Retomada do emprego dos jovens ainda é um grande desafio

Assim sendo, o desafio da retomada continua posto. As expectativas de redenção, agora, se encontram todas projetadas para 2020


Tribuna da Bahia, Salvador
15/01/2020 09:57 | Atualizado há 18 dias, 1 hora e 49 minutos

   
Foto: Reprodução

Por: Lício Ferreira


Ainda é um grande desafio a ser vencido pelas autoridades a retomada do emprego dos jovens neste país. O ano de 2019 chegou ao seu final e não houve mudanças significativas em termos de desempenho da economia e, por extensão, dos empregos. Assim sendo, o desafio da retomada continua posto. As expectativas de redenção, agora, se encontram todas projetadas para 2020. No entanto, faz-se importante preservar o alerta: a lentidão se manterá como principal predicado desse percurso.

A informação é do técnico da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Luiz Fernando Lobo, para quem o mercado de trabalho, cuja dinâmica apresenta movimentos retardados perante os ciclos econômicos, também enfrenta atribulações e, por isso, sua reabilitação deve ser compreendida como um processo lento e gradual. “Ainda que os últimos resultados permitam crer que o cenário conjuntural adverso tenha ficado para trás, não se pode defender a ideia irrestrita de progresso sustentável e robusto”, destaca.

Luiz Fernando Lobo diz, ainda, que sem desconsiderar a ocorrência de resultados positivos, a evolução do mercado de trabalho não pode ser contemplada sem que esteja emoldurada por ressalvas. “Na Bahia, especificamente, vale destacar que a fase atual de geração de postos formais tem sido muito mais vagarosa e menos impactante do que a de supressão líquida vivenciada nos meses de crise”.

Na época, o saldo de aproximadamente 73 mil vagas, geradas de janeiro de 2017 a novembro último, sequer alcançou a metade do montante de quase 150 mil postos eliminados em 2015 e 2016. Também a taxa de desocupação, no último ano, permaneceu acima das observadas em 2018; o tempo de permanência na desocupação aumentou ao longo do ano passado; o exército de desalentados no estado se mostrou nos maiores níveis da série e se manteve como o maior do país em 2019; e o rendimento médio real dos trabalhadores locais só fez cair ao longo deste último ano. “Tudo isso sem se debruçar sobre a qualidade das ocupações geradas”, sintetiza Luiz Fernando Lobo.

PROGRESSO GRADATIVO

Conforme o técnico da SEI, as informações disponíveis e os resultados conhecidos sugerem que o mercado de trabalho local se encontra numa rota de ‘progresso gradativo’, mas pouco disseminado e robusto. Dessa maneira, apesar da recomposição de alguns indicadores no período recente, fica patente a necessidade de maiores avanços para se ter caracterizada uma recuperação ampla e enraizada.

“Assim sendo, num cenário em que a recuperação econômica ocorre de forma irregular, lenta e pouco vigorosa, a inserção da população jovem no mercado de trabalho se mostra ainda mais comprometida. O que normalmente se apresenta como uma realidade desafiadora assumiu contornos bem mais hostis na conjuntura recente”, enfatiza.

No terceiro trimestre de 2019, último dado disponível, independentemente de qualquer recorte, a desocupação na Bahia como um todo atingiu 16,8% da população na força de trabalho. O resultado em questão representou a maior taxa trimestral de desocupação entre os registros dos terceiros trimestres desde o início da pesquisa. Para o Brasil como um todo, a taxa foi de 11,8% no referido trimestre, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A desocupação entre os jovens, por sua vez, seguindo o roteiro histórico, como já imaginado, permaneceu acima da média geral e, também, da dos demais segmentos populacionais ao longo de 2019, configurando-se em um dos muitos indícios da necessidade de um olhar peculiar por parte do poder público para este grupo populacional.Nas pesquisas, o jovem é entendido como aquele indivíduo com idade entre 15 e 29 anos, conforme Estatuto da Juventude (lei n° 12.852 de 5 de agosto de 2013).

DESIGUALDADE VIGENTE

Para Lucigleide Nascimento, integrante do corpo técnico da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), há desigualdade na incorporação do jovem no mercado de trabalho (apesar de que, em geral, essa desigualdade não se restringe apenas aos mesmos, de forma que nem todos conseguem emprego (principalmente, emprego formal) e nem todos alcançam a qualificação necessária para o ingresso no mercado de trabalho. Nesse contexto, Lucigleide Nascimento expõe o paradoxo: “Diante das exigências de prática e vivência por parte do mercado de trabalho, como obter o primeiro emprego se muitos dos jovens não possuem experiência?

Ainda de acordo com Lucigleide Nascimento, a situação dos jovens não apresenta uniformidade e difere em diversos aspectos: gênero, cor/raça, condição social, situação censitária. Por exemplo, há maior oportunidade de educação formal no meio urbano do que nas zonas rurais. Consequentemente, diante das diversidades que compõem o grupo dos jovens, há motivos distintos para a não participação/ingresso no mercado de trabalho.

Limitando-se a uma análise do subgrupo de jovens entre 18 e 24 anos, pode-se constatar que a taxa de desocupação ficou em 34,2% no terceiro trimestre do ano passado na Bahia – ou seja, 14,4 pontos percentuais acima da média do estado. “Trata-se do maior registro para um terceiro trimestre e do quarto maior de toda a série histórica. Portanto, pouco mais de um terço da força de trabalho de jovens baianos de 18 a 24 anos se encontrava na condição de desocupado no penúltimo trimestre do ano recém encerrado. Além do mais, segundo a distribuição percentual dos desocupados baianos, 29,3% deles possuíam idade entre 18 e 14 anos no referido intervalo” finaliza.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas