cem milhões!! Mil milhões!!! - Young é Grant! Jackson, Atkinson! Vanderdts, Jay Goulds, anões. Fraude é o clamor da nação... Roma começo pelo roubo; New York rouba nunca a acabar.

É hora de mudar o dial. A rentabilidade dos fundos alimentados por ações de empresas menores chegou perto de 50% em 2019. No YuTube Rainbow, na elegância de Judy Garland.

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