Olívia aposta na redução das desigualdades para ser prefeita

Olívia Santana visitou ontem a Tribuna e conversou com o presidente do jornal, Walter Pinheiro, e o vice-presidente, Marcelo Sacramento


Tribuna da Bahia, Salvador
12/02/2020 14:06 | Atualizado há 7 dias, 21 horas e 58 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Lício Ferreira


“O meu partido, o PCdoB, colocou o meu nome para defender um projeto para a cidade de Salvador. Isso me anima muito e eu estou superfeliz!” Essas palavras são de Maria Olívia Santana, uma pedagoga, que se tornou militante do movimento de mulheres negras e fundou a União de Negros pela Igualdade. Recebida, na manhã de ontem pela Tribuna, a candidata oficial do partido conversou, longamente, com o presidente, jornalista Walter Pinheiro, e o vice-presidente, Marcelo Sacramento.

Questionada sobre a crítica que faria à atual gestão da prefeitura, ela foi taxativa: “É uma gestão que não enfrenta as desigualdades sociais e que, na verdade, não procura descentralizar as oportunidades. Inclusive, no que diz respeito ao próprio segmento empresarial. Não acho razoável que apenas um ‘nicho’ possa ganhar com a gestão”. Olivia Santana acredita que é possível Salvador olhar, também, para outros segmentos empresarias, ou seja, as micro e pequenas empresas e que elas tenham um lugar ao sol. “É preciso, de fato, descentralizar os investimentos e as oportunidades contratuais para garantir que o povo possa ganhar”, justifica.

A candidata à prefeita pelo PCdoB lembra que Salvador tem um pólo têxtil, localizado no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa. “É um conglomerado de micro e pequenas empresas que, hoje, emprega 740 pessoas. O Governo do Estado investiu naqueles galpões e eles estão lá produzindo, ganhando licitações e mais preparados para conseguir grandes contratos”. Como provocação aos adversários de campanha ela questiona: “Sabe por que eles estão nesse patamar?” Ela mesmo responde: “Porque houve um governo como o de Jacques Wagner, que enxergou o complexo empresarial como algo que merecia um investimento inicial para dar condições àquelas pessoas trabalharem, produzirem e gerirem os seus próprios negócios”.

Também de forma clara, Olívia Santana disse que o foco de uma gestão para a cidade de Salvador tem que ser nas desigualdades sociais e na abertura de oportunidades de investimentos e geração de renda. “Nós não podemos assumir a gestão de uma prefeitura de uma capital como Salvador e continuar de costas para as desigualdades sociais. Temos que enfrentar isso. Enxergar o povo como ele é. Enxergar os talentos, as capacidades, as vocações, e incorporar tudo em um projeto novo de desenvolvimento”. Provocada sobre sua futura atuação – caso eleita –, disse: “Nós temos o capital imobiliário e o setor empresarial de construção. Precisamos entender qual a cidade que nós queremos ter. Não vou ficar fazendo o discurso de acordo com a ocasião. Eu penso que nós temos que investir em um modelo de cidade, que tenha compromisso com o meio ambiente”.

Apoiada no atual discurso da Conferência do Clima, a candidata do PCdoB disse que o modelo atual de cidade já se esgotou. “Vamos construir outras possibilidades de ocupação e uso do solo e que tenha compromisso com a vida e o bem-estar das pessoas. Queremos cidades mais aprazíveis e mais agradáveis. Nós precisamos do setor empresarial investindo na cidade de Salvador com um modelo diferente desse de hoje”. Falou das chuvas, em Salvador, “que quando chega, é um horror”. E comentou: “A gente tem uma cidade cada vez mais impermeabilizada. Não tem uma política urbana que focalize a macrodrenagem. A gente vê os pobres se arrebentando por um lado, mas também os que moram em áreas nobres. A Barra, por exemplo, com tanto investimento alaga. O Rio Vermelho fica alagado e com mar... tão próximo!”.

O que ela fez questão de deixar claro nessa caminhada para a prefeitura de Salvador é que deseja ter um debate franco e aberto sobre a cidade com os adversários. “Um debate que pactue os diversos segmentos – mesmo de interesse distintos – mas tendo como centro, o bem-estar de todos. Ou, pelo menos, para a maioria dos cidadãos”. Eleita a primeira mulher negra deputada estadual na Bahia, com 57.755 mil votos, Olívia Santana diz ter nessa pré-candidatura o propósito de dialogar com a alma da cidade.

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