Ministério da Saúde alerta para surto de dengue no Nordeste

Segundo o Ministério da Saúde, nove estados do Nordeste correm o risco de terem surtos da doença, assim como o Espírito Santo e Rio de Janeiro, a partir de março


Tribuna da Bahia, Salvador
16/01/2020 10:24 | Atualizado há 12 dias, 3 horas e 55 minutos

   
Foto: Divulgação

Por: Poliana Antunes


A preocupação das autoridades em relação à proliferação dos mosquitos, em especial o Aedes Aegypti continua muito grande. De acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), durante todo o ano passado, foram notificados 67.453 casos prováveis de dengue no estado, desses, 88 pessoas foram a óbito. No mesmo período de 2018, foram notificados 9.553 casos, o que representa um aumento de 606,0%. Em 2020, o alerta é máximo. Segundo o Ministério da Saúde, nove estados do Nordeste correm o risco de terem surtos da doença, assim como o Espírito Santo e Rio de Janeiro, a partir de março.

Em entrevista ao G1, o porta voz do Ministério da Saúde Rodrigo Said, disse que a dengue é uma doença sazonal e o quadro é dinâmico e pode mudar em pouco tempo, mas, no momento, os nove estados do Nordeste e as regiões do Sudeste com grande contingente populacional, pouco afetadas em 2019 estão no nosso alerta.

O Brasil registrou 1.544.987 casos de dengue no ano passado, com 782 mortes, segundo dados da pasta, um aumento de 488% em relação a 2018, um ano considerado atípico pelo Ministério.

Segundo Rodrigo Said, 2017 e 2018 foram anos com poucos casos de dengue quando comparados a 2015 e 2016. “Isso aconteceu porque circulou, em todos esses anos, o mesmo sorotipo do vírus da dengue. E quando uma pessoa é infectada pela dengue, ela estará imune aquele determinado sorotipo pra sempre, mas não aos outros sorotipos da doença”, afirma.

A dengue é transmitida por quatro sorotipos do vírus: o sorotipo 1, 2, 3 e 4, todos em circulação no Brasil. A intensidade de circulação desses sorotipos se alterna pelo país de tempos em tempos. Os surtos de dengue costumam ocorrer, segundo Rodrigo Said, quando há mudança na circulação do tipo de vírus.

Foi o que ocorreu no final de 2018, quando começou a circular no Sudeste e Centro-Oeste um tipo diferente dos anos anteriores, o sorotipo 2. “As pessoas não estavam imunes ao sorotipo 2, que não circulava no país desde 2008. Por isso ele veio tão forte, porque encontrou novas pessoas para infectar”, explica o porta-voz.

“O sorotipo 2, que já é um tipo mais virulento que os outros, foi ganhando força conforme foi infectando novos pacientes em alguns estados. Agora, ele está circulando por mais áreas. Por isso, para 2020, é esperado aumento dos casos de dengue justamente nos estados que não foram tão afetados pelo sorotipo em 2019, como o Rio de Janeiro e Espírito Santo”, pontua.

Rodrigo Said também alerta que o surto da doença se relaciona, ainda, a fatores ambientais. “Estamos em um momento propício para a proliferação do mosquito transmissor da dengue [Aedes aegypti]: altas temperaturas e chuvas intensas”.

COMBATE

O secretário de Vigilância em Saúde reforça que, a melhor forma de evitar o agravamento e as mortes por dengue é com diagnóstico e tratamento oportunos. “O Brasil vem de dois anos seguidos com baixa ocorrência de dengue, portanto é necessário que os profissionais de saúde estejam atentos a esse aumento de casos. É preciso que eles estejam mais sensíveis e atentos para a dengue na hora de fazer o diagnóstico. Quanto mais cedo o paciente for e der início ao tratamento, menor o risco de agravamento da doença e de evoluir para óbito”, lembra.

O Ministério ressalta, ainda, que as ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Todas as ações são gerenciadas e monitoradas pela Sala Nacional de Coordenação e Controle para enfrentamento do Aedes, que atua em conjunto com outros órgãos, como o Ministério da Educação; da Integração, do Desenvolvimento Social; do Meio Ambiente; Defesa; Casa Civil e Presidência da República.

O órgão, também, oferece continuamente aos estados e municípios apoio técnico e fornecimento de insumos, como larvicidas para o combate ao vetor, além de veículos para realizar os fumacês, e testes diagnósticos, sempre que solicitado pelos gestores locais.

Para o diagnóstico das doenças zika e chikungunya, e também dengue, todos os laboratórios do país estão abastecidos com o teste em Biologia Molecular. Segundo o Ministério, também são investidos recursos em ações de comunicação, como campanhas publicitárias e divulgação nas redes sociais, junto à população.

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