Ambulantes lamentam maior enfraquecimento da Segunda-feira Gorda

Sempre na segunda-feira posterior à Lavagem do Bonfim, era comum a baianos e turistas se divertirem na data que foi apelida de “Gorda”, no bairro da Ribeira


Tribuna da Bahia, Salvador
20/01/2020 11:26 | Atualizado há 8 dias, 4 horas e 0 minutos

   
Foto: Reginaldo Ipê / Tribuna da Bahia

Por: Yuri Abreu


Já era tradição. Sempre na segunda-feira posterior à Lavagem do Bonfim, era comum a baianos e turistas se divertirem na data que foi apelida de “Gorda”, no bairro da Ribeira. Ao som de trios elétricos e grupos culturais, além de comerem o tão esperado cozido, os foliões davam continuidade ao calendário de festas culturais da cidade, que deixava o largo do bairro, na Cidade Baixa, repleto de pessoas.

Contudo, nos últimos anos, a Segunda-feira Gorda foi ficando cada mais vez fraca, a ponto de ambulantes praticamente decretarem o fim da festa. “A segunda-feira está morrendo”, disse a vendedora Naiane Silva, de 31 anos. Ela era uma das poucas pessoas que ainda estava montando a pequena estrutura para o evento que acontece hoje, dia 20 de janeiro.

Quem relatou as boas lembranças dos festejos foi a também ambulante Sônia Regina, de 42 anos, boa parte deles brincando no fim de linha da Ribeira. “A festa era muito boa, tinha mais gente e a vendagem sempre positiva. A gente tinha mais barraqueiros, mais som. Era muito mais divertido. Eu, por exemplo, já cheguei a dormir aqui na noite anterior para garantir meu lugar no dia seguinte. Eram muitas barracas e, quem chegava atrasado, não achava mais lugar. Hoje, àqueles que insistem, vendem o que sobrou da Lavagem do Bonfim”, afirmou.

Segundo ela, a queda veio ano após ano, sendo que, em 2019, a festa estava esvaziada. “Não tinha ninguém aqui e, quando deu 20h, a polícia pediu para que a gente desligasse o som e encerrasse os trabalhos. Acabou que tivemos foi prejuízo. Espero que amanhã [hoje] seja melhor do que foi no ano passado, assim como ocorreu na Festa do Bonfim”, desejou Sônia.

ATRATIVOS

Para os vendedores ambulantes, a falta de apoio dos poderes públicos tem feito com que a Segunda-feira Gorda venha perdendo força ao longo dos anos. De acordo com eles, a prefeitura poderia pensar em um calendário de eventos não apenas para o dia, mas para o ano todo no local.

“Podiam colocar uma programação com som, chamando cantores da região para tocar, além de promover feiras. Faltam atrativos para os moradores e turistas. Esse ano, diferente do que ocorreu em 2019, não tivemos o Mercado Iaô, que contribuiu no aumento do fluxo de turistas. Infelizmente, não há incentivos. Mas, o que acontece como a Segunda-feira Gorda também está acontecendo com as demais festas populares de Salvador”, lamentou o vendedor Evanildo Reis, de 47 anos.

Conforme ele, se antes havia pelo menos 50 barracas disputando o espaço e a atenção da clientela no largo da Ribeira, atualmente esse número não chega a 20. “Aqui era um lugar de veraneio, onde as pessoas sentavam na porta para conversar. Penso que eles podiam, por exemplo, transformar uma quadra que tem aqui, mas é mal usada, em uma praça para unir a comunidade”, salientou Reis.

HISTÓRIA

Iniciada em meados do século XVIII como uma extensão da Festa do Senhor do Bonfim, a Segunda-feira Gorda, conforme historiadores, era realizada por romeiros que participavam da festa religiosa e perambulavam pelos bairros vizinhos no final dos festejos, estendendo a festa profana para a segunda-feira seguinte.

Posteriormente, a festa também foi chamada de “Segunda da Mudança”, pois os moradores sentavam-se nas portas de suas casas para esperar a mudança dos barraqueiros, que desciam em clima de festa do Bonfim para o bairro localizado na Cidade Baixa.

A reportagem da TB entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Salvador para saber se a gestão municipal preparou algum esquema de serviços para a edição deste ano da Segunda-feira Gorda, mas, até o fechamento da edição, não obtivemos resposta.

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